Páginas

terça-feira, 29 de setembro de 2015

No teu deserto- Miguel Sousa Tavares

Passava da meia-noite quando eu iniciei a leitura de "No teu deserto" do português Miguel Sousa Tavares e o que seria só um início descompromissado, para ver como que era, acabou me deixando acordada, sem conseguir largar o livro até quase duas horas da manhã. Não fosse madrugada de um sábado para domingo, eu teria problemas para acordar cedo depois, o que não foi bem o que aconteceu, porque não eram nem sete horas da manhã e eu já estava acordada, terminando de ler o livro.
A minha primeira incursão noturna me rendeu 99 páginas de uma vez só, quase sem folêgo, não conseguia largar o livro de forma alguma. Acho que a narração descritiva aliada com a poesia que é a linguagem do português de Portugal foi determinante para me ganhar por inteira.
O livro é basicamente as lembranças de uma viagem para o deserto do "Sahara" (Saara) feito por um jornalista, que venderia as imagens para a tv portuguesa, narradas de forma descritiva vinte anos depois. Ele, com seus 36 anos, viajou acompanhado de Claúdia, uma jovem moça loira de olhos azuis, quinze anos mais nova. De início, acompanhamos suas desventuras para chegarem a tempo de pegarem o navio que os levaria para Argel, a fim de que conseguissem autorização para entrarem em outro país com todo o material de filmagem. Sua equipe, contando com o seu, era composta de dezesseis jipes e quatro motos. Eles viajaram separados e se encontrariam em um determinado ponto, depois que o "chefe" conseguisse as autorizações. 
Damos boas risadas nessa primeira parte, com toda correria para não perderem o barco e até respiramos aliviados quando conseguem embarcar. Depois, voltamos a rir com eles, que para conseguirem um lugar para dormir têm de subornar um funcionário do navio que só sabe cobrar dez mil pesetas por cada trabalho que é solicitado, depois de muito conversarem, conseguem diminuir o preço. Avançando um pouco, nossos dois aventureiros, depois de quatro dias, de muitos contra-tempos, conseguem as autorizações e vão se encontrar com o resto da equipe a tempo.
Esses quatro dias iniciais que passaram juntos, serviram para dar o tom de como seria o resto da viagem na companhia um do outro, teriam mais cinco semanas pela frente. Parece um história de amor, tudo é descrito de uma forma tão apaixonada que dá a entender que os dois se amaram muito, mas em nenhum momento a descrição revela detalhes concretos, só podemos inferir, imaginar.

"Cláudia, não precisas falar porque vamos calados. A coisa mais difícil e bonita de partilhar entre duas pessoas é o silêncio". -(p.95)

Tenho para mim que é um livro totalmente autobiográfico, mas o autor vale-se da literatura para inserir o que seria os pensamentos de Cláudia em contraposição aos seus, assim vemos dois lados da história.


2 comentários:

  1. Confesso que a capa do livro não me chamou muita atenção.
    Mas quando li sua resenha, conforme que me nasceu um interesse, gostei bastante, vou procurar saber...
    http://ancorandoomundo.blogspot.com.br

    ResponderExcluir
  2. Não conhecia o livro, mas parece ser uma obra muito boa. Daria uma oportunidade.

    Desbrava(dores) de livros - Participe do nosso top comentarista de outubro. Serão seis livros para três vencedores.

    ResponderExcluir

caixa do afeto e da hostilidade