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quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Anúncio: Mudanças

Não é novidade pra ninguém que eu ando cansado do blogue como ele está e que isso afeta a frequência das minhas postagens e o prazer que eu devia ter preparando essas postagens. Ontem, do nada, recebi um dos comentários mais legais desse blogue. (Não desmerecendo os outros comentários que já recebi, pois esse blogue me fez rever meu conceito de "amizade" mais de uma vez e conheci pessoas que se tornaram muito especiais por causa dele e os comentários dessas pessoas têm muito valor etc. etc. e sentimentalismos, mas sequem logo vossas lágrimas). Esse comentário, do/a usuário/a (me recuso a adotar o "x" para neutralizar gêneros das palavras, talvez um dia discorra sobre isso, mas não será hoje) mayDoril (que não deixou contato para resposta ou blog para que eu conheça o seu trabalho - porra!), tecia elogios a este blogue fantástico, mas reclamava por ele não estar hospedado no Wordpress. T'aí uma coisa que eu já pensava há anos. Me mudar para o Wordpress. Mas não sabia como migrar o conteúdo e isso me deixava apreensivo. Vejam bem, são 4 anos de conteúdo. Por isso sempre deixava pra depois a pesquisa sobre a migração. 

Nem sei direito o que me atrai no Wordpress. Sinceramente, não sei a diferença (percebi a diferença nos mecanismos de postagem, mas, para o leitor, não sei o que muda), mas sempre estive de olho nessa outra vizinhança e, apesar de conhecer bons blogues no blogspot, o clima do Wordpress parece ser outro, mais parecido com o que me agrada nesse mundo dos blogues.

Usei o comentário como o empurrão a me atirar morro abaixo. Convenci a mim mesmo que era esse meu próximo passo para o blogue e assim foi. Criei o blogue novo, já, está pronto. Não tem nada lá, mas, se vocês digitarem deliriumscribens.wordpress.com, vão achar um blogue vazio com o mesmo slogan "um blogue entre o erudito e o pornográfico. Não é plágio, sou eu. Logo ele não estará mais vazio.

Mas, tio Rapha, e as postagens antigas? Estarão aqui e, aos poucos, serão revisadas e transferidas para lá. Não todas. Filtrarei o conteúdo. Só o que eu considerar bom irá pro blogue novo. Tudo que for inédito será postado lá e não aqui. Logo, sugiro que, se você for um leitor fiel, vá para lá também. Se você me segue por passaralho ou caralivro, as coisas continuarão iguais. Vou continuar compartilhando tudo na página e perfil existentes. O que isso vai trazer de mudança pra mim? A tensão de um blogue vazio. Sim, vou me forçar a enchê-lo de coisas, como eu fazia aqui. Mudanças de conteúdo? Nada que seja fora do comum. Tenho uns planos, mas não pense que será diferente.

Uma coisa que pesou na minha decisão foi o podcast e os colunistas (Ernane, que está em hiato por motivos pessoais, e a Maria, que posta mensalmente). Isso não vai parar. Só vou precisar de um tempo de adaptação, até eu aprender como liberar a edição do blogue para os colunistas no wordpress e como tornar o podcast audível por lá também. Uma hora tudo volta ao que era antes. Tudo me leva a crer que a insatisfação também, mas isso é inevitável.

É isso que eu tinha pra dizer. Espero que não seja grande inconveniente pra vocês, mas está feita a decisão. Até lá.

Link novo: Delirium Scribens

sábado, 16 de janeiro de 2016

Poema 85

tédio?

nuvens passam pela minha janela
na velocidade de um navio que atraca no porto.
contínua embarcação dos céus, levada pelo vento,
e o vento balança minha cortina
como uma mão embala seu recém-nascido
num baile
pra lá e pra cá
tão leve e gentil,

e a fumaça de tabaco
que eu sopro da minha boca
se expande e domina com seu perfume de
grama cortada e terra e lenha em brasa,
névoa bailarina-guerreira.

é incrível,
desde que me pus a inventar versos
nunca mais fiquei entediado.


***

Sim, primeira postagem de 2016. Não falei de natal, não falei de ano novo. Tenho meus motivos. Queria prestar homenagem ao David Bowie, mas não há nada que eu possa fazer que o faça justiça.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Momento Musical #13 - Homenagem ao Flávio Basso/Júpiter Maçã


Foi com muito pesar que na manhã de ontem eu recebi a notícia de que Júpiter Maçã, vulgo Flávio Basso, morreu na tarde de 21/12/2015. Sem necessidade de notas biográficas aqui, essas vocês podem encontrar em todos os cantos da internet agora que todos viraram fãs de longa data dele há dois dias, meu objetivo é divulgar os três discos dele que eu mais escutei e que eu mais gosto. Não é discografia completa, não é lista comparativa de "os melhores" qualquer coisa. É só porque eu li muita merda em comentários nesses últimos dias. Gente dizendo que nunca ouviu falar dele, famoso quem?, etc. Não sabe quem? Pois conheça. Esses discos vão facilitar seu trabalho.

Os Cascavelletes - Rock'a'Ula (1989)


Um rock bem direto ao ponto e, de certa maneira, datado. As baterias têm aquele som bem típico da década de 80. Mas isso não diminui a qualidade do som. Esse talvez seja o mais acessível de toda a discografia dele e o mais famoso - o que virou hit na época. Com letras rock 'n' roll, cheias de sacanagens claras ou veladas, sem grandes surpresas, o disco cumpre o que se propõe, e de vez em quando até surpreende com faixas como Gato Preto e Lobo da Estepe. Mas devo dizer que prefiro a carreira solo dele. Os ouvintes mais perceptivos vão reparar que ele pôde se deixar levar pela própria criatividade nos discos que vieram depois (para o bem ou para o mal).

A Sétima Efervescência - Júpiter Maçã (1997)


Primeiro disco solo. Não tão experimental quanto os seus sucessores e, provavelmente, o favorito da galera. Esse disco é foda. Vai do popular (Miss Lexotan, Lugar do Caralho) à vanguarda psicodélica (The Freaking Alice), esse é outro capaz de agradar qualquer um que goste da premissa principal: rock "recente" a moda antiga.

Uma Tarde na Fruteira - Júpiter Maçã (2008)


Se o 7ª Efervescência foi pouco inventivo e seus sucessores apelaram demais pro lado eletro-psico-bossa'n'roll, Uma Tarde na Fruteira, que seu não me engano é o último, serve de resumo perfeito para a carreira do cara. Tudo que ele fez pode ser encontrado nele, incluindo umas reprises aqui e ali aos seus clássicos. Esse é meu favorito, eu diria, com alguma dúvida. Em geral, todos valem a audição porque a verdade é que ele foi um dos músicos mais criativos e porras-loucas do Brasil nesses tempos não tão distantes e merece o reconhecimento como tal.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Baderna Literária #3 - Processos Criativos

No terceiro podcast nós quase conseguimos reunir a trupe. Faltou o Ernane. No quarto, quem sabe, consigamos juntar os quatro. Nada seria mais apropriado. O som tá ruim de novo. Pois é. Deu merda. O meu tá alto demais, o da Carol e da Maria tão muito baixos. O Ernane até tentou fazer mágica (palavra que eu uso para o que vocês chamam "e-di-ção") pra igualar, mas toda a vez que eu falava ao mesmo tempo que elas - várias vezes... - eu ficava ainda mais barulhento. É foda esse troço de podcast. Um dia sai um certo. Prometo. Mas por enquanto, paciência. Pelo menos as músicas são sempre boas. As ideias também. E dá pra ouvir, só não tá tudo certinho. Vocês deixem de frescura. Muita coisa interessante foi dita sobre processos criativos, nossos e de gente conhecida. E em geral o tema foi tratado de forma coesa. Então se você se deixar derrubar pelos problemas de áudio ou se intimidar pela duração (é longo sim, grande coisa; e se reclamar o próximo vai ter 4 horas), vai perder de ouvir coisas que talvez você absolutamente precisasse ouvir. Será que balbúrdia literária é um título melhor? Não sei, o público decida. Podem votar, mas não briguem. E podem comentar pedindo temas. De repente pedindo conselhos literários/pessoais/amorosos/profissionais/espirituais. Não somos especialistas, mas temos experiência com merda. Quem precisa de psicólogo quando tem 4 pessoas desajustadas como conselheiros? (Não consultei nenhum deles sobre essa ideia... Nem sobre o adjetivo "desajustados". Pelo menos eu me incluí.) Não acho que gravaremos o 4º esse mês porque dezembro é foda, mas de janeiro não passa. Como sempre, escutem na playlist ou baixem no 4shared. 

Notas:
- Fontes de onde tirei os processos aqui.
- Nada de novo nos fronts do soundcloud e 4shared. Nenhum novo comentário. Vocês não servem pra muita coisa.


quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Ao Farol- Virginia Woolf

Atenção, esta resenha contém spoiler!!!

Num breve resumo do enredo, pode-se dizer que este livro conta a estória de uma família que passa as férias numa casa de veraneio na Escócia, enquanto o maior desejo de um dos filhos, o mais novo, é visitar o Farol que tem ali perto, porém é continuamente impedido pelo mau tempo.

O livro é dividido em três partes: "A janela", "O tempo passa" e "O farol", as quais são compostas por 19, 10 e 13 capítulos, respectivamente. Os acontecimentos narrados ocorrem em dois dias distintos, separados por um intervalo de dez anos. Assim, em "A janela" vemos os acontecimentos do final de uma tarde e noite de setembro; em "O tempo passa", vemos os acontecimentos de dez anos após esse primeiro dia. Nesse período ocorre a Primeira Grande Guerra. Em "O farol" vemos o que acontece numa manhã após a Guerra.

Quanto aos personagens, temos a família do sr. e da sr. Ramsay com seus oito filhos. Do mais velho para o mais novo: Andrew, Prue, Nancy, Cam, Jasper, Roger, Rose e James; os convidados da família: Lily Briscoe, que é pintora; William Bankes, que é botânico; Charles Tanslay, Minta Doyle, Paul Rayley e Augustus Carmichael, que é poeta; e os empregados que cuidam da casa na segunda parte: a sra. MacNab, a sra. Bast e seu filho George.

O livro se inicia com uma fala da sra. Ramsay dizendo ao seu filho James que eles irão ao farol no dia seguinte caso o tempo esteja bom. O menino fica contente com o que ouve, mas o pai não deixa que a alegria dure muito dizendo que o tempo não estará bom, fazendo com que James o odeie.
 Ao longo dos capítulos, aparecem alguns dos convidados da família. Entre eles Charles Tanslay, que é pouco estimado pelas crianças. Logo após, Lily Briscoe que faz sua primeira aparição pintando um quadro da sra. Ramsay enquanto a vê pela janela com James e aqui, a janela é figura central. Não é à toa que este é o título da primeira parte. E o capítulo é encerrado com a visão da cabeça da sra. Ramsay "Absurdamente recortada pela moldura dourada" ( ou seja, pela janela).

Agora, vou me deter mais demoradamente no capítulo cinco dessa primeira parte. Logo no primeiro parágrafo, nos deparamos com dois tipos de exposição dos fatos: o narrar e o mostrar, que se dão através do discurso direto da personagem e do discurso do narrador. Temos o pensamento da personagem e a narração direta ao mesmo tempo. Por isso é preciso muito cuidado para não se perder durante a leitura. Um pouco mais para a frente, a voz da narrativa vaga numa indeterminação, é difícil atribuir se o que está sendo dito é feito pelo narrador ou é um pensamento da personagem, além disso, vemos que um simples ponto muda todo o sentido de uma frase.
Nesse capítulo, a sra. Ramsay tricota uma meia marrom para levar de presente ao filho do faroleiro e usa James como modelo de medição. O menino, tomado de ciúmes, fica se remexendo a fim de atrapalhar o trabalho da mãe, que se irrita e é um pouco mais severa com ele. Por fim, ela consegue medir a meia e constata que ainda está muito curta.

Em "O tempo passa", parte com menor número de capítulos, apenas 10 (curioso notar que dez é justamente o número de anos compreendido nessa parte). Ao longo dos capítulos, a passagem do tempo é quase palpável, acompanhamos a decadência e abandono da casa de veraneio que é atingida pelas intempéries, mas segue resistindo com os cuidados da sra. MacNab, da sra. Bast e de seu filho George.
Nessa parte, eclode  a Primeira Grande Guerra, Andrew é morto atingido pela explosão de uma granada, Prue morre por causa de uma complicação no parto e a sra. Ramsay também morre. Não há preparação prévia para dar a notícia das mortes, então somos pegos de surpresa com elas são anunciadas [dentro de colchetes], como se fosse só um detalhe. A implacabilidade do tempo e dos acontecimentos se faz muito marcante, mas de uma forma quase poética.

Passada a Guerra, a casa de veraneio é novamente habitada e em "O farol", finalmente se concretiza a ida ao farol, após dez anos. O sr. Ramsay leva James e Cam ao farol, os dois vão contra suas vontades, mas preferem não contrariar o pai. Paralelamente à ida ao farol, Lily Briscoe pinta seu quadro, aquele mesmo ela tinha iniciado há dez anos atrás e o termina no mesmo momento que o barco chega ao farol. Essa terceira parte é permeada pela falta que a sra. Ramsay faz, principalmente a Lily, que é a que mais evoca lembranças dos tempos passados.

O livro é genial, não tanto pela história em si, mas sim pela forma como se dá a narrativa, num fluxo de consciência no qual o estado psíquico das personagens é mais valorizado do que as ações concretas. Indico fortemente a leitura e certamente o lerei novamente.

Li este livro para a matéria de Introdução aos Estudos Literários e o professor indicou o livro da L&PM, com a tradução da Denise Bottmann, mas como está esgotado e não se encontra mais tão facilmente, ele também indicou o da Autêntica, com tradução do Tomaz Tadeu. A primeira leitura que fiz, foi do livro com a tradução da Denise e para escrever esta postagem estava com a tradução do Tomaz em mãos. Particularmente, achei a tradução da Denise mais indicada para um primeiro contato com o livro da Virginia, como foi o meu caso, mas a do Tadeu, apesar de ser um pouco mais rebuscada, também é boa.
Deixo abaixo, nas duas traduções, um trecho que eu gostei:

"(...) deviam aprender desde a infância que a vida é difícil, os fatos inflexíveis, e que a jornada até aquela terra fabulosa onde nossas mais vivas esperanças se extinguem, nossas frágeis embarcações soçobram nas trevas (...), exige, acima de tudo, coragem, verdade, e a força de resistir". -Tradução de Denise Bottmann.
"(...) deviam estar conscientes desde a infância de que a vida é difícil; os fatos, inarredáveis; e a passagem para aquela terra lendária onde nossas mais vivas esperanças se extinguem, nossos frágeis barcos afundam na escuridão (...) é uma passagem que exige, sobretudo, coragem, verdade, e força para resistir". -Tradução de Tomaz Tadeu.