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sábado, 16 de janeiro de 2016

Poema 85

tédio?

nuvens passam pela minha janela
na velocidade de um navio que atraca no porto.
contínua embarcação dos céus, levada pelo vento,
e o vento balança minha cortina
como uma mão embala seu recém-nascido
num baile
pra lá e pra cá
tão leve e gentil,

e a fumaça de tabaco
que eu sopro da minha boca
se expande e domina com seu perfume de
grama cortada e terra e lenha em brasa,
névoa bailarina-guerreira.

é incrível,
desde que me pus a inventar versos
nunca mais fiquei entediado.


***

Sim, primeira postagem de 2016. Não falei de natal, não falei de ano novo. Tenho meus motivos. Queria prestar homenagem ao David Bowie, mas não há nada que eu possa fazer que o faça justiça.

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