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sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Pola X - Leos Carax (1999)

Não é pornô!
Apesar do nome, Pola X não é um pornô. Existe a possibilidade de eu resenhar um terceiro filme pornográfico nesse blog (depois de Tudo Sobre Anna e Caligula), mas não será tão cedo - principalmente porque esse processo envolve assistir ao pornô do começo ao fim, com visão crítica, o que é mais difícil do que parece. Pola X é um filme do diretor francês tido como o filho da Nouvelle Vague, Leos Carax, o mesmo cara que fez um dos melhores filmes de 2012, Holy Motors, já resenhado por essas bandas.

Pola X é uma adaptação do romance de Herman Melville, Pierre; ou As Ambiguidades (em francês: Pierre; Ou Les Ambiguïtés - "POLA", viram? Sendo o X o numeral romano representando quantos rascunhos foram feitos para o script, ou seja, 10), que eu ainda não li, mas pretendo - assim como os outros livros do Melville.


É a história de Pierre (Guillaume Depardieu, filho do francês de todos os filmes, Gérard Depardieu), escritor jovem, de sucesso razoável, que mora com a mãe, Marie (Catherine Deneuve - Belle de Jour), em uma mansão herdada do pai. Ele é noivo de Lucie (Delphine Chuillot, que apesar de ser boa atriz, não teve nenhum outro papel expressivo, que eu saiba) e tudo vai bem em sua vida, até que Isabelle (Yekaterina Golubeva, conhecida por filmes estranhos e nudez), filha ilegítima de seu pai, na Europa Oriental, se revela e tudo vira um inferno.

Um prelúdio aos acordeões.
Apesar de o filme ter um tom modernizado, a história não é tão diferente da sinopse do livro fonte, então já dá pra perceber que esse não foi um livro bem visto em sua época, assim como o filme não foi muito aclamado nos dias de hoje. Mesmo assim o filme é ótimo. Leos Carax realmente sabe manejar a câmera, com um ótimo controle do cenário e da luz, conseguindo criar o tom sombrio que, conforme a história avança, vai se aproximando do bizarro, culminando com o sonho em que Pierre e Isabelle são levados por um mar de sangue.

Não censurarei esta foto.
Não é um pornô, como eu disse no começo da resenha, mas tem uma cena de sexo não-simulado entre os protagonistas, o que pode ter contribuído para as críticas negativas. No entanto a cena não me pareceu gratuita. O objetivo da obra original, afinal de contas, era abordar tabu, mesmo que pra isso fosse necessário chocar algumas pessoas. Uma relação incestuosa, nos dias de hoje, não choca em filme, mas o sexo real ainda choca, por algum motivo, então está mais que justificado. Além do mais, a cena é filmada com tanta angustia, que é possível, só por ela, sentir todo o clima do filme.


Assim como em Holy Motors, é possível perceber a crítica social, sempre com muita leveza, sem que o filme se torne político ou engajado. A crítica social servindo como um retrato da sociedade. E Pola X também tem uma cena musical, mais estranha, industrial, porém condizente com a atmosfera do cenário. 

Futebol não é uma exclusividade de The Room.
Tendo visto Pola X e Holy Motors, pude ver o crescimento do diretor. Bem filmado que seja Pola X, a edição, talvez por causa do baixo orçamento, tem alguns defeitos, cortes meio estranhos, nada comparado aos filmes de ação de hoje que fazem um corte a cada dois segundos, as cenas desse filme são longas, mas algumas vezes os cortes parecem deslocados. Distrai um pouco, mas não é nada grave.

"Onde eu tô? Ninguém me disse que iam fazer um filme aqui!"
É um filme que lembra um pouco os primeiros trabalhos do Godard, indicado para as pessoas que gostam do estilo. Sugiro que vejam Holy Motor primeiro, pra testar. Sobrevivendo e gostando da experiência, pode passar pra Pola X tranquilamente.

Nota: 4/5





3 comentários:

  1. O melhor do diretor, entretando, é Os Amantes da Pont-Neuf.

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  2. Gostei muito de Pola x, porém não creio que holy motors seja bem um filme indicado pra "preparar" o espectador...um bom filme que eu recomendo é um chamado La vie nouvelle de 2002 se eu nao me engano.

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