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terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Momento Musical #8 - Them, Patti Smith, Wanda Jackson

Tentando ao máximo fazer jus ao jeito desregrado de juntar discos para o momento musical, não me preocupei em nada em relacionar os artistas. Acaba acontecendo, mas acho que dessa vez consegui misturar legal. Cobrirei 3 décadas com a postagem de hoje e espero que vocês escutem os discos. Eu sei, é uma audição de uma hora cada, talvez vocês preferissem que eu só jogasse aqui as faixas principais de cada artista e deixasse a pesquisa posterior nas mãos de vocês. Não. O objetivo aqui é justamente mandar à merda o hábito de ouvir só os hits. Quero reviver o álbum de um jeito ou de outro e, se isso não te interessa, tem gente pra cacete por aí postando só hits. Divirta-se com o Google/Youtube e saia da minha propriedade (visualize aqui Clint Eastwood te apontando uma escopeta).

Them - The Angry Young Them


Vocês já devem ter ouvido falar do cantor/compositor irlandês Van Morrison. Vou acreditar que sim e pular as apresentações. Se não conhece, você me envergonha, vá se redimir agora. Bom, Van Morrison começou na banda Them, e esse é o primeiro disco deles. A banda em si tá esquecida desde que o Van Morrison seguiu carreira solo, mas é muito bom. Típica banda de garagem da década de 60, entre o blues e um psicodélico primitivo, com direito a composições próprias, como Gloria, que se tornou o hino da banda e foi gravado por uma porrada de gente, a exemplo: The Shadows of Knight, The Doors e...

...Patti Smith - Radio Ethiopia


Tá, esse não é o disco que tem a versão de Gloria - esse seria o Horses -, mas não consegui achar completo no Youtube. Claro que eu conto que o leitor que goste dos discos apresentados aqui corra atrás da discografia completa do artista em questão. (Não, eu não acho que superestimo vocês.) Não é aquele disco, mas é o segundo da Poeta Laureada do Punk, não muito bem recebido na época, mas hoje melhor compreendido, tendo sobrevivido o passar dos anos. Patti Smith não recebeu seu título sem motivo, ela é uma excelente poeta e expõe isso na música dela, trazendo lirismo ao punk, um gênero nada lírico. Não sou o maior fã de Punk Rock, mas de Patti Smith eu gosto, ela dá um bom nome ao gênero.

Wanda Jackson - Capitol Records 1956 - 60


Wanda Jackson, a chamada rainha do rockabilly. Viva até hoje, mas seguindo uma linha mais country/gospel. Na década de cinquenta, ela era foda. Não devia nada a gente como Buddy Holly e Charlie Feathers. Esse disco é uma coletânea da fase rockabilly. Eu sei, tenho meus contras quanto à antologias, coletâneas, best ofs etc. Mas esse é bom, representa bem as músicas de qualidade dela. 

É isso. Divirtam-se crianças.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Carolina Maria de Jesus

Olá. Sou a Maria Ferreira do blog Minhas Impressões e uma vez por mês estarei aqui trazendo alguma coisa para vocês. Esse mês de janeiro quase não sai porque eu não fazia a menor ideia do que escrever,  mas o Raphael é uma cara legal e me deu total liberdade. Desse modo, inauguro o meu espaço com uma postagem sobre Carolina Maria de Jesus, porque ela é pouco conhecida e divulgada, mas as pessoas costumam se surpreender quando têm contato com a obra dela.


Carolina Maria de Jesus nasceu em 1914, na cidade de Sacramento, estado de Minas Gerais. Onde viveu até 1947, quando migrou para São Paulo em busca de melhores condições de vida. Chegando aqui, foi morar na zona norte da cidade, na extinta favela do Canidé, onde construiu sua própria casa usando papelão, madeira e lata.
Inicialmente, trabalhou como empregada doméstica e por não se adaptar a esse trabalho, passou a ser catadora de papel. Em cadernos que encontrou no lixo, começou a escrever como eram seus dias, a rotina na favela em que morava, em forma de diário.
Foi mãe solteira de três crianças: João José, José Carlos e Vera Eunice. 
"Como é horrível ver um filho comer e perguntar: 'Tem mais?' Esta palavra 'tem mais' fica oscilando dentro do cérebro de uma mãe que olha as panelas e não tem mais".
 "Que suplício catar papel ultimamente! Tenho que levar a minha filha Vera Eunice. Ela está com dois anos, e não gosta de ficar em casa. Eu ponho o saco na cabeça e a levo nos braços. Suporto o peso do saco na cabeça e suporto o peso da Vera Eunice nos braços. Tem hora que me revolto. Depois me domino. Ela não tem culpa de estar no mundo".
Em 1958, foi descoberta pelo jornalista Audálio Dantas e em 1960 teve seu livro, "Quarto de despejo: diário de uma favelada" publicado. Dizer que foi um sucesso é pouco, o livro teve grande repercussão nacional e internacionalmente. A tiragem inicial de dez mil exemplares se esgotou na primeira semana, foi editado oito vezes no mesmo ano e atualmente se encontra traduzido para mais de treze idiomas. E apesar de tudo isso, que é impressionante, hoje em dia, pouco se ouve e se sabe sobre Carolina. E qual o motivo disso? Não é interessante para as elites que as pessoas fiquem sabem de umas verdades, fiquem sabendo que o descaso social é muito grande e pouco é feito para erradicá-lo.
''O Brasil precisa ser dirigido por uma pessoa que já passou fome. A fome também é professora. Quem passa fome aprende a pensar no próximo,e nas crianças".
Carolina, mulher negra, pobre, da favela, foi um tapa na cara daquela sociedade dominada por autores brancos de classe média. Sua escrita incomodou muita gente e continua incomodando, por isso ela é tão pouco conhecida atualmente, pelo menos no Brasil.
"O mundo das aves deve ser melhor do que dos favelados, que deitam e não dormem porque se deitam sem comer".

Com o sucesso que obteu na época, Carolina comprou uma casa de alvenaria no bairro Alto de Santana e passou a ser convidada para dar palestras em faculdades, em outros estados. Foi aclamada pela crítica e todos queriam conhecer essa mulher, pouco instruída que estava fazendo tanto sucesso. Mas quando morreu em 1977, Carolina já tinha caído no esquecimento e poucas pessoas compareceram em seu enterro.
"Os meninos come muito pão. Eles gostam de pão mole. Mas quando não tem eles comem pão duro. Duro é o que pão que nós comemos. Dura é a cama que dormimos. Dura é a vida que do favelado".
Ano passado foi comemorado o seu centenário e em diversas cidades, principalmente aqui em São paulo, foram realizados diversos eventos em homenagem à Carolina. Eventos nos quais, Vera Eunice, filha de Carolina, esteve presente.
Aqui em São Paulo, a biblioteca do Museu Afro-Brasil foi batizada com o nome dela e seu acervo conta com seus livros que foram traduzidos para outros idiomas.
 ''Será que Deus vai ter pena de mim? Será que eu arranjo dinheiro hoje? será que Deus sabe que existe as favelas e que os favelados passam fome?"


terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Birdman or (The Unexpected Virtue of Ignorance) [Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)] - Alejandro G. Iñárritu [2014]

Vejam só, consegui cumprir minha promessa de resenhar os filmes do Oscar antes da premiação pelo menos com um dos filmes, agora faltam todos os outros. Esse, pra falar a verdade, tem sido meu favorito pra ganhar a maior parte dos prêmios desde o início (lembrando a vocês que haverá previsão esse ano também). Nas categorias principais, imagino que não haverá muita surpresa, a não ser que os outros concorrentes sejam muito surpreendentes (e devo dizer, com o risco de parecer um babaca após a premiação, que não parece ser esse o caso). Mas não estou aqui só pra elogiar, estou aqui pra explicar.


Decadente, definido por uma carreira cinematográfica medíocre e preso a um personagem esquecido, Riggan (Michael Keaton) quer ser levado a sério e, para tanto, decide produzir uma montagem teatral de "Do que falamos quando falamos de amor", um conto aclamado do Raymond Carver. Essa montagem envolve a relação de Riggan com os outros atores, incluindo um porra-louca nos palcos mas brocha na vida ator pretensioso que quer roubar o holofote e pode muito bem ter o talento para tal Mike (Edward Norton), e a atriz fazendo sua estreia na Broadway e realizando um sonho Lesley (Naomi Watts), seu co-produtor e amigo Jake (Zach Galifianakis), sua filha drogada (Emma Stone), sua ex-esposa, sua atual namorada (que também é atriz na peça), os críticos, os jornalistas, o público e o seu próprio passado. Birdman, então, é esse momento da vida de todas essas pessoas.


Vai ser muito fácil eu me perder nos elogios, então deixa eu tomar cuidado aqui e decidir por onde eu quero começar. Vamos ao elenco, que é o mais óbvio. Cheguei a me preocupar quando vi a quantidade de nomes, grandes, iniciantes e esquecidos nesse filme. Por um lado foi bom, me ajudou a refrear minhas expectativas. Cada um dos personagens, principais e secundários, executam seus papéis com perfeição. Claro, uns chamam mais atenção que outros, mas ainda assim, não tem nada fora do lugar. Michael Keaton principalmente. Não acho que alguém no mundo se lembrava do que ele era capaz de fazer como ator, mesmo esse papel sendo mais ou menos como a vida dele (ele foi, afinal, o Batman, lembram?, muito antes do Christian Bale. E nem foi ruim aquele primeiro filme, melhor que Dark Knight Rises, mas isso é outra história). Ele foi o Batman, fez uma série de decisões ruins na vida e ninguém mais o levava a sério, até que ele fez Birdman e agora é favorito ao Oscar, quem diria?


Tecnicamente falando, é impossível ignorar o artifício da edição, que fez o filme todo parecer um take só. Mesmo não sendo - e sendo possível fazer filmes em um take só, vide Arca Russa (Sokurov) -, ainda é muito impressionante. Não é só um jogo vazio, no entanto. A ideia é trazer ao espectador o mesmo senso de imediatismo de uma peça de teatro, essa que nunca tem cortes depois que começa, além de aumentar e muito o grau de imersão - o que é importante em um filme que se passa, em parte, na cabeça doente de seus personagens, principalmente na de Riggan. 


 Falando em cabeça doente, eis outra brincadeira do filme. O que é realidade e o que não é? No começo, a resposta parece bem clara, mas, conforme o tempo passa e a situação de Riggan se agrava, mas tênue é a linha que separa a alucinação do real. Isso também é usado para criticar a cultura de massa de forma nada sutil, vide a cena em que Birdman aparece e pede ao Riggan para dar ao público aquilo que eles querem (ação, explosões, CG, super-heróis etc.). Fiquei na dúvida por um tempo se eu achava que a falta de sutileza nisso era um defeito ou não, afinal de contas o discurso contra o "mainstream" já tá mais do que batido e deu o que tinha que dar. Por outro lado, tem algo de fresco na forma que esse discurso se dá em Birdman. É pelo ponto de vista de um ator que foi o mainstream (no filme e na vida real) e está tentando fazer a transição para a chamada "alta cultura" e não sendo bem visto por isso, mostrando que não adianta, ninguém nunca está satisfeito. Isso fica mais óbvio quando Riggan se vê entre o público e conhece a cultura da internet. Pode parecer muita informação que eu estou dando aqui, mas acho que estou sendo vago o bastante. Vou parar por aqui, de qualquer forma, só para garantir que não vá ter choradeira mais tarde por spoilers (como se isso acontecesse por aqui...as pessoas não vêm no meu blog nem pra falar mal).


É tudo tão perfeito, medido e exato em Birdman, pra que o truque da edição funcione, que até a trilha sonora - nada além de um solo de bateria de jazz - é sincronizado com a história. Seja quando um baterista aparece mesmo na rua, aparentemente tocando o mesmo solo do filme, seja quando o Riggan dá um tapa na porta ao mesmo tempo que o músico bate no prato da bateria (se isso não render um Oscar de edição de som, não sei o que renderá). O filme é um relógio pontualíssimo, que mesmo assim não perde a naturalidade. E por isso se tornou meu favorito esse ano para as premiações. Se eu estarei certo ou não, se eu vou mudar de ideia amanhã ou não, não me importa. Não sou muito de me responsabilizar pelas minhas afirmações. Uma coisa eu tenho certeza, indico o filme.

Nota: 5/5

domingo, 18 de janeiro de 2015

Momento Musical #7 - John Coltrane





O momento musical de hoje trás apenas um músico, mas um que sozinho vale por três ou quatro. Nos EUA foi fundada uma igreja em homenagem a ele e às qualidades transcendentais de suas músicas. Ele próprio tendo composto o disco A Love Supreme como uma oração dividida em quatro partes, baseada em um poema de louvor que ele escreveu, sendo cada nota uma sílaba, até a música estourar em um surto de improviso.

John Coltrane é o nome do jazz que todos, quando iniciados no gênero, logo aprendem. Tocou no quinteto do Miles Davis - outro cidadão que dará as caras por aqui logo mais - até ser expulso por seus excessos, principalmente com heroína (e quando Miles Davis acha que você usa muita heroína, é porque é muita heroína). Conseguiu se reabilitar, trocando a droga pelo LSD, que mudou totalmente sua forma de compor a partir do meio da década de 60 (fim da vida). A aparente falta de sentido das composições afastou até os membros mais fieis de sua banda, como McCoy Tyner, mas atraiu gente da vanguarda como Pharoah Sanders, Ornette Coleman, sendo esses os primeiros passos mais firmes do chamado free jazz - que já existia antes, só foi levado ao extremo. É seguro dizer que Coltrane passou pela maior parte das variações do jazz e tocou com todos os grandes nomes de seu tempo (Duke Ellington, Thelonious Monk, Bill Evans, Cannonball Aderley etc.). Morreu em 67 de problemas de saúde possivelmente originados pelo abuso de heroína, e, desde então, se tornou uma lenda da música, não sem motivo.

Nessa ordem: Coltrane, Cannonball Aderley, Miles Davis e o sempre sério Bill Evans.


Por esses e outros motivos, a postagem de hoje se dedica somente aos discos dele. Porque eu acredito que é possível passar toda uma vida ouvindo apenas Coltrane, sem compreender todos os detalhes do estilo dele. Divirtam-se, crianças.







terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Um crime delicado - Sérgio Sant'anna [1997]


"É preciso esclarecer que, na primeira vez em que a vi, ela estava sentada à mesa no Café e eu não podia observá-la de corpo inteiro, embora concluísse, por seu rosto de traços finos e delicados - e pelos seios pouco salientes, assim à primeira vista, dentro de uma blusa graciosa -, que era uma mulher magra, com o corpo bem-proporcionado. Mas foi principalmente o rosto que me atraiu, os cabelos claros, encaracolados, o que me fez pensar, talvez ajudado por duas doses de conhaque, numa princesa russa." (p. 9 - primeira frase do livro, pra ser exato, já deixando claro o tom da história.)

Para o crítico de teatro Antônio Martins, não haveria motivo para que ele visse Inês, a moça que ele observava no Café, novamente, apesar daquela atração repentina que ele sentiu. No entanto eles voltam a se esbarrar no metrô e ele descobre que ela é manca. Aos poucos ele se vê obcecado por ela e formam um relacionamento afetivo próximo à perversão (como é tão comum nas histórias do Sérgio - depois de cinco livros lidos, posso chamar de Sérgio?). Ele tenta, com trabalho e outras mulheres, deixar Inês de lado, mas segue a encontrando, mesmo quando não a procura, por coincidência, assim ele acredita. O crime, em si, pode ter sido parte de um plano do artista plástico Vitório Brancatti, de quem Inês serve de modelo. Assim Antônio entende ou quer que o leitor entenda.

Eu devo ser, entre os críticos amadores da internet, o maior divulgador do Sérgio Sant'anna. Três resenhas feitas (contando com essa), duas por fazer, e estou lendo o livro mais recente dele, Homem-Mulher, para poder escrever a sexta. Acho que ele é meu favorito entre os nacionais, ao menos está chegando lá aos poucos. Esse foi o primeiro romance propriamente dito que eu li dele. Antes disso só dezenas de contos, três novelas e uma peça de teatro, tudo da mais alta qualidade. Não sabia o que esperar dele nesse formato, mas, felizmente, não tive surpresas. É tão bom quanto todo o resto.

"A mostra justificava o seu nome. As obras, quase todas, divergiam - e não apenas pelo seu suporte - não só dos melhores valores e tendências contemporâneos, apesar de ser difícil detectar tendências ou valores nítidos neste final de século, ao contrário de seu princípio, como divergiam muito entre si. Fiquei pensando se os expositores não haveriam se unido sob aquele rótulo apenas por terem sido rejeitados pelo mercado, galerias e salões." (pp. 52 e 53)

Agora chega de puxar saco e vamos ao que interessa. O que mais impressiona num livro do Sérgio Sant'anna é a variação da linguagem. Ela fica mais notável nas coletâneas de contos, afinal o número de textos é maior, mas mesmo aqui isso dá seu sinal. Primeiro que o Sérgio domina o lado ator que faz parte do ofício de escritor. Quem escreveu esse livro foi Antônio Martins, o crítico fictício, ninguém mais ninguém menos. Isso se reflete na linguagem formal, próxima ao erudito, mas não fugindo do popular. Está incluso também nas críticas que se misturam a narrativa. Afinal, não é porque ele faz parte de um enredo de romance que ele não tem que trabalhar. Está na força analítica da observação.

É um romance curto, 132 páginas divididas em duas partes. Em tão pouco, ele mistura memória, mistério, ensaio e crítica cultural e artística. Tudo no ritmo ideal, sem alongamentos nem correrias. Final abrupto, mas é isso que surpreende, pois não deixa nada sem resposta - talvez a verdade do caso seja ambígua, mas esse era o objetivo, vocês entenderam o que eu quis dizer com "sem resposta", aquela sensação de "e..." que às vezes um livro deixa no leitor.

"Não houve gritos ou gestos para repelir-me, é importantíssimo frisar isso diante de ocorrências ulteriores. E se Inês, até então numa passividade quase desmaiada mas que eu podia tomar como receptiva por certos sinais em seu corpo, murmurou repetidamente nos últimos momentos: 'Oh, não; oh, não', não deveria isso ser interpretado como o seu contrário? Como um 'sim' de entrega dentro de um código amoroso?..." (p. 104)

A história tem uma carga erótica forte (o que é meio redundante de se anunciar em se tratando de um livro do Sérgio Sant'anna), eruditismo não tanto no linguajar (só em alguns momentos que podem soar mais pomposos) mas nas inúmeras referências artísticas, e consegue manter seu mistério até o fim. O título, Um crime delicado, não poderia ser mais exato. Tão delicado que quase passa despercebido e, mesmo depois do fim, não se sabe se foi crime ou não. Fica a cargo do leitor saber decidir se Antônio é vítima ou um criminoso carismático e verborrágico à Humbert Humbert (sem a pedofilia, só pra que fique claro). Um crime delicado realiza perfeitamente aquilo a que se propõe.

Nota: 5/5