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segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Eu no Enem







Primeiramente sim, eu fui fazer o Enem também seus escroques... Já fiz acho que cinco ou quatro vezes; não lembro agora, mas não importa. O que importa é que dessa vez, eu fiz realmente por fazer, e digo que, gostei do resultado. O local da prova que peguei foi perto da minha casa meia hora a pé oito minutos de ônibus (no trânsito normal do dia a dia). Eu sempre vou cedo para fazer qualquer coisa, tenho já os meus traumas de chegar atrasado em: entrevistas de emprego, encontros amorosos (época do MSN...bons e maus tempos) e festas. Separei o que iria levar para o derradeiro dia da prova. Uma caneta preta e eu. Na parada de ônibus tinha alguns conhecidos do bairro, não peguei nenhum ônibus lotado. Lembrei-me das outras vezes que fiz. Uma das vezes a mais traumática de todas, foi quando eu cheguei faltando sete minutos para fechar o portão. Nunca corri tanto na minha vida, me senti como o próprio filho do vento, ou como naquela cena do Clube da Luta, na qual Tyler Durden manda aquele carinha parecido com o Jiraya correr “corra, Forrest, corra!” Tipo isso. Cheguei pronto para ganhar o concurso da camiseta molhada, mas tava valendo o sacrifício. Voltemos para o Enem desse ano. Fui com a expectativa de achar alguém conhecido lá no colégio. Achei. Todas às vezes que fiz sempre havia mais de dois conhecidos. Como já estava safo de todas as regras do Enem, cheguei e fiquei lá de bobeira vendo muitos gatos pingados suarem sobre o sol de duzentos e cinquenta graus de Fortaleza. Outras pessoas chegavam e já iam para sala. Algumas ficavam pelos arredores, comiam alguma coisa compravam água, caneta... etc. Minha primeira impressão é de perceber o quão as pessoas ficam tensas por conta dessa prova (claro né). Tinha um garoto de dezessete anos (eu acho) que estava branco, suando como se não houvesse amanhã, e com um tique nervoso elevado na décima potência. Um pai consolava o filho dizendo que ia dar tudo certo, uma filha pegava dicas com o irmão, e eu pela primeira vez estava como um fotógrafo do National Geographic apenas captando os momentos.


Finalmente entrei na sala depois de uma hora e meia esperando. Entrei faltavam vinte minutos para fecharem o portão. Meu primeiro movimento foi escolher um bom lugar para sentar. O ar condicionado tava até o talo de frio. Peguei uma cadeira que ficasse debaixo dele. A sala em que fiz a prova era minúscula. As cadeiras eram de plástico. Já fiz em cadeiras bem piores, uma até que o braço ficava saindo às vezes. Uma das minhas primeiras raivas foi descobrir que o Enem agora espera meia hora para entregar as provas depois do fechamento do portão. Lembro de esperar cinco minutos, mas era por causa da explicação. Essa meia hora é de silêncio pleno. Mais tempo, mais nervosismo para o bem de todos, mais exaustão, mais vácuo. Uma das máximas do Enem: “trata-se de uma prova de resistência e conhecimento” aaaaaaahhhhhhh...então quer dizer que agora o Enem nos leva para as olimpíadas do rio 2016 também. Legal. Não tiro o mérito para quem estuda e está preparado para os dois dias de prova. Penso apenas se isso é necessário. Além de ter que estudar coisas para as quais sei que sou burro para caralhous (saudades vestibular, saudades das provas especificas), ainda tenho que seguir a dieta do Enem, manter o corpo em equilíbrio com a mente, assistir os vídeos da Jane Fonda etc. etc. 

Vamos às figuras da minha sala. Tinha um cara que era a cara do rei do crime. Outro que marcou caderno rosa antes de entregarem a prova, com certeza ele imaginou “ora se o gabarito é rosa, então, o caderno é rosa é claro”. Um cara levou um piquenique para fazer a prova. Tinha um que fez a prova de caneta azul. O melhor de todos era um cara que espirrava e assobiava ao mesmo tempo. PORRA. Era tipo a piada de assobiar e chupar cana versão Enem. Terminei rápido, voltei rápido. Percebi finalmente ali que eu sou das humanas. É isso, me desculpem Fermat e Ramanujan. Todas as questões de exatas, pois chutei sem hesitar. No fim, lembrei das outras vezes que fiz. Ônibus lotados na ida e na volta, frio, calor, sede. Me sentia como num episódio do The Walking Dead, mas parece que as coisas tendem a se dificultar de acordo com o seu nível de preocupação. Foi isso. Espero que eu não magoe ninguém com essa crônica, onde brinquei com algo tão sério que é o Enem. Ok então produção pode publicar.




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