Páginas

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

O amor de uma boa mulher- Alice Munro


O livro é composto por oito contos e todos, de uma forma ou de outra, prosam sobre o papel da mulher na sociedade.
O primeiro conto é o que dá título ao livro, "O amor de uma boa mulher". Ele começa com uma informação aparentemente aleatória, a de que um museu preserva uma caixa de instrumentos de optometria, importante porque pertenceu a um médico que se afogou no rio. Logo após, a autora começa a nos dar mais informações. Aparece três garotos que descobrem o carro do optometrista afogado no rio e eles voltam para casa a fim de contarem sobre sua descoberta, então a autora destrincha a vida de cada um deles e nos faz conhecer como eles se relacionam com seus familiares e com as pessoas que os cercam, feito isso, a autora interrompe e parte para outra narração aparentemente sem ligação alguma com a primeira. Uma enfermeira cuida de uma paciente muito doente, que antes de morrer lhe revela um segredo envolvendo a morte do optometrista e assim, quando menos esperamos, as três histórias se entrecruzam e é genial.

Os contos que se seguem "Jacarta", "A ilha de cortes", "Salve o ceifador", "As crianças ficam","Podre de rica", "Antes da mudança" e "O sonho de mamãe", falam sobre traição, relacionamento entre pais e filhos, casamento, aborto e é surpreendente porque as histórias se passam ma década de 50 mas vemos que em alguns aspectos não evoluímos tanto a ponto de não termos nenhuma relação com aquele passado. Este último foi o que mais mexeu comigo. Ele é narrado por um bebê e achei fantástico como Munro construiu uma narrativa que prende o leitor da primeira palavra à última. Jill era casada com um piloto da Força Aérea que morreu na guerra quando ela estava grávida. Ela se viu sem alternativas a não ser passar a morar com a familia de seu marido, que consistia na mãe e as irmãs Ailsa e Iona. Quando a criança nasceu, Jill teve muita dificuldade em cuidar dela porque ela simplesmente não aceitava a mãe, só aceitava que Iona a alimentasse, mudando assim, toda a sua rotina. Quando Iona precisa se ausentar e Jill fica sozinha com seu filho, o bebê não para de chorar um minuto e a mãe não sabe o que fazer, tomada pelo desespero, dá remédio para a criança e ambas caem no sono, só despertando quando Iona volta, mas esta faz um escândalo porque acha que a criança está morta. É, de certo modo, agoniante acompanhar a narrativa, só pude respirar quando cheguei no último ponto final.
São histórias do cotidiano, mas a autora expõe de uma forma que até as coisas mais simples tomam proporções inimagináveis. É preciso ler disposto a se encantar, a se chocar e a se surpreender.

Alice Munro foi a décima terceira mulher a ganhar o Nobel. Ela ganhou em 2013, surpreendo porque foi a primeira vez que um autor só de contos ganhou o prêmio.  

No Brasil, temos seus livros pela Companhia das Letras: "Fugitiva" (2006), "Felicidade demais" (2010), "Vida querida" (2013) e "O amor de uma boa mulher" (2013). E pela Globo livros: "Ódio, amizade, namoro, amor, casamento" (2004).

5 comentários:

  1. Oieee
    Caraa eu amp Contos *0* Ler e escrever. Não conhecia esse livro, mas curti muito irei procurar para comprar e mais sobre a autora ;p
    Beijinhos Screepeer
    http://screepeer.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  2. Oi, Maria.
    Eu ainda não conhecia esse livro. Não sou muito de ler livros de contos, mas achei esse interessante, principalmente por ter um narrado por um bebê, coisa que nunca vi hehe.

    Blog Prefácio

    ResponderExcluir
  3. Ola! Tudo bem?
    Ainda nao li nada dessa escritora mais tenho ganas. A ver si podo facelo pronto.
    Gostei muito da sua resenha.
    Beijos e boas leituras! :)
    http://abracalibro.blogspot.com.es

    ResponderExcluir
  4. Oi Maria!
    Não conhecia esse livro, mas parece ser muito bom!
    Fiquei curiosa para saber como seria um conto narrado por um bebê...

    Beijos,
    Sora - Meu Jardim de Livros

    ResponderExcluir
  5. Apesar da autora ser conhecida internacionalmente, confesso que eu ainda não conhecia a obra. Como gosto de contos e acredito que gostaria da premissa desses, vou querer conferir.

    Desbrava(dores) de livros - Participe do nosso top comentarista de setembro. Serão dois vencedores.

    ResponderExcluir

caixa do afeto e da hostilidade