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sábado, 8 de dezembro de 2012

Sobre a Música - parte 2 (Hora da História com o Tio Rapha)

Onde foi que eu parei da última vez mesmo? Estava falando alguma coisa sobre o rock psicodélico, década de 60, verão do amor e como essa forma de pensar e formar sociedade, dos hippies, me influenciou na adolescência, certo? Deve de ter sido alguma coisa assim... Hoje eu vou variar os gêneros, falar sobre o que aconteceu depois e, quem sabe se der tempo, fazer algumas críticas, pois é isso que eu faço de melhor nessa vida - reclamar.
A transição do Heavy Metal moderno para o rock de 60 fez com que eu mudasse por completo minha visão sobre música. Antes eu me importava com a parte técnica do negócio, o que, em retrospecto, parece bastante ridículo, considerando que meu conhecimento técnico sobre música é mínimo. De qualquer forma, me interessava por quantas notas um guitarrista conseguia enfiar em seu solo, por segundo; por quanto tempo a música durava; mudanças abruptas de ritmo; alcançe vocal e afinação do vocalista; enfim, toda essa bobagem pretensiosa que não significa porra nenhuma. Os hippies me ensinaram que tudo isso pode ir à merda, basta se importar com o conteúdo de sua música e deixar a coisa levar. Jimi Hendrix era um gênio, mas o próprio admitia cometer erros graves, técnicamente falando, em seus shows. Mas agora você, caro leitor, me diga se é perceptível, ou melhor se realmente importa. Feche os olhos e tente se isolar do resto do mundo ouvindo um disco ao vivo do Hendrix e me diga se existe, no rock, coisa mais perfeita. Janis Joplin desafinava, Grace Slick desafinava, Bob Dylan nunca acertou um tom na vida, mesmo assim, são as melhores vozes do gênero. Eram simples, eram puros, mas se importavam com a música, com a arte da coisa. É esse "se importar" que realmente me interessa. Bandas como Spirit, Grateful Dead, o músico Frank Zappa, Tomorrow, atingiram um sucesso comercial mínimo durante suas carreiras, mas em nenhum momento adaptaram suas composições para deixar mais agradável para o ouvinte. Faziam o que queriam e isso simplismente não existe mais em nossa indústria musical. Talvez com exceção de Black Crowes (pelo menos nos últimos discos), Siena Root, Baby Woodrose, Weird Owl e coisas assim, mas quem é que ouviu falar desses caras?

Creio que isso é coisa de época esse "se importar". Antes fazia parte da música, era inseparável, era o fator que a garantia o título de arte. Com certeza deve ter existido algum compositor barroco que adaptava suas composições conforme o desejo do rei, mas este se perdeu no tempo. Deve ter sido um grande sucesso na época, mas logo foi cansando e o substituíram por algum novo compositor, com a mesma falha de caráter, mas dessa vez com composições clássicas, ou talvez óperas. Os de verdade, aqueles que lançavam sua alma e sua mente nas notas, esses são ouvidos até hoje. Talvez os jovens mais ignorantes não saibam os nomes desses caras, mas com certeza já ouviram suas músicas.
E é partindo dessa ideia que eu começo minhas reclamações. Não sou desses que definem a qualidade de uma música partindo do gênero. Acho que todos têm seus representantes respeitáveis e todos têm os vergonhosos. Convenhamos, uma pessoas não gostar de sertanejo universitário, mas ouvir Poison, não é tão diferente assim, certo? Desculpe-me se te ofendi, mas é a verdade, ambas se venderam para o que estava na moda na época. Hoje são uns playboys de camisa polo apertada, cabelo espetado e bota de cowboy, falando sobre balada, bebida ruim e dinheiro; antes eram umas bonecas infláveis, com um penteado igual ao da sua mãe, vestindo só Krishna sabe o que, falando sobre cocaína, mulher fácil e bebida boa (até que os temas não eram ruins, mas a musicalidade era fraca...). O que eu quero dizer é que, assim como o sertanejo, o tão amado rock também ficou inteiramente pretensioso e se vendeu para qualquer coisa que desse algum dinheiro. Independentemente, o resultado é sempre o mesmo. Que fim levou Poison? O mesmo que levou Wham, Peter Frampton (perdão, ele tem seus méritos, mas I'm In You foi de foder a alma),  A-ha, o compositor que eu inventei que tocava para amansar o ego do rei e, logo logo, aquele vesgo afeminado e o cara parecido com o Neymar (quase todo mundo hoje dia) - o esquecimento.

Não existe gênero musical sagrado. Todos têm algum representante vergonhoso que merece o fim que recebe. A parte triste é que, coisa boa não falta, no entanto a maior parte das pessoas prefere a música ruim, dá valor e apoia a música ruim - até mesmo as pessoas que reclamam do funk e do sertanejo. O motivo disso é que os reclamões raramente se dão ao trabalho de caçar as coisas boas e perdem seu tempo ouvindo justamente aquilo que tanto dizem odiar. Tal qual o cretino que fala mal do Faustão todo o Domingo, enquanto assiste as Cassetadas (ainda existe isso?).

Eu me perdi legal nessa porra... O objetivo era falar um pouco sobre a parte boa do rock, que eu não cobri no texto anterior, e partir para o jazz e o blues, mas eu já escrevi demais nesse texto, que era pra ter sido postado aqui ontem. Acho que o objetivo disso tudo foi dizer: não reclame, procure qualquer coisa que te agrada. Exceto que aquilo que não te agrada lhe esteja sendo imposto, então você reclama, mas em qualquer outra circunstância - cale a boca e vá à caça (ou à merda, tanto faz pra mim)!

Mais alguns exemplos das bandas citadas hoje, premiando você que leu essa porra até o fim (ou simplesmente correu com o mouse para o fim do texto), em especial pra quem diz que não tem nada bom na música atual:







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