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sábado, 11 de abril de 2015

Um ócio para chamar de seu



Não existe nada tão precioso quanto o ócio, pois é no ócio que criamos a nossa maior virtude linguística: o silêncio (o nada). Digo isso por que o ser humano é um “animal social” com toda sua inquietude sobre sua existência, diferente de um gato que têm como oficio principal lecionar o ócio; o ser humano nunca foi tão preocupado em não ter nada o que fazer. Eu choro quando uma pessoa diz que não consegue ficar sem fazer nada, mas por quê? “Cabeça vazia é oficina do Diabo”, então, tenho que dizer que o Diabo não é o pai do Rock’n roll atoa. Eu não me vejo sem meu ócio. O ócio é a única forma de me sentir em liberdade plena. O ócio é minha filosofia mais bem paga. O ócio é minha amante ruiva. O ócio valoriza uma cagada no banheiro. Só consegue aproveitar a vida aquele que sabe o que é ter um ócio pra chamar de seu. Nada de assistir filme ou ler um livro, PARE, respire e, muito depois continue. O ato de “não fazer nada” é que mexe com o nosso criativo, aprendam jovens gafanhotos que é dali do “nada” que surgi a nossa matéria-prima. Infelizmente ninguém sabe disso, mas com o ser humano ficando cada vez mais “casmurro” o ócio é associado sempre a uma figura pessimista e, tenho que intervir nessa loucura social, o ócio não é nada disso que vocês estão pensando. Você precisa do ócio para chamar de seu. Não percam o ócio de vista tenha ele sempre em doses caprichadas, faça o favor, e coloque mais um pouco de “nada nas coisas” não perca o seu ócio de vista.

"O consumismo é criação do efêmero e, para superar isso o ser humano atribui um pedaço de papel equivalendo sua existência" 

Encontros e Caminhos

Existem certos momentos na vida que decidimos fazer certas escolhas que são por vezes inevitáveis, o mais correto a se fazer é decidir de vez o caminho que vai se seguir. Seguimos não o caminho que queremos, mas o caminho da sobrevivência. Minha mãe me perguntou o que iria fazer da minha vida. Falei: vou ser poeta.  “Poeta não ganha dinheiro você tem que ganhar dinheiro”. Ela disse. E isso me move até os dias de hoje e, talvez, para todo o sempre. No alto da minha ingenuidade corro, penso que isso ocorre porque de tudo você quer ser um pouco, querer escrever poemas; todos já escrevemos. A vida é um grande livro escrito por sons e pegadas dos movimentos urbanos e naturais de toda a fantasia, faz parte da sobrevivência humana a existência é produto do viscoso mistério que em tudo nela circunda. Escolher que caminho deve-se seguir em tempos como esse é encontrar-se na satisfação pessoal e financeira. O consumismo é criação do efêmero e, para superar isso o ser humano atribui um pedaço de papel equivalendo sua existência. Agradar o velho ego com mimos do puro conforto onde à procura está na sobrevivência destes poemas, destes sacos de confete. É ser você nos outros repetitivamente. Dessa vez não somos o que queremos ser: somos o desejo do produto anseio. Não importa qual seja a moeda de troca “o que importa é que já não importa” o que importa é existir. Isso é vicio. Vida que segue sem saber qual o verdadeiro lazer espiritual. O pedreiro chorará se não for construir seu mundo; tijolo por tijolo ele constrói sua existência. Da mesma forma o poeta, o cronista, o patrão; vão reinventando sua estadia na terra. Não é só para ganhar dinheiro é para ganhar algum sentido para essa vida.

Subirusdoistiozin

Não, não sou nenhum louco (ainda). Vou aparecer aqui de vez em quando escrevendo alguma coisa sobre a vida explicando o quanto a vida é chata, talvez, mas dependendo do dia/hora/mês/ano as crônicas que vou escrever podem ser a qualquer momento tipo propaganda da Jequit (ou seja, quando eu tiver tempo para publicar-las). Não chorem, mas chorei muito para o Raphael me aceitar no blog, ele me deu carta amarela para escrever sobre o que eu quiser, mas como eu prefiro evitar a fadiga escolhi escrever crônicas/anedotas/aforismos copiando quase sempre os grandes mestres do oficio: Paulo Mendes Campos, Rubem Braga, João do Rio, Martha Medeiros (por que não uma contemporânea) por que a crônica é livre como um pássaro preguiçoso, eu posso fazer uma resenha de alguma coisa sem ser “uma resenha” (sem atribuir uma nota) posso falar sobre a vida e como ela é chata, mas acima de tudo posso dar o meu ponto de vista (que é muito importante) sobre o mundo sem dar o meu ponto de vista sobre o mundo, entendeu? Então, sem mais asneiras eu sou Ernane de Sousa e espero ter agradado a todos vocês (ou você, solitário leitor). Não me levem tão a sério. Nos veremos logo em breve.  

quarta-feira, 18 de março de 2015

Quatro Estações [Different Seasons] - Stephen King (1982)


Estou convencido de que toda a carreira do Stephen King foi construída pelo fato de ele não ser tão ruim quanto inicialmente se imaginava. Pois é, eu li um Stephen King e, talvez por eu estar familiarizado com a obra do Raphael Draccon (tenho pesadelos até hoje por culpa desse cara), devo dizer que achei excelente.  Ah, antes que eu me esqueça, devo agradecer à Samara, ex-vendedora da livraria Catarinense aqui de Itajaí por ter me convencido a comprar esse livro. É pra isso que esses vendedores servem, para te mostrar experiências de leitura novas e inesperadas. Se eu quisesse comprar o que eu já conheço, na internet é mais barato. Fica aqui minha homenagem tardia e uma breve demonstração de gratidão. É possível que o nome dela volte a aparecer por aqui. Vocês não fazem ideia de quanta coisa ela me forçou a conhecer (até Breaking Bad, série contra a qual eu resistia, vi todas as temporadas em um mês depois de falar com ela). Mas vamos ao livro.

Quatro Estações é formado por quatro, bem, a editora chama de contos, mas não são bem contos. Toda a teoria que separa o conto, o romance e a novela é meio nebulosa. A edição americana diz que são novelas. Uma ou duas histórias me pareceram romances curtos. Vai ver que, considerando as proporções usuais dos livros do King (típicos tijolos), 110 páginas pode ser um conto, mesmo tendo mais de uma célula dramática. Mas nada disso importa, são histórias e devem ser tratadas como tal. Que as classificações fiquem para os acadêmicos - que por sua vez não encostam seus sábios dedos no King. Cada história é pareada com uma estação do ano, mesmo que o enredo em si não tenha assim muita relação real ou simbólica com a dita estação, mas isso é outra coisa que pode ser ignorada. Ele não é ruim, mas o leitor precisa dar uma força fechando os olhos pra certos detalhes.

A primeira história é a mais famosa. Rita Hayworth e a Redenção de Shawshank, que foi a base daquele filme que tem a maior nota no IMDB, Um Sonho de Liberdade (acho que só eu não vi esse filme, desculpa sociedade). Esse pode ser um caso raro de filme melhor que o livro. Vejam bem, a história é aquela dos dois prisioneiros, um deles acusado injustamente, tentando sobreviver e, quem sabe, sair, seja por tempo cumprido ou fuga. Claro que todo mundo na mente do Stephen King é filho da puta, então conflitos acontecem. Uma coisa é inegável, Stephen King pode estar longe de ser um escritor sofisticado - o próprio admite isso no posfácio, mas ele sabe prender o leitor. Ele tem essa linguagem simples sem ser idiota que é eficaz. O que mata essa história são as últimas 15 páginas. Não vou revelar o final, caso você seja a uma pessoa que ainda não sabe o que acontece, mas digamos que é um truque de mágica. Acontece um truque de mágica no clímax da história que poderia muito bem ser seguido de um ponto final, no entanto o autor decide explicar como se deu o truque, então a magia morre. Aquela velha história de "menos é mais". É possível dizer também que a carreira do King foi amaldiçoada por ignorar essa velha e batida máxima, tanto na literatura como no cinema.

Na segunda, O Aluno Inteligente, a coisa muda um pouco de figura. Esse também é filme, mas um que ninguém viu. Aqui temos um adolescente que descobre que é vizinho de um ex-soldado nazista. O pentelho chantageia o velho pra que ele conte histórias macabras do tempo dos campos de concentração. Essa é uma história interessante, lida com a capacidade do ser humano de fazer coisas horríveis e sentir prazer enquanto isso. Cheia de reviravoltas, mas mantendo respeito com o material (sem transformar o holocausto num thriller barato). Minha única crítica é que, não importa se o personagem é um adolescente, um prisioneiro, um soldado nazista, todos falam como Stephen King. Senti um problema grave de voz, ou falta dela, nessas primeiras duas histórias. As outras duas compensam nesse detalhe, mas é o que eu já falei, King não é cuidadoso nesse aspecto, nem parece sua intenção ser. A intenção é fazer o leitor chegar na última página, interessado durante o caminho todo, e isso o homem consegue. A transformação dos personagens é fascinante, e, grosseira que seja, a história consegue fazer uma análise pertinente da monstruosidade do homem. Pontos para o Sr. King aqui. (Vocês nunca imaginaram que iam ler isso aqui, né, leitores da minha velha guarda?)

A terceira é a melhor. Se você está na dúvida entre comprar ou não esse livro, compre nem que seja só por O Corpo. Essa é outra que todo mundo conhece, graças ao excelente Stand By Me (Conte Comigo), um dos meus filmes favoritos (num top 30 ele entraria), com River Phoenix, o ator que morreu cedo demais. Esperem por uma resenha comparando o livro com o filme num futuro próximo (o que pra mim significa até meados de 2017). Um grupo de amigos ficam sabendo de um corpo perdido no meio do mato e decidem ver, afinal é um cadáver, por que não ir lá olhar e cutucar com uma vara? Essa história soou tão pessoal, e se não me engano tem um quê de autobiográfica mesmo, que aquele problema que eu citei da voz some. Cada criança tem seu jeito particular e multidimensional. O filme ainda supera a história por ter sabido cortar coisas que o autor decidiu manter no texto, mas que são gordura. Não atrapalha, como em Shawshank, mas não ajuda. Ainda assim, gostei o suficiente da história para relevar qualquer defeito. Pode ser a nostalgia me cegando, não me importo.

Por último, O Método Respiratório, única história da coleção que não virou filme. Essa é mais o que se espera do King, cheia de aspectos sobrenaturais. Não chega a ser uma história de terror, mas a vontade de que seja está lá. A histórica começa num clube no qual um senhor se encontra com outros senhores para beber, conversar e, todo natal, contar histórias. Naquele natal, um médico aposentado veio contar a história de uma jovem que apareceu em seu consultório na década de 1930. A moça engravidou e estava decidida a criar a criança sozinha, já que o pai meteu o pé. Ao contrário do normal daquela época, o doutor oferece todo tipo de ajuda à garota. O sobrenatural está no fim e eu não pretendo falar do fim aqui. Também circula algo de estranho no clube, mas isso fica pra imaginação do leitor.

Esse livro veio de um esforço do Stephen King para provar que ele não é só um autor de terror e devo dizer que, apesar da minha descrença inicial, ele conseguiu o que queria. Não vai mudar sua vida, mas Quatro Estações vai te proporcionar um bom momento de leitura. Tem falhas, mas não tantas. A tradução me decepcionou um pouco. Até fiz uma pesquisa rápida sobre a tradutora e não achei mais nenhum trabalho dela, o que não me surpreende. Não chega a danificar o livro, mas, se você for um daqueles leitores chatos, vai te distrair. Todo leitor uma hora ou outra tem que se render a pelo menos um livro do King (o cara escreveu quase 60, porra, e ele tem 67 anos), então que seja esse. Admito que lerei outro dele um dia desses. Não sei qual ou quando, mas vai acontecer.

Dessa vez vou dividir a nota por cada história e fazer a média, é o que me parece mais justo.
Rita Hayworth e a redenção de Shawshank: 3/5
O aluno inteligente: 3,5/5
O corpo: 5/5
Método respiratório: 3,5/5
Total: 3,75, que eu arredondo de bom grado pra um sólido 4/5.

segunda-feira, 2 de março de 2015

Poema 73

quando saí foi em busca de alguma coisa,
sei lá eu, uma nova musa, uma foda, o que viesse.
pode ser que seja essa blusa regata cinza
com essa logo do bar estampada no peito e
esses shorts jeans azuis e essa alça preta do sutiã exposta
e esse seu ar inocente? tem muito pouco de inocência e
de certeza não me ajudam a pensar.
se estou bêbado ou apaixonado já não diferencio
e sei bem dessa minha loucura e hábito de me apaixonar fácil,
mas tu puxa esses shorts pra cima e pra baixo e,
caralho, queria trocar de mãos com as tuas.
já te sou grato,
estava seco há meses das poesias, tanto
que me sentia um cara feliz, quase.
aqui estou, caneta e caderno,
ao som de um medley hispânico de Cypress Hill
que eu preferia não estar ouvindo

admirando teu rabo distante e nele achando silêncio e paz,
sonhando aquelas minhas obscenidades favoritas.

termino meu uísque e te peço outro
só pra que tu me inspire com seu sorriso
e, se eu for digno de tanto, outro sorriso
quando você vier me entregar outro copo cheio.
ah! como eu quero ser poeta maldito.
sua visão, meu paraíso, me é de grande auxílio,
minha garota de Ipanema aqui da decadente,
ó tão decadente,
mas pra mim tão amada e que um dia tornarei cult,
Hercílio Luz, Itajaí.
pois, por ti e tantas outras,
adoto essa cidade como minha.


Obs.: Por algum motivo diabólico o arquivo onde guardava todas minhas poesias sumiu do Google Drive. Nem tudo está perdido, não comemorem ainda, tenho algumas coisas no HD do computador, outras numa caderneta e, por sorte ou azar, não tenho produzido tanto em se tratando de poesia, então tudo que importa já está no blog. Só espero que não suma daqui também. Pode muito bem ter sido culpa minha esse sumiço, que inclui outros textos além das poesias, mas não faço ideia do que eu fiz ou de como recuperar. É a vida, eu acho. Coisas somem.

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Chinua Achebe


Chinua Achebe nasceu em 1930, em Ogidi, sudeste da Nigéria. Seu nome completo é Albert Chinualumogu Achebe,  mas na universidade renegou seu nome britânico, Albert, para adotar seu nome indiano, abreviado, Chinua. Filho de pais cristãos evangélicos, sendo o pai professor de uma escola missionária. Recebeu sua educação em inglês,  mas nunca se afastou da cultura igbo, a qual pertencia etnicamente.
Em 1944, ingressou na Universidade de Ibadan, onde estudou Medicina, Teologia, História e Língua e Literatura Inglesas, obtendo seu diploma em 1953.
Escreveu sempre em língua inglesa, mas nunca deixou de incorporar vocábulos e narrativas igbo. Se tornou um grande narrador do colonialismo europeu na África, tendo como algo marcante em sua literatura, a facilidade de transformar em escrita o que antes fazia parte da tradição oral.


Em 1958, publicou o livro Things Fall A Part (publicado no Brasil pela Companhia das Letras, como O Mundo Se Despedaça), que causou um impacto muito grande, sendo um doa livros mais lidos do século XX. Para se ter ideia, é leitura obrigatória nas escolas da África e é estudado em muitos países de língua inglesa.
Este livro retrata bem componentes da cultura africana antes da intervenção do colonizador: a divisão por tribos, a presença dos ancestrais, a hierarquização dentro da família. No livro, temos em Okonkwo, uma síntese do homem africano antes da colonização: um bravo guerreiro, que possui três mulheres e muitos filhos, sempre em busca de prosperidade e respeito. Quando o homem branco chega, Okonkwo vê o mundo se desmoronar na sua frente, literalmente, quando pessoas próximas a ele, aderem a nova crença trazida.

Em 1960, o autor publicou Longer At Ease e em 1964, Arrow Of God, publicados no Brasil pela Companhia das Letras como A Paz Dura Pouco e A Flecha de Deus, respectivamente.

Em seu extenso currículo encontramos o cargo de professor universitário em maior destaque.
Vítima de um acidente de carro em 1990, o autor passou a andar de cadeira de rodas. Ficou sem escrever por muito tempo, mas continuou dando aulas. 
Veio a falecer aos 82 anos, nos Estados Unidos, onde residia com sua mulher e seus quatro filhos.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Minhas previsões para o Oscar 2015


Chegou aquela época do ano em que todo blogueiro que normalmente não vê nada além de blockbuster se torna um cinéfilo experiente, a temporada das premiações, a principal dela sendo o Oscar. Ano passado fiz meus chutes minhas análises profundas e embasadas. Podem ver aqui, não me saí tão mal. Agora repito o papel de profeta do apocalipse, mostrando a lista de candidatos pra vocês e dizendo o ganhador. Afinal, eu sou um especialista (vocês nunca viram minha cara, mas eu uso óculos, então acreditem, eu sei do que eu falo). De novo, não vou falar de curtas e de documentários porque seria forçar a barra.

Melhor filme (porque aqui não é que nem a cerimônia de verdade. Aqui a gente começa pelo que importa)
Nomeados:

American Sniper
Birdman or (The Unexpected Virtue of Ignorance)
Boyhood
The Grand Budapest Hotel
The Imitation Game
Selma
The Theory of Everything
Whiplash

Por preguiça Para dar credibilidade às previsões, vi apenas dois dos filmes listados. Achei a lista mais chata do que o normal, cheia de filmes históricos, biografias e aquele filme de propaganda de guerra do Clint Eastwood. Boyhood é, aparentemente, o favorito, só pelo tamanho da produção (foram 12 anos em preparo e toda essa história que todo mundo já falou sobre), mas, pelo que eu ouvi, o resultado é pouco acima da média. Gostei de Hotel Budapeste, tem mais substância que o resto da filmografia do Wes Anderson, falando com sutileza dos efeitos da Segunda Guerra na Europa, mas acho que o Wes é um daqueles destinados a não ganhar nunca. Meu favorito é Birdman. Difícil...difícil. Eu não ia, mas vou com meu instinto e digo que o prêmio vai pra Birdman. A crítica foi bem universal na recepção dele, e o filme em si vai muito além de um artifício. Decidido: Birdman.


Melhor Diretor

Wes Anderson - The Grand Budapest Hotel
Alejandro González Iñarritu - Birdman...
Richard Linklater - Boyhood
Bennett Miller - Foxcatcher
Morten Tyldum - The Imitation Game

Mesma dúvida do primeiro. Wes Anderson, por mais que o filme tenha mais substância, ainda é o mesmo cara da simetria e das cores que todo mundo já viu e todo mundo ou aprendeu a amar ou já está de saco cheio. Estou pulando essas biografias porque todo mundo já cansou dessas iscas de Oscar, né? Os peixes não estão mais mordendo, desculpem. Ficam os dois, Iñarritu e Linklater. Iñarritu teve que medir os passos dos atores para conseguir fazer que tudo parecesse um corte só. Isso é muito mais trabalho que reunir uns amigos pra filmar um sem número de vezes durante 12 anos. Desculpa Linklater, mas eu não me impressionei tanto. Meu voto: Iñarritu.

Melhor Ator

Steve Carell - Foxcatcher
Bradley Cooper - American Sniper
Benedict Cumberbatch - The Imitation Game
Michael Keaton - Birdman
Eddie Redmayne - The Theory of Everything

Aqui a coisa muda de figura. Digo, foi bom ver o Keaton mostrando que é bom ator de novo. Mas o papel dele em Birdman foi quase autobiográfico, nenhum grande esforço aqui. Interpretar o Stephen Hawking, mesmo em um filme considerado em geral medíocre, é difícil. Não vi A Teoria de Tudo, mas o que dizem por aí é que ele carregou o filme nas costas, e eu acredito. Não tem como fazer uma interpretação mediana de alguém que sofre de esclerose lateral amiotrófica sem que ninguém perceba. Meu veredicto: Eddie Redmayne.



Melhor Atriz

Marion Cotillard - Deux Jours, Une Nuit
Felicity Jones - The Theory of Everything
Julianne Moore - Still Alice
Rosamund Pike - Gone Girl
Reese Witherspoon - Wild

Meu voto normalmente iria pra Marion Cotillard, só porque eu votaria nela pra qualquer coisa por qualquer motivo, mas eu preciso lembrar do que aconteceu em 2013? A Emmanuelle Riva, atriz lendária do cinema francês em o que pode ter sido o seu melhor papel em 56 anos de carreira, perdeu pra Jennifer Lawrence, que tudo que fez foi gritar bastante. Eu sinceramente não sei, não vi nenhum desses filmes. Dizem que Gone Girl é ótimo, mas é um suspense, e a Academia não costuma gostar desses. Wild parece inspirador o bastante, mas o final é feliz, então não vai ganhar. Still Alice é sobre Alzheimer...O parecer dos críticos foi que Julianne Moore salvou o que seria, do contrário, um filme medíocre, então, por questões de simetria e consistência, meu voto vai pra ela.

Melhor Ator Coadjuvante

Robert Duvall - The Judge
Ethan Hawke - Boyhood
Edward Norton - Bridman
Mark Ruffalo - Foxcatcher
J. K. Simmons - Whiplash



Dizem que o papel do J. K. Simmons em Whiplash é muito bom. Vi bastante gente que detesta o Ethan Hawke mudar de ideia por causa de Boyhood. Mas Edward Norton tá muito bem em Birdman, tão bom quanto o Michael Keaton. Vai pro Edward Norton.


Melhor Atriz Coadjuvante

Patricia Arquette - Boyhood
Laura Dern - Wild
Keira Knightley - The Imitation Game
Emma Stone - Birdman
Meryl Streep - Into the Woods.

Emma Stone é uma coisinha, sério, que nem a Marion Cotillard, votaria nela pra qualquer coisa. Mas ela não caiu nas graças da Academia do jeito que a Jennifer Lawrence caiu, e o papel dela é muito pequeno e fragmentado, embora bem interessante. Eu não sei por que eles continuam fazendo isso com a Meryl Streep, todo mundo sabe que ela não vai ganhar. Acho que é só pro apresentador ter aquela piada pronta. Perdeu a graça, mesmo. Por eliminação, Patricia Arquette é minha escolha. Até porque eu não posso dar todos os prêmios à Birdman, por mais que eu queira.

Melhor Roteiro Original

Birdman - Alejandro González Iñarritu et al.
Boyhood - Richard Linklater
Foxcatcher - E. Max Frye e Dan Futterman
The Grand Budapest Hotel - Wes Anderson e Hugo Guinness
Nightcrawler - Dan Gilroy

Boyhood, grande feito que seja, não tem um roteiro fora do normal, então já elimino de cara. Não sei o que Grand Budapest tá fazendo aí se foi baseado nos textos do Stefan Zweig, talvez não tenha se baseado em um específico e isso não seja suficiente pra considerar como adaptação. Se assim for, o roteiro é muito bom, brincando até com camadas (garota lendo um livro - autor contando como fez o livro - autor falando como conheceu o dono do hotel - dono do hotel contando história - autor finalizando história - autor terminando de dizer como fez o livro - garota fechando o livro), então a estrutura da narrativa é muito interessante. Iñarritu também faz um jogo com gêneros e montagem muito bom, sem falar que o texto tem que ter ritmo pra se encaixar no relógio da edição. Nightcrawler parece muito original, apesar de eu não ter tido a oportunidade de ver. Não é anormal o prêmio de melhor roteiro ir para alguém que não ganhou nenhum dos outros prêmios principais (vide Tarantino), mesmo assim vou arriscar Iñarritu. Que fique claro que essa é a categoria que me gerou maior conflito interno.


Melhor Roteiro Adaptado

American Sniper - Jason Hall
The Imitation Game - Graham Moore
Inherent Vice - Paul Thomas Anderson
The Theory of Everything - Anthony McCarten
Whiplash - Damien Chazelle

Hmm, difícil ser imparcial aqui, considerando que uma adaptação de algo tão ambicioso e confuso como um livro do Thomas Pynchon só pode ser premiável, e a reputação do Paul Thomas Anderson acende minhas expectativas. Estou tentando a chutar Whiplash ou O Jogo da Imitação, pela falta de prêmios para esses dois. Principalmente porque Whiplash não veio de um livro, mas de um curta do próprio diretor. É, outro conflito interno aqui...vai O Jogo da Imitação, não ganhou nada ainda e acho difícil esse filme passar sem prêmios.

Melhor Animação

Big Hero 6 - Don Hall et al.
The Boxtrolls - Anthoni Stacchi et al.
How to Train Your Dragon 2 - Dean Deblois e Bonnie Arnold
Song of the Sea - Tomm Moore e Paul Young
Kaguya-hime no Monogatari - Isao Takahata

É raro esse prêmio ir pra um estrangeiro, mas nenhum desses nomes me chamou atenção. Tudo me parece mais do mesmo aqui, com exceção dessa animação japonesa aí. Da última vez tive a mesma impressão, mas me rendi e votei em Frozen. Não dessa vez, meu voto vai pra Kaguya-hime no Monogatari - vocês ouviram aqui primeiro, se eu acertar, quero ser considerado profeta.


Melhor Filme de Língua Estrangeira

Ida - Pawel Pawlikowski
Leviafan - Andrey Zvyagintsev
Mandariinid - Zaza Urushadze
Timbuktu - Abderrahmane Sissako
Relatos Salvajes - Damián Szifrón

Tenho uma técnica pra escolher o ganhador dessa categoria. Sempre identifico o favorito e vou com o segundo colocado. Faço isso há anos, sempre acerto. O favorito esse ano acho que é Leviatã, porque o diretor é o mais reconhecido. O segundo...a Argentina tem um bom histórico cinematográfico, mas aparentemente Relatos Selvagens tem toques de comédia, a Academia não gosta disso. Tangerinas é o que está levando mais prêmios. Decidido, meu voto vai pra: Mandariinid.

Melhor Cinematografia

Nomeados:
Birdman - Emmanuel Lubezki
The Grand Budapest Hotel - Robert Yeoman
Ida - Lukasz Zal e Ryszard Lenczewski
Mr. Turner - Dick Pope
Unbroken - Roger Deakings

Se tem uma coisa que um filme do Wes Anderson tem é boa fotografia. É provável que Ida tenha uma cinematografia mais interessante, mas filmes estrangeiros podem ser eliminados quase imediatamente dos prêmios gerais. Vai pra O Grande Hotel Budapeste.


Melhor Edição

Nomeados:
American Sniper - Joel Cox e Gary D. Roach
Boyhood - Sandra Adair
The Grand Budapest Hotel - Barney Pilling
The Imitation Game - William Goldenberg
Whiplash - Tom Cross

Uai, nada de Birdman com toda a coisa de parecer um corte só? Eita, facilita meu trabalho. Boyhood. 12 anos de produção e filmagem, sem discussão aqui. Próximo!

Melhor Design de Produção

Nomeados:
The Grand Budapest Hotel - Adam Stockhausen e Anna Pinnock
The Imitation Game - Maria Djurkovic e Tatiana Macdonald
Interstellar - Nathan Crowley e Gary Fettis
Into the Woods - Dennis Gassner e Anna Pinnock
Mr. Turner - Suzie Davies e Charlotte Watts

Ano passado eu não sabia o que isso era. Esse ano eu ainda não sei. Estou tentado a chutar Interstellar porque, bom ou ruim, é uma puta produção, mas não foi indicado pra mais nada, então o melhor é descartar. É, acho que vai pra O Grande Hotel Budapeste, pronto. Não me importo o suficiente pra elaborar.


Melhor Figurino

Nomeados:
The Grand Budapest Hotel - Milena Canonero
Inherent Vice - Mark Bridges
Into the Woods - Colleen Atwood
Maleficent - Anna B. Sheppard
Mr. Turner - Jacqueline Durran

Parafraseando meu chute do ano passado: não faço ideia. Hotel Budapeste, porque foda-se.

Melhor Maquiagem

Nomeados:
Foxcatcher - Bll Corso e Dennis Liddiard
The Grand Budapest Hotel - Frances Hannon e Mark Coulier
Guardians of the Galaxy - Elizabeth Yianni-Georgiou e David White

Gostei de Guardiões da Galáxia, mas não acho que tenha chances. Hotel Budapeste de novo.


Melhor Trilha Sonora

Nomeados:
The Grand Budapest Hotel - Alexandre Desplat
The Imitation Hame - Alexandre Desplat
Intestellar - Hans Zimmer
Mr. Turner - Fary Yershon
The Theory of Everything - Jóhann Jóhannsson

Posso chutar que vai pra esse tal de Alexandre Desplat? É trapaça, mas é uma questão de números. Acho que todo mundo já cansou do Hans Zimmer e eu não sei nada dos outros caras. Hmm...tá, eu vou escolher um: O Grande Hotel Budapeste.

Melhor Canção Original

Nomeados:
Everything is Awesome de The Lego Movie - Shawn Patterson
Glory de Selma - John Legend
Grateful de Beyond the Lights - Diane Warren
I'm Not Gonna Miss You de Glen Campbell: I'll Be Me - Glen
Lost Stars de Begin Again - Gregg Alexander e Danielle Brisebois

Olha, eu vi o "Filme do Lego" e a música era meio que um símbolo do ridículo da sociedade automatizada, então não sei porque tá concorrendo, quer dizer, a composição tem 6 palavras no máximo. Vai pra Selma, porque o John Legend é um bom compositor e Selma precisa de um prêmio pelo menos.


Melhor Mixagem de Som

Nomeados:
American Sniper - John Reitz et al.
Birdman - Jon Taylor et al.
Interstellar - Gary A. Rizzo et al.
Unbroken - Jon Taylor et al.
Whiplash - Craig Mann et al.

Vou dizer Whiplash. E não só porque eu não quero que American Sniper ganhe qualquer coisa. Mas porque um filme de música depende de mixagem de som. Do contrário, por melhor que o ator seja, a interpretação de "tocar o instrumento" não fica convincente. Se tem um filme dessa lista que depende de um som bem mixado é Whiplash.

Melhor Edição de Som

Nomeados:
American Sniper - ninguém liga
Birdman - sério, ninguém sabe quem são essas pessoas
The Hobbit: The Battle of... - me recuso a digitar
Interstellar - quase uma hora fazendo esse post
Unbroken - foda-se

Então, em Birdman tem uma cena em que o Michael Keaton dá um tapa na porta no mesmo momento em que, na trilha sonora, ouve-se o som de um prato de bateria batendo. Edição perfeita. Birdman leva o Oscar.


Melhores Efeitos Visuais

Nomeados:
Captain America: The Winter Soldier - não vou repetir a piada
Dawn of the Planet of the Apes - da categoria anterior
Guardians of the Galaxy - mas vou omitir
Interstellar - os responsáveis
X-Men: Days of Future Past - por questão de brevidade

Interstellar. Porque é o único da lista que a Academia respeita.

Vejamos quantas eu acerto. Minhas escolhas podem parecer arbitrárias, mas a verdade é que eu me esforço ao máximo para imitar o estilo da Academia quando formulo essas previsões. Tem categorias que eu posso jurar que eles só tiram um nome de dentro de um chapéu pra definir o ganhador.