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segunda-feira, 29 de abril de 2013

Aniversário de 1 Ano do Delirando e Escrevendo

É isso mesmo pessoal, este blog teve sua primeira postagem no dia 29/4/2012 e, portanto, está completando um ano de idade. Puta que o pariu! Eu não fazia ideia de que eu ia chegar tão longe, mesmo o blog não tendo crescido muito. Eu ia colocar uma imagem pra enfeitar o post, mas todas as fotos relacionadas a aniversário, principalmente de um ano, são muito entusiasmadas e bonitinhas e isso não é meu estilo, por isso ficaremos sem foto. Eu acho que eu tenho que agradecer às quarenta e poucas pessoas que seguem essa bagunça e, ainda mais, ao punhado de gente que comenta nisso aqui regularmente - talvez esse blog não chegasse a essa idade se não fosse por vocês (tá bom, possivelmente chegaria, mas eu vou dar a vocês esse crédito).

Então, um ano, o que é que eu faço? Pensei nas diversas possibilidades...A maior parte dos blogs faz promoção, mas eu já disse várias vezes que essa porra não é instituição de caridade, então, se tu estiver aqui pra ganhar coisa de graça, pode ir tomar no cu, porque eu não dou a mínima. Pensei em fazer uma resenha diferente, mas todas as minhas resenhas são diferentes. Pensei em fazer vídeo, mas...não vou fazer nenhum vídeo. Libero o capítulo 6 do meu livro...essa porra não é instituição de caridade, caralho! A última coisa que sobrou foi seguir o caminho egocêntrico e preparar um Top 6 dos meus autores, cineastas e músicos favoritos. Isso mesmo, não são livros, filmes e discos, porque isso seria muito difícil, nem Top 5, porque isso é o que todo mundo faz e eu não faço o que todo mundo faz; eu faço o que eu faço. Lembrando que a lista envolve todos os gêneros, épocas e nacionalidades de artistas e não se trata de uma lista de melhores, mas de que mais me influenciaram e acabaram se tornando minha preferência. A ordem definida na lista tampouco indica superioridade, servindo apenas para contagem.


Top 6 Autores

1 - Ernest Hemingway


Já falei várias vezes, ele é meu favorito, seus livros são geniais e eu não me canso de lê-lo, simples assim. Hemingway tem um jeito tão interessante de escrever que, mesmo tratando de temas como pescaria, touradas, caça e boxe - coisas que nunca me interessaram -e ele ainda conseguiu me prender com a leitura e até me fazer mudar de opinião quanto a essas coisas. Na dúvida, quando eu não sei o que ler, leio Hemingway.

2 - Haruki Murakami

Sabe esses escritores que, depois de ler um livro, você quer ler a bibliografia toda do cara? Então, ele é um desses. Li Minha Querida Sputnik e saí correndo atrás do resto imediatamente, o resultado você vê nas várias resenhas que eu já fiz de livros dele. Ele é um desses que, você sabe que não está entre os melhores, mas que têm algo de pessoal que é difícil de explicar. Sugiro que leiam qualquer coisa dele e entendam o que eu quero dizer, tenho certeza que o resultado vai ser o mesmo com vocês.

3 - Richard Yates

Nenhum autor escreveu tragédias modernas tão bem quanto esse cara. Me surpreendi quando li o primeiro livro dele e quero ler tudo que ele já fez um dia, quem sabe até traduzir uma obra dele (plano muito futuro...)

4 - Milan Kundera

Falando em tragédia, Milan Kundera é outro, que une a tragédia da existência, com filosofia pura nos seus romances. Insustentável Leveza do Ser é um dos meus livros favoritos e já li uns outros três dele, tão bons quanto.

5 - Albert Camus


Falando em filosofia, meu filósofo favorito, Albert Camus. Eu acho a visão do absurdo, que ele desenvolveu, fascinante e quero ler e reler a obra dele durante toda a minha vida.

6 - Charles Bukowski

O velho safado, primeiro autor que li do começo ao fim e por vontade própria. É graças a esse bêbado que hoje eu me importo com literatura, então é obrigatório que ele entre nessa lista.

Top 6 - Cineastas

1 - François Truffaut
Diretor de Os Incompreendidos e um dos criadores da Nouvelle Vague. Preciso conhecer mais e mais desse cara, mas, mesmo não conhecendo tudo, ele já é um dos meus favoritos.

2 - Jean Luc Godard
O cineasta que todos procuram depois de se interessarem por cinema arte. Outro dos fundadores da Nouvelle Vague e que já foi resenhado aqui umas 3 vezes. Além disso, ele comeu a Anna Karina e, só por isso, já merece meu respeito.
3 - Ingmar Bergman

O grande mestre do cinema e o outro cara que todos procuram quando descobrem o cinema arte. Esse cara é um gênio, tanto que eu nem tive coragem de resenhar um filme dele ainda, talvez mais tarde eu tenha a ousadia, quem sabe...

4 - Woody Allen
Já falei tanto sobre ele...procurem as resenhas que eu fiz dos filmes dele que já é informação suficiente.

5 - Quentin Tarantino
Não é o gênio que todos dizem, mas é um cara que ama cinema e consegue passar esse amor por meio dos seus filmes, fazendo que os outros, eu, amem cinema tanto quanto ele.

6 - Wong Kar-Wai
Digamos que, mesmo sendo completamente diferentes um do outro, os filmes do Wong Kar-Wai me atingem da mesma forma que os livros do Haruki Murakami. Deu pra entender? Não? Procure ler e assistir aos dois.

Top 6 - Músicos

1 - John Coltrane
A música desse cara é tão genial que até virou religião nos EUA. E eu estou prestes a me converter, pois, se existe um Deus, este só pode ser Coltrane.

2 - Frank Zappa
É o Zappa. Eu não sei explicar, a música dele que te escolhe e não o contrário.

3 - Tom Waits
O Bukowski da música. Esse cara tocou jazz, blues, rock, country, mas, independente do gênero, ele fez a música dele, e acredite, ela é bem diferente. Outra coisa, ele fez com que eu simpatizasse com música industrial e, vai por mim, isso é uma grande coisa.

4 - The Grateful Dead
Meus hippies favoritos.

5 - Thelonious Monk
Meu esquizofrênico favorito.

6 - The Jimi Hendrix Experience (e outras bandas do Hendrix)
É Hendrix porra. Se você não consegue deduzir o motivo, com certeza não entenderá a explicação.

Eu não consigo evitar de me sentir culpado sempre que faço essas listas, porque eu sei que elas não são exatas e que eu deixei passar uma série de artistas, seja por falta de memória ou de conhecimento. Infelizmente é assim que funciona, enquanto você vê um filme, você está deixando de ver milhares de outros filmes tão bons quanto, então diria que essa é a minha lista hoje, ano que vem pode ser completamente diferente.


Acho que isso vai ser minha tradição anual agora. Não...

sábado, 27 de abril de 2013

Sleeping Beauty (Beleza Adormecida) - Julia Leigh


Você assistiu ao filme "Desventuras em Série? Eu não, mas eu tenho uma pergunta pra quem assistiu. Quando você viu esse filme pela primeira vez e viu a personagem da Emily Browning, Violet, de acordo com o IMDB, você imaginou "nossa, como eu queria ver essa garota nua e sendo lambida por um velho cara que, enquanto passa a língua por sua face dormente, enfia os dedos na boca dela"? Imaginou? Qual o seu problema! De qualquer forma, seus desejos bizarros foram realizados. Mas, se você não imaginou isso e cresceu lendo Desventuras em Série e assistindo a adaptação, hoje é seu dia de sorte, você verá sua infância sendo estuprada. Você cresceu assistindo "A Bela Adormecida"? Então é um estupro duplo.


A história de Sleeping Beaty (Beleza Adormecida, para não assustar as criancinhas) é a de uma universitária, entediada e desumanamente indiferente. Ela cheira cocaína, fuma maconha, bebe vodca como se fosse água, em outras palavras, me apaixonei.  Ela passa o dia em seus diferentes trabalhos, nas aulas da faculdade e perdendo tempo com seu amigo viciado e doente, contando piadas sarcásticas um ao outro. E as noites ela frequenta bares. Precisando de dinheiro, ela responde a um anúncio no jornal para um emprego diferente; ela é convidada para fazer parte de um bordel diferente, no qual o sexo não é permitido, só é permitido dormir, literalmente, com a moça e mexer nela da maneira que o cliente bem desejar (a cena que eu descrevi no primeiro parágrafo é real). Os clientes são todos velhos impotentes (em ordem: o bom, o mau e o desastrado - veja o filme e entenda). Esse é o enredo.


Não sei por que as pessoas falam tão mal desse filme. Não é maravilhoso, mas não é tão ruim quanto dizem por aí. Verdade que o ritmo é lento e chega a causar sono em certas cenas, mas é o que o filme pede, e eu, que assisti esse filme ontem à uma da manhã, depois de ter trabalhado o dia todo e acordo por volta das seis e quinze, ou seja, estava cansado, mas mesmo assim não dormi assistindo - não é tão chato assim. Emily Browning faz um trabalho incrível e muito sutil. Ouvi dizer que a personagem dela não é agradável, mas é possível perceber um conflito dentro dela, devido à algumas expressões faciais muito discretas. Ela é indiferente e fria, mas sofre tanto quanto qualquer um e isso se torna claro nos instantes finais do filme. As imagens são belíssimas e a atmosfera do filme é perfeita, principalmente pela ausência de música nas cenas.

Ou eles drogaram essa atriz de verdade, ou ela é a melhor atriz que eu já vi - essa é a cena mais leve do filme.
O filme tem seus defeitos. Algumas linhas de diálogo são fracas e alguns personagens acabam se tornando mais interessantes que a protagonista - o velho da foto acima, que em um momento faz um monólogo muito interessante, e o amigo dela, que eu achei que foi pouco explorado, tornado as cenas dele menos comoventes do que deveriam ser. O ritmo, por mais que não tenha me incomodado, poderia ter sido melhor e a razão disso é o fato da roteirista e diretora ser uma romancista e ter feito o filme como se fosse um romance. É verdade que esse tema já é comum em livros (vide A Casa das Belas Adormecidas, de Yasunari Kawabata e Memórias de Minhas Putas Tristes, de Gabriel Garcia Marquez), mas eles contam a história pelo ponto de vista do velho e não da mulher, por isso achei criativa, embora mal explorada, a premissa da obra.

Sugiro que assistam e formem sua própria opinião. O filme é um drama erótico, mais focado no lado artístico do cinema, por isso eu indico mais para aqueles que gostam desse tipo de filme.

Nota: 3,5 / 5,0



quarta-feira, 24 de abril de 2013

The Grateful Dead - American Beauty


Eu admito, sou um hippie frustrado, que nasceu no tempo errado e daria tudo para viver nesse período mágico entre 65 e 69, na região de San Francisco, frequentando os shows improvisados, os Acid Tests, o Verão do Amor, Woodstock, os bacanais na lama, tudo que essa época podia oferecer. Convenhamos, nada nessas proporções voltou a acontecer e nem vai, todas as gerações subsequentes a esse movimento perderam. Independentemente disso, The Grateful Dead se tornou uma das minhas bandas favoritas durante a minha adolescência e se manteve nessa posição até hoje e, mesmo grande parte dos membros da banda estando mortos e eles tendo encerrado suas atividades, me considerado um Deadhead. Um Deadhead atual, digamos, que seguiria os passos da banda, se ela ainda existisse, e me proponho a lutar pelos ideais que ela pregava - amor livre, paz e liberação das drogas recreacionais.
 
 
American Beauty é o sexto álbum da banda, lançado em 1970, quando o movimento hippie começou a entrar em decadência. Em contra-partida, este disco não é, de forma alguma, decadente, pelo contrário, representa um ponto de maturidade musical para o grupo. Se o que eles faziam antes era um rock descompromissado e improvisado, nessa obra eles mantém esse estilo, mas inovam, mesclando a esse som simples, toques de jazz, country, blues e folk, mudando a sonoridade da banda, mas permancendo em suas raízes. Músicas como Truckin', Sugar Magnolia, Friend of the Devil e Box of Rain, tornaram-se clássicos absolutos da banda e algumas de minhas faixas favoritas também, enquanto as outras faixas, embora não tenham recebido muita visibilidade das rádios da época, também são excelentes, tornando American Beauty uma obra impecável.
 
 
É possível que eu esteja exagerando e dando uma opinião muito pessoal sobre esse disco, mas é assim que eu penso e não acho que estou superestimando nada. Infelizmente, The Grateful Dead não foi uma dessas bandas como Rolling Stones e Led Zeppelin, que conseguiram sobreviver e hoje fazem parte da cultura pop. No entanto, a base de fãs do Dead se mantém firme, embora sempre pequena, mas a relevância dessa banda para o mundo da música vai sempre ser gigantesca.
 
Nota: 5/5
 
 
 
 
 


quinta-feira, 18 de abril de 2013

Murder by Death (Assassinato por Morte) - Robert Moore


Se tem um gênero que é difícil de se acertar é a comédia. Primeiro porque o gênero já é desprezado logo de cara. Hoje o termo comédia foi explorado ao ponto de quase nada ter graça, já que qualquer sátira meia-boca e mal feita pode receber o título de "engraçado". Segundo e diretamente relacionado ao primeiro, além dos filmes de ação e terror, nenhum outro gênero tem tantos maus representantes de seu nome. Na verdade, diria até que a comédia lança filmes piores que os gêneros ação e terror juntos. Terceiro, na comédia existem muitos jogos de palavras, por isso, é fácil se perder na tradução, quando não se tem um domínio razoável de um idioma. Não concorda? Procure uma piada qualquer em inglês e tente traduzi-la para o português, sem perder nem um pouco do efeito cômico. Enfim, o que eu quero dizer com tudo isso é que comédia é um gênero difícil de se trabalhar, mas, ao mesmo tempo, desprezado, por culpa de certas maçãs podres. Assassinato por Morte é um bom representante do gênero.
 
 

O enredo trata do milionário excêntrico, Lionel Twain (interpretado por Truman Capote), que vive em uma mansão altamente tecnológica e cheia de truques, que convida os melhores detetives do mundo para um jantar em sua extravagante residência. Lá, Capote (esse não é o nome do personagem, mas, me desculpem, pra mim é impossível separar os dois e eu já explico o motivo) lança um desafio aos detetives, informando-lhes que haverá um assassinato naquela mansão, à meia noite, e que, se eles fossem realmente os melhores, seriam capazes de deduzir quem é o culpado. Nesse contexto é que são geradas as situações cômicas, satirizando os romances de suspense.
 

Essa foi uma comédia divertida. Nada muito hilário ou espetacular, mas me entreteve e não foi apenas uma risada barata, mas deu pra perceber que existiu um mínimo de esforço durante a preparação desse roteiro. Os tais melhores detetives, não são apenas estereótipos vazios, mas sátiras reais dos grandes gênios da percepção literários, por exemplo: Hercule Poirot (Milo Perrier), o Falcão Maltês (Sam Diamond), Charlies Chan (Sidney Wang), Ms. Marple (Jessica Marbles). Além disso, todas as deduções de um detetive, são rebatidas com as de outro, seguidas com uma espécie de "crítica literária" ao autor real do personagem, fugindo das barreiras satíricas do filme, sendo, o final, uma grande crítica deles todos por parte de Truman Capote.
 
 E é por isso que eu não consegui separar esse personagem de seu intérprete. Capote não é exatamente um bom ator, pois ele apenas age como ele mesmo. É verdade que Charlie Sheen fez isso durante a maior parte da carreira dele e não foi criticado por causa disso, mas é estranho quando se trata de uma pessoa com uma presença tão grande - embora ele mesmo fosse de baixíssima estatura. O mais engraçado é que, no livro "Música para Camaleões" - coletânea de contos de Truman Capote e último livro terminado que ele publicou -, em seu conto final, Capote faz uma espécie de entrevista consigo mesmo e admite ter aceito esse papel apenas pelo dinheiro - eu achei engraçado. Outro fator que torna difícil de separar Lionel de Truman, é a implicância dele com o inglês de Sidney Wang (interpretado pelo grande comediante Peter Sellers), lembrando que Truman Capote prezava pela perfeição na linguagem.
 
Enfim, um filme engraçado. Nada espetacular, com algumas piadas boas e outras nem tanto. Um bom elenco, mas com alguns defeitos de interpretação. Uma diversão para o fim de semana.
 
Nota: 3,5/5