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sábado, 28 de fevereiro de 2015

Chinua Achebe


Chinua Achebe nasceu em 1930, em Ogidi, sudeste da Nigéria. Seu nome completo é Albert Chinualumogu Achebe,  mas na universidade renegou seu nome britânico, Albert, para adotar seu nome indiano, abreviado, Chinua. Filho de pais cristãos evangélicos, sendo o pai professor de uma escola missionária. Recebeu sua educação em inglês,  mas nunca se afastou da cultura igbo, a qual pertencia etnicamente.
Em 1944, ingressou na Universidade de Ibadan, onde estudou Medicina, Teologia, História e Língua e Literatura Inglesas, obtendo seu diploma em 1953.
Escreveu sempre em língua inglesa, mas nunca deixou de incorporar vocábulos e narrativas igbo. Se tornou um grande narrador do colonialismo europeu na África, tendo como algo marcante em sua literatura, a facilidade de transformar em escrita o que antes fazia parte da tradição oral.


Em 1958, publicou o livro Things Fall A Part (publicado no Brasil pela Companhia das Letras, como O Mundo Se Despedaça), que causou um impacto muito grande, sendo um doa livros mais lidos do século XX. Para se ter ideia, é leitura obrigatória nas escolas da África e é estudado em muitos países de língua inglesa.
Este livro retrata bem componentes da cultura africana antes da intervenção do colonizador: a divisão por tribos, a presença dos ancestrais, a hierarquização dentro da família. No livro, temos em Okonkwo, uma síntese do homem africano antes da colonização: um bravo guerreiro, que possui três mulheres e muitos filhos, sempre em busca de prosperidade e respeito. Quando o homem branco chega, Okonkwo vê o mundo se desmoronar na sua frente, literalmente, quando pessoas próximas a ele, aderem a nova crença trazida.

Em 1960, o autor publicou Longer At Ease e em 1964, Arrow Of God, publicados no Brasil pela Companhia das Letras como A Paz Dura Pouco e A Flecha de Deus, respectivamente.

Em seu extenso currículo encontramos o cargo de professor universitário em maior destaque.
Vítima de um acidente de carro em 1990, o autor passou a andar de cadeira de rodas. Ficou sem escrever por muito tempo, mas continuou dando aulas. 
Veio a falecer aos 82 anos, nos Estados Unidos, onde residia com sua mulher e seus quatro filhos.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Minhas previsões para o Oscar 2015


Chegou aquela época do ano em que todo blogueiro que normalmente não vê nada além de blockbuster se torna um cinéfilo experiente, a temporada das premiações, a principal dela sendo o Oscar. Ano passado fiz meus chutes minhas análises profundas e embasadas. Podem ver aqui, não me saí tão mal. Agora repito o papel de profeta do apocalipse, mostrando a lista de candidatos pra vocês e dizendo o ganhador. Afinal, eu sou um especialista (vocês nunca viram minha cara, mas eu uso óculos, então acreditem, eu sei do que eu falo). De novo, não vou falar de curtas e de documentários porque seria forçar a barra.

Melhor filme (porque aqui não é que nem a cerimônia de verdade. Aqui a gente começa pelo que importa)
Nomeados:

American Sniper
Birdman or (The Unexpected Virtue of Ignorance)
Boyhood
The Grand Budapest Hotel
The Imitation Game
Selma
The Theory of Everything
Whiplash

Por preguiça Para dar credibilidade às previsões, vi apenas dois dos filmes listados. Achei a lista mais chata do que o normal, cheia de filmes históricos, biografias e aquele filme de propaganda de guerra do Clint Eastwood. Boyhood é, aparentemente, o favorito, só pelo tamanho da produção (foram 12 anos em preparo e toda essa história que todo mundo já falou sobre), mas, pelo que eu ouvi, o resultado é pouco acima da média. Gostei de Hotel Budapeste, tem mais substância que o resto da filmografia do Wes Anderson, falando com sutileza dos efeitos da Segunda Guerra na Europa, mas acho que o Wes é um daqueles destinados a não ganhar nunca. Meu favorito é Birdman. Difícil...difícil. Eu não ia, mas vou com meu instinto e digo que o prêmio vai pra Birdman. A crítica foi bem universal na recepção dele, e o filme em si vai muito além de um artifício. Decidido: Birdman.


Melhor Diretor

Wes Anderson - The Grand Budapest Hotel
Alejandro González Iñarritu - Birdman...
Richard Linklater - Boyhood
Bennett Miller - Foxcatcher
Morten Tyldum - The Imitation Game

Mesma dúvida do primeiro. Wes Anderson, por mais que o filme tenha mais substância, ainda é o mesmo cara da simetria e das cores que todo mundo já viu e todo mundo ou aprendeu a amar ou já está de saco cheio. Estou pulando essas biografias porque todo mundo já cansou dessas iscas de Oscar, né? Os peixes não estão mais mordendo, desculpem. Ficam os dois, Iñarritu e Linklater. Iñarritu teve que medir os passos dos atores para conseguir fazer que tudo parecesse um corte só. Isso é muito mais trabalho que reunir uns amigos pra filmar um sem número de vezes durante 12 anos. Desculpa Linklater, mas eu não me impressionei tanto. Meu voto: Iñarritu.

Melhor Ator

Steve Carell - Foxcatcher
Bradley Cooper - American Sniper
Benedict Cumberbatch - The Imitation Game
Michael Keaton - Birdman
Eddie Redmayne - The Theory of Everything

Aqui a coisa muda de figura. Digo, foi bom ver o Keaton mostrando que é bom ator de novo. Mas o papel dele em Birdman foi quase autobiográfico, nenhum grande esforço aqui. Interpretar o Stephen Hawking, mesmo em um filme considerado em geral medíocre, é difícil. Não vi A Teoria de Tudo, mas o que dizem por aí é que ele carregou o filme nas costas, e eu acredito. Não tem como fazer uma interpretação mediana de alguém que sofre de esclerose lateral amiotrófica sem que ninguém perceba. Meu veredicto: Eddie Redmayne.



Melhor Atriz

Marion Cotillard - Deux Jours, Une Nuit
Felicity Jones - The Theory of Everything
Julianne Moore - Still Alice
Rosamund Pike - Gone Girl
Reese Witherspoon - Wild

Meu voto normalmente iria pra Marion Cotillard, só porque eu votaria nela pra qualquer coisa por qualquer motivo, mas eu preciso lembrar do que aconteceu em 2013? A Emmanuelle Riva, atriz lendária do cinema francês em o que pode ter sido o seu melhor papel em 56 anos de carreira, perdeu pra Jennifer Lawrence, que tudo que fez foi gritar bastante. Eu sinceramente não sei, não vi nenhum desses filmes. Dizem que Gone Girl é ótimo, mas é um suspense, e a Academia não costuma gostar desses. Wild parece inspirador o bastante, mas o final é feliz, então não vai ganhar. Still Alice é sobre Alzheimer...O parecer dos críticos foi que Julianne Moore salvou o que seria, do contrário, um filme medíocre, então, por questões de simetria e consistência, meu voto vai pra ela.

Melhor Ator Coadjuvante

Robert Duvall - The Judge
Ethan Hawke - Boyhood
Edward Norton - Bridman
Mark Ruffalo - Foxcatcher
J. K. Simmons - Whiplash



Dizem que o papel do J. K. Simmons em Whiplash é muito bom. Vi bastante gente que detesta o Ethan Hawke mudar de ideia por causa de Boyhood. Mas Edward Norton tá muito bem em Birdman, tão bom quanto o Michael Keaton. Vai pro Edward Norton.


Melhor Atriz Coadjuvante

Patricia Arquette - Boyhood
Laura Dern - Wild
Keira Knightley - The Imitation Game
Emma Stone - Birdman
Meryl Streep - Into the Woods.

Emma Stone é uma coisinha, sério, que nem a Marion Cotillard, votaria nela pra qualquer coisa. Mas ela não caiu nas graças da Academia do jeito que a Jennifer Lawrence caiu, e o papel dela é muito pequeno e fragmentado, embora bem interessante. Eu não sei por que eles continuam fazendo isso com a Meryl Streep, todo mundo sabe que ela não vai ganhar. Acho que é só pro apresentador ter aquela piada pronta. Perdeu a graça, mesmo. Por eliminação, Patricia Arquette é minha escolha. Até porque eu não posso dar todos os prêmios à Birdman, por mais que eu queira.

Melhor Roteiro Original

Birdman - Alejandro González Iñarritu et al.
Boyhood - Richard Linklater
Foxcatcher - E. Max Frye e Dan Futterman
The Grand Budapest Hotel - Wes Anderson e Hugo Guinness
Nightcrawler - Dan Gilroy

Boyhood, grande feito que seja, não tem um roteiro fora do normal, então já elimino de cara. Não sei o que Grand Budapest tá fazendo aí se foi baseado nos textos do Stefan Zweig, talvez não tenha se baseado em um específico e isso não seja suficiente pra considerar como adaptação. Se assim for, o roteiro é muito bom, brincando até com camadas (garota lendo um livro - autor contando como fez o livro - autor falando como conheceu o dono do hotel - dono do hotel contando história - autor finalizando história - autor terminando de dizer como fez o livro - garota fechando o livro), então a estrutura da narrativa é muito interessante. Iñarritu também faz um jogo com gêneros e montagem muito bom, sem falar que o texto tem que ter ritmo pra se encaixar no relógio da edição. Nightcrawler parece muito original, apesar de eu não ter tido a oportunidade de ver. Não é anormal o prêmio de melhor roteiro ir para alguém que não ganhou nenhum dos outros prêmios principais (vide Tarantino), mesmo assim vou arriscar Iñarritu. Que fique claro que essa é a categoria que me gerou maior conflito interno.


Melhor Roteiro Adaptado

American Sniper - Jason Hall
The Imitation Game - Graham Moore
Inherent Vice - Paul Thomas Anderson
The Theory of Everything - Anthony McCarten
Whiplash - Damien Chazelle

Hmm, difícil ser imparcial aqui, considerando que uma adaptação de algo tão ambicioso e confuso como um livro do Thomas Pynchon só pode ser premiável, e a reputação do Paul Thomas Anderson acende minhas expectativas. Estou tentando a chutar Whiplash ou O Jogo da Imitação, pela falta de prêmios para esses dois. Principalmente porque Whiplash não veio de um livro, mas de um curta do próprio diretor. É, outro conflito interno aqui...vai O Jogo da Imitação, não ganhou nada ainda e acho difícil esse filme passar sem prêmios.

Melhor Animação

Big Hero 6 - Don Hall et al.
The Boxtrolls - Anthoni Stacchi et al.
How to Train Your Dragon 2 - Dean Deblois e Bonnie Arnold
Song of the Sea - Tomm Moore e Paul Young
Kaguya-hime no Monogatari - Isao Takahata

É raro esse prêmio ir pra um estrangeiro, mas nenhum desses nomes me chamou atenção. Tudo me parece mais do mesmo aqui, com exceção dessa animação japonesa aí. Da última vez tive a mesma impressão, mas me rendi e votei em Frozen. Não dessa vez, meu voto vai pra Kaguya-hime no Monogatari - vocês ouviram aqui primeiro, se eu acertar, quero ser considerado profeta.


Melhor Filme de Língua Estrangeira

Ida - Pawel Pawlikowski
Leviafan - Andrey Zvyagintsev
Mandariinid - Zaza Urushadze
Timbuktu - Abderrahmane Sissako
Relatos Salvajes - Damián Szifrón

Tenho uma técnica pra escolher o ganhador dessa categoria. Sempre identifico o favorito e vou com o segundo colocado. Faço isso há anos, sempre acerto. O favorito esse ano acho que é Leviatã, porque o diretor é o mais reconhecido. O segundo...a Argentina tem um bom histórico cinematográfico, mas aparentemente Relatos Selvagens tem toques de comédia, a Academia não gosta disso. Tangerinas é o que está levando mais prêmios. Decidido, meu voto vai pra: Mandariinid.

Melhor Cinematografia

Nomeados:
Birdman - Emmanuel Lubezki
The Grand Budapest Hotel - Robert Yeoman
Ida - Lukasz Zal e Ryszard Lenczewski
Mr. Turner - Dick Pope
Unbroken - Roger Deakings

Se tem uma coisa que um filme do Wes Anderson tem é boa fotografia. É provável que Ida tenha uma cinematografia mais interessante, mas filmes estrangeiros podem ser eliminados quase imediatamente dos prêmios gerais. Vai pra O Grande Hotel Budapeste.


Melhor Edição

Nomeados:
American Sniper - Joel Cox e Gary D. Roach
Boyhood - Sandra Adair
The Grand Budapest Hotel - Barney Pilling
The Imitation Game - William Goldenberg
Whiplash - Tom Cross

Uai, nada de Birdman com toda a coisa de parecer um corte só? Eita, facilita meu trabalho. Boyhood. 12 anos de produção e filmagem, sem discussão aqui. Próximo!

Melhor Design de Produção

Nomeados:
The Grand Budapest Hotel - Adam Stockhausen e Anna Pinnock
The Imitation Game - Maria Djurkovic e Tatiana Macdonald
Interstellar - Nathan Crowley e Gary Fettis
Into the Woods - Dennis Gassner e Anna Pinnock
Mr. Turner - Suzie Davies e Charlotte Watts

Ano passado eu não sabia o que isso era. Esse ano eu ainda não sei. Estou tentado a chutar Interstellar porque, bom ou ruim, é uma puta produção, mas não foi indicado pra mais nada, então o melhor é descartar. É, acho que vai pra O Grande Hotel Budapeste, pronto. Não me importo o suficiente pra elaborar.


Melhor Figurino

Nomeados:
The Grand Budapest Hotel - Milena Canonero
Inherent Vice - Mark Bridges
Into the Woods - Colleen Atwood
Maleficent - Anna B. Sheppard
Mr. Turner - Jacqueline Durran

Parafraseando meu chute do ano passado: não faço ideia. Hotel Budapeste, porque foda-se.

Melhor Maquiagem

Nomeados:
Foxcatcher - Bll Corso e Dennis Liddiard
The Grand Budapest Hotel - Frances Hannon e Mark Coulier
Guardians of the Galaxy - Elizabeth Yianni-Georgiou e David White

Gostei de Guardiões da Galáxia, mas não acho que tenha chances. Hotel Budapeste de novo.


Melhor Trilha Sonora

Nomeados:
The Grand Budapest Hotel - Alexandre Desplat
The Imitation Hame - Alexandre Desplat
Intestellar - Hans Zimmer
Mr. Turner - Fary Yershon
The Theory of Everything - Jóhann Jóhannsson

Posso chutar que vai pra esse tal de Alexandre Desplat? É trapaça, mas é uma questão de números. Acho que todo mundo já cansou do Hans Zimmer e eu não sei nada dos outros caras. Hmm...tá, eu vou escolher um: O Grande Hotel Budapeste.

Melhor Canção Original

Nomeados:
Everything is Awesome de The Lego Movie - Shawn Patterson
Glory de Selma - John Legend
Grateful de Beyond the Lights - Diane Warren
I'm Not Gonna Miss You de Glen Campbell: I'll Be Me - Glen
Lost Stars de Begin Again - Gregg Alexander e Danielle Brisebois

Olha, eu vi o "Filme do Lego" e a música era meio que um símbolo do ridículo da sociedade automatizada, então não sei porque tá concorrendo, quer dizer, a composição tem 6 palavras no máximo. Vai pra Selma, porque o John Legend é um bom compositor e Selma precisa de um prêmio pelo menos.


Melhor Mixagem de Som

Nomeados:
American Sniper - John Reitz et al.
Birdman - Jon Taylor et al.
Interstellar - Gary A. Rizzo et al.
Unbroken - Jon Taylor et al.
Whiplash - Craig Mann et al.

Vou dizer Whiplash. E não só porque eu não quero que American Sniper ganhe qualquer coisa. Mas porque um filme de música depende de mixagem de som. Do contrário, por melhor que o ator seja, a interpretação de "tocar o instrumento" não fica convincente. Se tem um filme dessa lista que depende de um som bem mixado é Whiplash.

Melhor Edição de Som

Nomeados:
American Sniper - ninguém liga
Birdman - sério, ninguém sabe quem são essas pessoas
The Hobbit: The Battle of... - me recuso a digitar
Interstellar - quase uma hora fazendo esse post
Unbroken - foda-se

Então, em Birdman tem uma cena em que o Michael Keaton dá um tapa na porta no mesmo momento em que, na trilha sonora, ouve-se o som de um prato de bateria batendo. Edição perfeita. Birdman leva o Oscar.


Melhores Efeitos Visuais

Nomeados:
Captain America: The Winter Soldier - não vou repetir a piada
Dawn of the Planet of the Apes - da categoria anterior
Guardians of the Galaxy - mas vou omitir
Interstellar - os responsáveis
X-Men: Days of Future Past - por questão de brevidade

Interstellar. Porque é o único da lista que a Academia respeita.

Vejamos quantas eu acerto. Minhas escolhas podem parecer arbitrárias, mas a verdade é que eu me esforço ao máximo para imitar o estilo da Academia quando formulo essas previsões. Tem categorias que eu posso jurar que eles só tiram um nome de dentro de um chapéu pra definir o ganhador.



terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Momento Musical #8 - Them, Patti Smith, Wanda Jackson

Tentando ao máximo fazer jus ao jeito desregrado de juntar discos para o momento musical, não me preocupei em nada em relacionar os artistas. Acaba acontecendo, mas acho que dessa vez consegui misturar legal. Cobrirei 3 décadas com a postagem de hoje e espero que vocês escutem os discos. Eu sei, é uma audição de uma hora cada, talvez vocês preferissem que eu só jogasse aqui as faixas principais de cada artista e deixasse a pesquisa posterior nas mãos de vocês. Não. O objetivo aqui é justamente mandar à merda o hábito de ouvir só os hits. Quero reviver o álbum de um jeito ou de outro e, se isso não te interessa, tem gente pra cacete por aí postando só hits. Divirta-se com o Google/Youtube e saia da minha propriedade (visualize aqui Clint Eastwood te apontando uma escopeta).

Them - The Angry Young Them


Vocês já devem ter ouvido falar do cantor/compositor irlandês Van Morrison. Vou acreditar que sim e pular as apresentações. Se não conhece, você me envergonha, vá se redimir agora. Bom, Van Morrison começou na banda Them, e esse é o primeiro disco deles. A banda em si tá esquecida desde que o Van Morrison seguiu carreira solo, mas é muito bom. Típica banda de garagem da década de 60, entre o blues e um psicodélico primitivo, com direito a composições próprias, como Gloria, que se tornou o hino da banda e foi gravado por uma porrada de gente, a exemplo: The Shadows of Knight, The Doors e...

...Patti Smith - Radio Ethiopia


Tá, esse não é o disco que tem a versão de Gloria - esse seria o Horses -, mas não consegui achar completo no Youtube. Claro que eu conto que o leitor que goste dos discos apresentados aqui corra atrás da discografia completa do artista em questão. (Não, eu não acho que superestimo vocês.) Não é aquele disco, mas é o segundo da Poeta Laureada do Punk, não muito bem recebido na época, mas hoje melhor compreendido, tendo sobrevivido o passar dos anos. Patti Smith não recebeu seu título sem motivo, ela é uma excelente poeta e expõe isso na música dela, trazendo lirismo ao punk, um gênero nada lírico. Não sou o maior fã de Punk Rock, mas de Patti Smith eu gosto, ela dá um bom nome ao gênero.

Wanda Jackson - Capitol Records 1956 - 60


Wanda Jackson, a chamada rainha do rockabilly. Viva até hoje, mas seguindo uma linha mais country/gospel. Na década de cinquenta, ela era foda. Não devia nada a gente como Buddy Holly e Charlie Feathers. Esse disco é uma coletânea da fase rockabilly. Eu sei, tenho meus contras quanto à antologias, coletâneas, best ofs etc. Mas esse é bom, representa bem as músicas de qualidade dela. 

É isso. Divirtam-se crianças.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Primeira Publicação



Um dos meus poemas foi aceito para a edição 29 da revista Gente de Palavra (www.gentedepalavra.com.br). Pois é, tô feliz pra caralho, mais do que eu achei que estaria. Não sei bem qual é o poema que vão publicar (só mandei um, mas não lembro qual foi), nem quando vai ser lançado, nem se as edições vai ser vendidas no site deles (sei que eles disponibilizam pdf das edições passadas). Pretendo fazer outro post avisando tudo isso quando eu souber. É isso, finalmente estou anunciando uma publicação de verdade nesse blog.

Obs.: Caso você queira um exemplar pra chamar de seu, mande um e-mail para gentedepalavra@hotmail.com e as instruções de compra de te serão enviadas.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Do ato de não escrever



Fevereiro, mês em que as resoluções de ano novo se quebram, quando se pensa positivo, porque, de verdade de verdade, é por volta da segunda semana de janeiro que as promessas costumam cair por terra. A minha era não deixar esse blog parado por mais de duas semanas. A última postagem desse blog é de janeiro e não fui eu quem fiz. Escrevi para outro blog, de bom grado e com muito ânimo. Aqui, nada.

Não, essa não é uma postagem de choradeira, falando de insatisfações, sedes por coisas diferentes e todo aquele papo que vocês já conhecem tão bem. Na verdade, estou me sentindo muito bem quanto a minha própria escrita, como nunca antes. Não é um estado de plena satisfação porque isso não existe com nada. A única satisfação plena vem com a morte, aí não dá pra ficar insatisfeito. Estou encarando com a cabeça erguida o fato de que nada que eu escrevo nunca vai ficar tão bom quanto eu quero que fique ou acho que poderia ter ficado e de que nada que eu escrevo é tão ruim quanto eu acho que é e de que nada que eu escrevo é tão bom quanto eu acho que é, quando acho que algo que faço é bom - existem sim esses momentos, com mais frequência do que se imaginaria, considerando o quanto que eu reclamo.

Nem pensem em bloqueio. Está longe disso. Tenho ideias a dar com o pau e estou com asco do clichê do tormento da página em branco, o quero longe de mim e de tudo que eu faço, por favor. Dezenas e dezenas de rascunhos sobre assuntos, filmes, artistas, livros dos mais diversos. E sei como escrever cada um deles de um jeito relativamente competente. Acreditem, o blog não está parado por falta de assunto - nunca esteve - nem por falta de ideias ou sequer falta de vontade.

O ato de não escrever pelo simples fato de nunca se chegar ao teclado e digitar as palavras necessárias é bem mais complexo que bloqueio ou insatisfações ou desânimo. Pode ser generalizado, vocês que também escrevem que me digam, mas pode ser um defeito de fábrica meu. Por algum motivo, deixo de escrever. Não de vez, todo dia escrevo nem que seja um parágrafo. Só não vai pro blog. Ou tenho postagens quase prontas, faltando aquele último parágrafo, aquela última linha que eu até escreveria se revisse o texto, mas nunca o faço e então a última linha nunca vem e o texto nunca se fecha.

É quase uma autosabotagem, se eu achasse que esse blog um dia pudesse me trazer alguma coisa, mas não acho que trará - estou bem certo de que não trará porque eu não sei exatamente o que eu quero que ele me traga ou se quero que me traga alguma coisa e quase me esforço para que essa situação não mude -, então não faz sentindo nenhum. O fenômeno cerebral desconhecido que me faz não escrever é o mesmo que me faz ficar de frente à janela por minutos pensando se saio ou não em determinada noite de sexta. Processo que nunca envolve qualquer dilema ou debate interno, mas que ainda assim me paralisa.

Aí, da noite para o dia ou do dia para a noite, vem a vontade de quebrar esse hiato. Acontece que, para mim, ele nunca aparenta ser tempo perdido. As semanas paradas do blog me parecem um dia, algumas horas. A vontade é só terminar aquela tal resenha e postar sem qualquer explicação sobre o sumiço. Não é como se eu devesse algo a alguém ou como se houvesse alguém aqui para quem eu pudesse dever alguma coisa. E pouco antes de clicar no publicar, vem esse pequeno texto sem razão de ser, definindo esse fenômeno. Possivelmente que ele tenha vindo assim com tanta facilidade porque eu mesmo quero ler sobre isso que me toma e eu não sei o que é. Ver o ato de não escrever de fora, como se o texto fosse um espelho esquisito. Analiso a mim mesmo por meio das palavras que fiz para mim. 

Esse dito fenômeno soa um tanto como preguiça, a tão amada procrastinação. É um pouco diferente. Procrastina quem faz alguma coisa no lugar daquilo que se deveria estar fazendo. Ah!, e a coisa adiada é um dever, o que esse blog nunca foi para mim e essa é a exata razão pela qual eu o amo tanto. Gosto de acreditar que o hiato, dessa vez, foi porque estou trabalhando no meu livro - sim, aquele, reescrito quatro vezes, do qual falei sobre a primeira vez em 2012, e agora está chegando na casa das 110 páginas, acho que está 60% pronto, falta definir umas coisas e tenho duas opções para o final, preciso me decidir qual delas usar, mas é bem provável que eu escreva as duas antes de escolher. É, definitivamente, um motivo. Mas o tal fenômeno do não escrever, que na verdade é apenas um não escrever algo específico, já que outra coisa está sendo escrita - se bem que, essa outra coisa também é escrita muito pouco, coisa de uma hora, entre pausas de horas em que nada acontece - e que não é preguiça, segue como razão primária. Saber o que escrever e como, mesmo assim não fazer, sem qualquer motivo lógico, moral ou emocional. Vou, por autoproteção, acreditar que acontece com todo mundo e deixar pra lá. Por hoje, voltei. Então, como vão vocês? Tudo em ordem?