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segunda-feira, 22 de junho de 2015

Alguém me dá um desfibrilador urgente, este blog está morrendo.


Então meu povo, não adianta esconder, eu sei que tem leitor por aqui. Poucos, mas tem. Aqui estou me dirigindo a vocês pra perguntar: o que cês querem que eu escreva nessa porra?

Seguinte, conteúdo na minha cabeça não falta, a merda é saber como colocar ele aqui. Resenha é tudo a mesma coisa. Não importa quem faça, onde, com que abordagem, só muda a coisa resenhada. Tá, tem gente que fala mais, tem gente que fala menos, tem gente mais técnica, tem gente passional. As resenhas mudam conforme o resenhista, mas toda a resenha de um resenhista é igual às outras resenhas.

Conto? Poesia? Boto aqui quando tem. Se não tem, é porque acabou o estoque. Não sou desses que escrevem sobre qualquer coisa, duas páginas, e jogam no blog sem preocupação. Eu tenho o mal do perfeccionismo. Se a porra do conto não estiver conforme os meus misteriosos padrões de qualidade, não sai. Não mostro pra ninguém nem fodendo.  Na maior parte das vezes, sem ter um final na cabeça, nem começo. Romances podem começar sem final; contos não. E poesia precisa de uma ignição, uma chama que a alimente. Não é coisa que se faz partindo de um tema forçado. Isso é bom pra praticar, mas é vergonhoso de deixar que leiam.

Crônica pessoal? Me admira gente que consegue arrancar texto de qualquer coisa. Tem gente nesse mundo de blog que vê uma poça d'água de formato diferente e isso já vira um texto pessoal, cheio de autoanálise e autoajuda. Admiro essa gente porque eles fazem uma coisa que eu não sei fazer. Espremer texto de coisas. Será que eu não sou profissional o bastante? Pergunta retórica, povo, não sou profissional mesmo, ai de mim me tornar um. A palavra "blogueiro" me dá arrepios. E sinto náuseas quando escuto certas pessoas falando de escritor profissional (leia: aquele canalha que caga quinze livrecos por ano - seis infantojuvenis, quatro de crônicas, um romance thriller, três infantis e um manual sobre como escrever).

O que falta? Aqueles meus posts sobre música? Pintores? (Logo eu que não sei porra nenhuma de pintura.) Gente, existe o Google. É dali que eu tiro o conteúdo. O texto é um copia-e-cola descarado. Um tédio de fazer. Só não é tédio quando eu estou ouvindo as músicas ou olhando as pinturas, mas eu não preciso de uma postagem pra isso. E qualquer outro troço - artístico ou não - que eu decida falar sobre vai sofrer o mesmo destino. Três textos empolgados, quase - ouso dizer - com cheiro de coisa nova, e então cair na mesmice.

Sinto que o blog está morrendo. Falta de leitores? Como se arranjam leitores? Tem gente que consegue, mas não sei o segredo. Simpatia, provavelmente. Devo ter o blog mais antipático da internet. Só a página principal já é um repelente. E esses textos, que vem de tantos em tantos meses, reclamando, não ajudam. Porque o blog vai persistir, como o Sílvio Santos, minhas calças caíram, minha dentadura voou e o parafuso que me restava na cabeça soltou, mas cá estou eu. Sou apegado. Apagar o blog me dá medo e deixar largado me traz culpa. Não sei o que eu tô fazendo mais, se é que um dia eu soube.

Não tem reclamação mais vazia que essa porque, como dizia Dr. Falcão, supunhetemos que de repentelho amanhecesse e minha página do facebook surgisse com duas mil curtidas. E daí? Aí a caixa de comentários aparecesse com dez comentários por postagem, metade contribuição de outros blogueiros por causa de um comentário que eu deixei pra ele, outra metade gente pedindo pra eu contribuir. Pronto, seria o golpe final pro meu blog. Aí eu me envergonharia dele e de mim. Queria ter a chance de perguntar pra um desses ó grandes blogueiros como eles se sentem quando veem trinta comentários, quarenta que seja, numa só postagem, mil visualizações num dia, uma porrada de compartilhamentos, se existe qualquer prazer nisso.

A questão aqui é o ego. É essa vontade bizarra de querer ser visto como um gênio sem ter feito qualquer coisa de genial. Sem ter feito qualquer coisa. Qualquer sucesso virá seguido imediatamente de uma insatisfação, essa é a natureza humana. Meio pretensioso tratar disso em um texto que é essencialmente sobre um blog, mas se encaixa para qualquer coisa. Se o que você faz é um blog, essa será sua preocupação. A partir do momento que você recebe as tais milhares de curtidas, você passa a desejar dezenas de milhares, então centenas, então milhões, e aí o blog deixa de ser o bastante. Nesse ponto, o blogueiro lança um livro e repassa as mesmas ansiedades que antes eram do blog para o livro - a coisa nova; coisa essa que é uma representação dele em objeto. Aí o livro vira bestseller, mas o desejo não é mais esse. O desejo passa a ser posteridade - que a obra dure até após a morte do autor, que é a coisa mais absurda que alguém pode desejar nos dias de hoje, mas, supondo que ocorra, é da mesma forma insignificante já que não existe uma eternidade por assim dizer, eventualmente tudo, de bom ou de mau, rui, simplesmente porque civilizações inteiras ruíram e um livro é só um livro, um conjunto de palavras, uma representação física de uma consciência.

É isso mesmo que vocês estão lendo, eu transformei uma reclamação em uma análise niilista da existência, me desculpem. E vocês podem acreditar que meu próximo passo será voltar atrás nisso tudo e voltar a falar do blog. Vejam bem, a partir do momento que se conclui que nada disso importa pro universo, por que isso segue importando pra mim? Por que eu não consigo seguir com meu velho copia-e-cola, espalhando coisas que eu gostaria que os outros conhecessem? Estava funcionando até então e é o máximo que eu posso sonhar em conseguir - alcançar um número mínimo de pessoas e ajudá-las a conhecer coisas que elas não conseguiam antes (meio que como uma versão mastigada do Google - você não vai procurar sozinho, então toma aqui o que eu achei). Pior ainda, por que eu sigo reclamando mesmo sabendo muito bem que, vindo a suposta solução, ela não me trará prazer algum? Basicamente, estou propondo um problema que, não só não tem solução, eu estou pronto para resistir a qualquer hipótese de solução. Eis o ser humano, meu povo.

Obs.: de qualquer forma, eu ficaria agradecido com quaisquer sugestões para conteúdo.

3 comentários:

  1. Fico aliviada em saber que você não tem coragem de excluir o blog. O que eu faria da vida sem seu blog para ler? (Nem sou dramática)
    Eu gostaria de poder ajudar de alguma forma, mas não tenho sugestões. Gosto de tudo que tem por aqui, do Pintura Para Iniciantes, que só assim mesmo para eu ter contato com o mundo da Arte e saber algumas coisas sobre pintura. O Google tá aí, mas receber assim mastigado é mais cômodo.
    Gostaria que seu blog tivesse mais leitores e mais comentaristas (porque ler sem comentar é quase como se não tivesse lido). É um blog de qualidade, as pessoas não sabem o que estão perdendo.
    Acho que, por ora, o que você tem que fazer é se conformar e continuar fazendo as mesmas coisas. Uma hora a criatividade aparece.

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  2. Olha, essa é uma questão tão complicada e tão verdadeira. Acho que no começo, é normal ter aquela empolgação e pensar: dane-se os leitores, eu escrevo pra mim. Mas acho que uma vez que estamos nesse mundo, é difícil sair dele e é difícil não perceber o que acontece com os outros blogs, né? Eu vivi um momento de crise no qual eu não sabia o que fazer quanto a isso, como fazer com que outras pessoas leiam essa merdica aqui que é meu blog? Mas quando me deparei com algumas estratégias e saídas que eu poderia ter, desisti. Não queria me vender e não queria mudar o formato do que eu tava fazendo, então... me conformei. E reparei que a coisa só é legal mesmo quando tem uma troca. As pessoas que comentam no meu blog hoje, são os mesmos blogueiros que eu visito. Acho que a gente se alimenta, conversa, troca ideias e tal. E por esse motivo, não conseguiria deletar o blog. Mentira, tem mil outros hahaha Você sabe que eu gosto dessa coisa do registro, então acho que ele me serve como um diário. Mas enfim, não sei.. penso muito sobre essas coisas também e não consigo achar soluções.
    Não sei queria terminar esse comentário down, mas... hahaha não sei outra forma de terminar o assunto.

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  3. Eu não sou um veterano no seu blog, conheci ano passado e vire mecha eu me vejo procurando alguns textos que me interessam, ou poesias ( que alias, a maiorias são ótimas! ) ou... sei la, me vejo pesquisando no seu blog, porém tem coisas que me irritam nele, e não falo da qualidade das postagens nem mesmo da frequências, acho a qualidade ótima e a frequência aceitável ( porra, tu ta desde de 2012? 4 anos e não deu nenhum grande hiato? Sério, conheço mutos blogs que morreram aos poucos e hoje são uma casca vazia com um conteúdo antigo, só por não tornar essa pagina assim, eu lhe admiro e agradeço! ). Porém o que mais me irrita no seu blog é o fato de ser um ''blogspot''. Não sei se já te falaram isso, e bem, é bem estranho e me parece desorganizado quando eu olho para um 'blogspot' e seu blog não é diferente, as vezes eu me vejo também procurando por algo que você escreveu, mas não me lembrava em que paginas estava e em que tópico, isso em suma me frusta um pouco, mas ao mesmo tempo que me frusta eu entendo do porque você não mudar para outro como 'Wordpress', você já esta a anos nesse e além do conteúdo evidente que possui por aqui, se acostumar com outra ferramenta é sempre chato e muitas vezes cansativo.

    Em sem, quanto ao conteúdo, eu curto quase tudo o que você escreve, pelo menos no pouco tempo que estive aqui eu gosto. E sobre chamar mais pessoas para o blog, bem... eu tenho um falando sobre animes/mangás e a base em si é fazer amizades na internet e postar alguma matéria escrita em algum grupo e mesmo fazendo isso nos não somos GRANDES, na verdade somos só mais um grão de poeira nessa enorme e assustadora ilha chamada internet e de nada podemos fazer para concertar isso... na verdade até somos felizes assim, o nosso blog ( quando me refiro é ''nosso'' falo dos amigos que fazem comigo ) é até bem descontraído e nem levamos tão a sério, nos divertimos fazendo ele e o mesmo só vai morrer quando essa diversão parar.

    Por fim cara, obrigado por tudo, gosto muito do blog e espero poder le-lo por muito mais tempo!

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