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terça-feira, 28 de abril de 2015

Poemas 77 e 78




77

obrigado, Camus,
tu tava certo.
meus músculos doem
e minha pedra travou, a infeliz,
não bem no cume, no meio do caminho,
talvez seja meu topo.
fiquei lá agarrado
resistindo à força que a puxava
de volta pro chão.
é inútil, tu tá certo, cara,
ela desce, queira eu ou não.
posso muito bem aproveitar
a vista da descida e
na próxima subida
fingir um sorriso
até que o sorriso vire verdade.

78

o mundo é uma ampulheta sem areia.
em seu centro há uma chama e
em cima estamos nós e todo o resto.
tudo vai queimando devagar
e o tempo nos faz cinzas
em queda livre calma até o fundo.

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