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segunda-feira, 16 de março de 2015

Textos pessoais e um pouco sobre trabalho.


Esse é um ano que eu decidi encarar o fato de que esse blog não é temporário. Deixou de ser um surto espontâneo de um cara que começou a escrever, tinha uma dúzia de textos que ele julgava estarem prontos, mas que nunca deviam ter visto a luz do dia, e passou a ser...bem, um blog. Visto por poucos, mas ainda assim alguns. E ele não vai ser encerrado. Não tão cedo, como eu costumava acreditar, pelo menos. Isso quer dizer que talvez seja a hora de eu baixar algumas das minhas barreiras. Não, isso não quer dizer vídeos, fotos, nomes, detalhes pessoais, esse tipo de coisa excessiva que eu vejo por aí nesse mundo assustador que chamamos internet.

Como eu não consigo começar a falar sobre uma coisa sem enfiar essa coisa em seu próprio rabo, vamos analisar a cultura bloguística dos textos pessoais, que tal? Para mim, esses textos parecem vir de gente que realmente quer ajudar alguém; normalmente alguém como eles próprios, distante, com problemas a resolver. E ao mesmo tempo falam consigo mesmos, não sabendo a resposta para a solução do problema sobre o qual eles discorrem, usam o texto justamente como método para organizar as ideias e quem sabe achar a tal resposta, se ela existir. Não é bem meu estilo. Digamos que para escrever esse tipo de coisa, o autor deva estar bem certo que aquilo que ele escreve faz sentido e pode servir de guia. Não tenho tal crença. Eu seria um idiota se tivesse.

Ao mesmo tempo, não consigo deixar de perceber que, nesse mundo de blogs, muitos desses textos pessoais tratam de assuntos que já me perturbaram uns anos atrás, mas agora já dei um jeito de me resolver. Pode ser porque, considerando a média da faixa etária das pessoas que mantém blogs ativos, sou um pouco, bem pouco, mais velho. Chutaria que as pessoas com blogs variam entre 15 e 20 anos, costumam estudar, raramente têm emprego fixo ou ainda estão estagiando. Já passei por tudo isso, meu tempo de estudos passou - não me vejo entregue a vida acadêmica, então descarto a possibilidade de uma pós-graduação ou um mestrado, pelo menos não vai acontecer no futuro recente -, assim como a fase dos estágios. Tenho um emprego fixo, não necessariamente satisfatório, mas que me mantém, e não tenho ambições para correr atrás de nada específico na minha área. Tá, isso não está soando tão motivacional quanto eu gostaria, deixa eu voltar ao foco.

Se não estou procurando emprego é porque, num geral, as coisas estão bem. E o que eu ando reparando nessa nova geração, que pode ser muito bem o povo mais jovem da mesma geração que a minha (sei lá como medir gerações hoje em dia, as mudanças parecem diárias) é essa inquietação, vontade de chegar no topo pulando degraus. "Esse estágio não é o que eu esperava", "tal vaga não é meu sonho", sonhos, metas, objetivos, é só disso que essa molecada fala e, vocês me perdoem, isso é um saco.

Vejam bem, eu passei pela maior parte das áreas do Comércio Exterior antes de me encontrar. Quando eu comecei eu me via trabalhando no setor comercial da empresa, mesmo eu não conseguindo vender nem um aquecedor pra um esquimó. Eu não me conhecia tão bem quanto eu me conheço hoje quando eu tinha 19 anos e até hoje eu não sei bem quem eu sou, vocês não são diferentes. Talvez menos perturbados, mas não necessariamente diferentes. O que mais importa nesse período de estágio é a experiência. Nem tudo é seu sonho, você vai ter que fazer coisas que não te agradam, mas você também vai aprender coisa pra caralho, vai conhecer pessoas - gente que pode te ser útil ou não -, vai aprender principalmente coisas sobre você mesmo que antes você não imaginaria - por exemplo, eu aprendi que quero dar um jeito de ser escritor, pois é, não nasci com essa certeza.

Aceitando fazer coisas que eu considerava desagradáveis, hoje tenho um conhecimento amplo em comércio exterior. Não tanto, afinal são só 6 anos de experiência, mas o suficiente pra que a empresa em que eu trabalho precise de mim, conte comigo em situações de emergência. Isso, isso é muito importante. Minha criança, você é substituível, existem milhares por aí iguaizinhos a você e que vão aceitar menos dinheiro. Capitalismo é um peso nas costas do trabalhador? É, mas é o modelo econômico dominante no mundo ocidental. Estou escrevendo meu livro, sabe-se lá se ele vai dar certo, não importa, eu tenho contas pra pagar como todo mundo, então é muito bom que eu saiba o que estou fazendo no meu emprego. E isso vale pra todos. Nunca, mas nunca, se considere especial. Mesmo que no fim das contas você seja, vai saber, eu não te conheço, você pode ser um gênio. Esse tipo de confiança é um freio. Conheça o setor profissional que você escolheu o máximo possível. Faça sacrifícios, mas aprenda nesse meio tempo. Quanto mais você souber, mais as pessoas vão precisar de você. E quando você se torna necessário no seu meio - e isso vale pra qualquer coisa -, que você cresce e chega aonde quer chegar.

Isso foi tudo meio clichê. Não chega a ser motivacional, nem inspirou ninguém, mas a vida é isso. Às vezes a realidade é assim, mais ou menos, sem gosto. E é por isso que eu evito os textos pessoais. Não são pra mim, não sou capaz de ensinar e inspirar os outros. Foi uma experiência nova pro blog, possivelmente não vai se repetir.

2 comentários:

  1. Não chega a ser motivacional mas desnuda verdades.

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  2. Me identifiquei demais por muitos motivos! Eu estou num período de transição agora com o final do mestrado. Minha bolsa/trabalho vai acabar e não sei o que vai ser de mim ainda. Há um tempo atrás isso me deixaria louca. Eu tinha uma necessidade de saber o que eu iria fazer, e teria que ser algo na minha área e eu teria que ser boa. Essa pressão louca que a gente e a vida colocam que não sei da onde vem.
    Mas hoje estou bem tranquila, do tipo going with flow haha O que der pra fazer, farei, o que for necessário também. Acho que com o tempo nossas prioridades vão mudando e aí os pesos das decisões e os tipos de decisões também.
    :*

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