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domingo, 30 de novembro de 2014

Poemas: 71 e 72

71

arte pela arte
longe das clausuras burguesas
dos grilhões da convenção social
enquanto papai pagar o aluguel
e a
         indispensável
                                  viagem à Paris
seu trabalho é sua alma
dinheiro não vale o seu sangue, você diz
sua câmera
            último modelo
        é presente do espírito santo
agora chore
esperneando pelo carinho
que seus ignorantes pais burgueses
           não souberam lhe dar
da forma e no tempo que você desejara


72*

fulano de monóculo em tarde nublada
disse fumando seu charuto
nomes são nada quando de fato
é o sobrenome capaz de amaldiçoar gerações

bem-aventurado o filho do famoso Silva, eu complemento
capaz de se confundir com filho do ordinário Silva
distante da definição da identidade

difícil vida do indivíduo inconfundível
indivisível de si mesmo e seu passado

-
*nunca mais vou pra cama sem papel e caneta, as aliterações e trocadilhos desse poema estavam tão perfeitas madrugada passada...

4 comentários:

  1. Olá! Tudo bom?
    Gostei muito do poema. Sempre fui chegada em vários, na época de escola quando nos davam a opção de escolher qual livro levar para a leitura, eu sempre estava com um repleto de poemas, mal via o tempo passar. Queria muito ter a habilidade de criar algo assim, mas como não dá, admiro aqueles que podem e me emocionam!

    Beijinhos,
    www.percepcoes.blog.br

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    1. Obrigado. Antes de começar a ler seriamente eu tive algum contato com a poesia, principalmente Neruda, então é uma forma que eu gosto muito tanto de ler quanto de escrever. Como assim não dá? É tudo uma questão de prática, no fim são só palavras organizadas do jeito certo (ou não).

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  2. Meus parabéns.
    É difícil encontrar alguém hoje em dia que saiba escrever algo assim com coerência.
    Sempre vou preferir ler textos autênticos do que qualquer outra coisa, é uma pena que sejam raros os sites que encontro com conteúdo assim.

    Beeijos, O Outro Lado da Raposa

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    1. Muito grato. Concordo plenamente. Milhares de blogs, meia dúzia com algum conteúdo. O mesmo vale pros comentários. Sempre fico feliz de ver comentários que vão além do "gostei da poesia - link do meu blog".

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