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quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Pintura Para Principiantes #2 - Jackson Pollock

Anúncio irrelevante: a Comissão Imaginária de Vistoria ou de Vistoria Imaginária vem por meio deste informar que o senhor nomeado administrador deste blog foi intimado à seguir com as colunas que um dia decidira criar. Em respeito aos leitores, essa constante interrupção, coisas que começam, mas não terminam, há de parar. Seguimos agora com a programação normal, a segunda edição do quadro Pintura Para Principiantes, ou PPP (nós da CIVouVI, que admiramos as siglas, aprovamos essa escolha do nomeado administrador, aparentemente sua incompetência tem limites. [Ei! Isso foi desnecessário.] Não interfira com nossos anúncios. [Mas eles levam meia hora.] Basta! Se nos fazemos, de uma hora para outra, presentes no seu conteúdo, caro senhor, é porque por si só o senhor não dá conta do serviço.).


Nenhum leitor deve lembrar, mas no capítulo anterior (publicado meses atrás) falei de Edward Hopper. No último parágrafo, mencionei que o pintor perdeu popularidade conforme crescia o expressionismo abstrato, movimento do qual o nome mais reconhecido talvez fosse o de Jackson Pollock, que, portanto, seria o próximo tema. Como da última vez, deixo claro que não sou crítico de arte. Meu interesse por pintura é recente e meu objetivo aqui é fazer que o leitor aprenda aos poucos comigo. Isso vale mais ainda para um artista como Pollock, que até hoje causa polêmica no meio crítico, dividindo os que veem o valor da obra dele e os que não.

Nascido em 1912, Jackson Pollock começou sua carreira em 1930, inspirado por Digo Rivera e os surrealistas. No inicio, suas pinturas, embora sempre carregassem o aspecto abstrato, eram consideradas inteligíveis. Havia algo de tenebroso nelas, obscuro e por vezes violento, mas não chegavam ao caótico que caracterizaria suas principais obras.


Going West (1938), por exemplo, apresenta uma imagem, mesmo que surreal em suas formas arredondadas, escuras e oníricas, compreensível como se parte de uma narrativa. No mesmo ano, a pintura The Flame, não tão distante do estilo de Going West, já se aproxima do que viria a ser o objetivo de Pollock com a pintura. Sua maneira rústica de reproduzir chamas, com pinceladas brutas, linhas fortes e cores escuras, ele reflete, não a realidade do fogo, mas o fogo de acordo com sua visão particular, distorcida por suas próprias emoções.

   
Ainda procurando sua voz e altamente influenciado pela obra de Picasso e Miró, ele pinta The Moon Woman Cuts the Circle. Muito mais abstrato que as obras anteriores, focando na distribuição das cores e formas que geram uma ideia vaga do tema baseado pelo título. 


Foi em 1947 que ele surgiu com seu estilo e em 1949 expôs a Number One, feita em uma tela enorme, posta no chão. Pollock, então, caminhava ao redor da tela e respingava, gotejava e atirava tinta de parede na tela. O resultado era, aparentemente aleatório, o que dividiu os críticos da época. Por um lado, era sem precedentes. Nada assim nunca tinha sido efeito. Outros se perguntavam se precisava ser feito, visto que era uma obra que ignorava por completo as técnicas convencionais de pintura da época. Pollock dizia que seu objetivo era se tornar parte da pintura e esse era o único meio viável, tornar cada pincelada um movimento particular, motivado por emoção. As revistas daquele tempo diziam que assistir a Jackson Pollock pintando era como assistir a um ritual. Cada movimento que ele fazia parecia calculado e era refletido na tela.

Number One (1949)
 
Number 5 (1948)

Convergence (1952)

Blue Poles; ou Number 11 (1952)

Hoje o estilo é bastante conhecido e até considerado normal, embora sátiras e críticas não sejam incomuns. Falando como principiante admirador da arte, eu gosto. Mas entendo porque não agradaria alguns. A desordem das pinturas feitas entre 1947 e 1953 me fazem pensar na desordem da própria mente humana e, indo um pouco mais longe na filosofia de boteco, na arbitrariedade da vida.

Gostaria de ouvir a opinião dos leitores. Gostaram do estilo? Que pintor eu deveria abordar na próxima edição? Estou tentado a falar de um surrealista, mas estou aberto a sugestões. Por hoje é só. Pra encerrar, segue essa cena de Play It Again, Sam.


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