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sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Poesia: 65

o mundo lá fora geme lamentos guturais
o dia é noite e a noite é dia, cinzas
pelas vidraças da gaiola ar condicionada
de dentro dela só se emite as velhas e chateadas batidas plásticas
rítmicas, harmônicas, sinfônicas, por rotina
tudo é cinza lá fora
as ruas são comidas pelo cinza
os prédios são comidos pelo cinza
os morros são comidos pelo cinza
as iguarias motores ainda falam de dentro do estômago da besta seus rugidos em eco
e as lágrimas do infinito, desse que tudo engole e contém, batem na gaiola
código morse insano em resposta as batidinhas dedilhadas
briga de gritos sem palavras
horas que passam por passar
névoa externa que combina com a interna
não chore pelo seu vazio, mero habitante
não olhe o lado de fora
aquele que vez ou outra te faz vislumbrar algo além das mesas-ilha
não note o fato de tudo, que agora não é visível mas antes era o real, não lhe trará nada
abrace o pedaço da ilha que você toma por identidade por falta de coisa melhor

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