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quinta-feira, 7 de agosto de 2014

poemas 58, 59 e 60

58

sofro suspiros soníferos,
sonhos insones
sob lençóis sonâmbulos,
sussurros esclarecedores
que oprimem o sono.

59

a abstração da poesia
é uma pessoa pendurada
no penhasco com
uma das mãos estendida
fingindo não precisar de ajuda.

60

pense por um instante
que de fato não há presente,
que aquele segundo que vinha
agora é passado recente
e mais segundos escorrem
como grãos de areia
por entre os dedos de um punho fechado.

aonde caem esses pobres grãos condenados?


6 comentários:

  1. Seu progresso poético é surpreendente, você está indo muito bem. Adorei estes, são meus novos preferidos do teu havamal

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    1. Muito obrigado, vindo de você é uma honra. Uma coisa é certa, já não tenho tanta vergonha desses poemas, às vezes até acho que sei o que estou fazendo - é só uma impressão passageira.
      E não sabia o que era havamal, não sou familiarizado com mitologia nórdica. Bom saber, vivendo e aprendendo.

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  2. Tuas poesias são ótimas, muito boas de ler. Pensar no presente como nos versos seria um tanto enlouquecedor, pois cada segundo que se vai já é passado e nem sempre foi aproveitado da melhor maneira possível. Ficou muito bom tal pensamento rimado :)

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    1. Obrigado. É verdade, bem difícil pensar desse jeito. Pior ainda é deixar de pensar desse jeito depois de pensar pela primeira vez.

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  3. Muito bom!
    Não tenha vergonha de seus poemas, muita gente deve sentir inveja deles!

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    1. Muito obrigado. Estou perdendo a vergonha (o bom é que, com vergonha ou sem vergonha, me exponho de qualquer jeito). Mas inveja, duvido muito...

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