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segunda-feira, 14 de julho de 2014

Poemas 55, 56 e 57

55

a cultura brasileira
é a estética do sofrimento.

56

tenho uma sede insaciável pelos rios que correm por entre vales de suas pernas,
me banharei nessa obsessão saudável em planos imaginários de anos,
quero ouvir seus sons de natureza,
selvageria minha talvez, tanto melhor que seja.
que nossos rugidos façam inveja aos leões,
daí então jorrarei minha libido sofrida da espera
pelos mistérios do seu ser.

57

Arte não é moça virgem
de ser cortejada com presentes
e flores e joalheria fina,
não é cortesã de ir com qualquer um
que a pega na esquina
e lhe balança na cara carteira,
a Arte é uma canalha, mas das grandes,
a Arte é amante livre, inteira
ingrata, libertina, musa,
divina à heroína
que te vicia e te usa sem satisfazer
nunca,
mas que após o primeiro toque
ninguém a de largar.

4 comentários:

  1. Gostei dos três, mas o que mais gostei foi o terceiro!

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    1. Eu também. Acho que esse último é um dos meus favoritos (dentre os meus).

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  2. Ótimos poemas, parabéns! :)

    E com toda certeza concordo que a arte depois que começamos a gostar, não conseguimos largar ("mas que após o primeiro toque/ninguém a de largar")

    Beijos!
    Um Metro e Meio de Livros

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    1. Muito grato. Seja bem-vinda e volte sempre.

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