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sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Filmes de 2013 que eu não vi, mas verei

2013 terminou e é mais ou menos nessa época que eu descubro da existência de todos os filmes novos que eu perdi, porque moro numa cidade que não tem cinema - tá bom, tem cinema, mas não passa porra nenhuma; e eu posso ir pra Balneário, mas nem lá eu acho que esses filmes passaram. Sendo assim, pra ajudar minha própria memória, preparei uma lista com as obras que eu quero assistir e resenhar e vou colocar no blog porque vocês gostam de listas, não gostam? Nela eu vou falar um pouco sobre o filme em questão e o que faz com que eu queira vê-lo, meio que uma pré-resenha.

1) Blue Jasmine - Woody Allen

Esse foi o filme que o Woody Allen lançou esse ano. Todo ano tem coisa dele, todo ano eu assisto, às vezes ele acerta, outras erra. Pelo que dizem, esse é um dos acertos. Aparentemente é sobre uma socialite de Nova York tendo que aprender a lidar com a própria ruína. Como sempre, deve ter algum personagem pra fazer o alter-ego do Woody, algum hipocondríaco paranoico meio pervertido e sarcástico (provavelmente é o Louis C.K., e eu vou acabar me identificando de novo, desde Alvi Singer). Não é tão recente assim, achei que já estaria disponível para baixar ou alugar em algum canto, não está.

2) Before Midnight (Antes da Meia-noite) - Richard Linklater

Terceiro filme da trilogia dirigida por Richard Linklater (precedido por Antes do Amanhecer e Antes do Pôr-do-Sol). Tenho no computador, não vi ainda porque quero ver a trilogia completa, aparentemente existe uma sequência e começar pelo último não é uma boa ideia. Tudo que eu sei é que a história se passa 20 anos após o casal do primeiro filme se conhecer (o elenco principal é o mesmo e 20 anos se passaram desde a primeira filmagem). Não sabia quem era o diretor quando ouvi os primeiros elogios sobre esse filme, mas, ao pesquisar, vi que ele fez Dazed and Confused (Jovens, Loucos e Rebeldes - tradução de merda), que é um dos meus filmes favoritos dos tempos de adolescência, meio que um dos muitos responsáveis por eu gostar de cinema hoje (junto com Tarantino, Woody Allen e Godard), então tenho que ver esses filmes também.

3) Inside Llewyn Davis (Inside Llewyn Davis - Balada de um homem comum; porque o subtítulo é necessário) - Joel e Ethan Coen

Ia ver esse aí só por causa dos irmãos Coen, mas quando fiquei sabendo do enredo, tive vontade de ver por causa disso também. A história é baseada na vida de Dave Van Ronk, só que misturada com ficção. Não sabe quem é ele? Bom, ele foi o mentor do Bob Dylan e um dos maiores nomes do cenário folk de Greenwich Village, em Nova York, na década de 60. Precisa de mais motivo?

4) Le Passé (O Passado) - Asghar Farhadi

Me tornei fã de Asghar Farhadi com Uma Separação, de 2011. Jurava que tinha feito resenha desse, mas esqueci. Um dia desses sai. De qualquer forma, Uma Separação foi um dos dramas familiares mais geniais que eu já vi e O Passado parece ter o mesmo estilo, só que se passa na França e não no Irã. Estou prevendo uma análise interessante entre as diferenças culturais entre Oriente Médio e Europa. Aqui no Brasil, reza a lenda que só estreia em maio de 2014. Na França já saiu faz tempo e acho que já está na internet.

5) 12 Years a Slave - Steve McQueen

Estava com um pé atrás com esse aí, achei que era isca pra Oscar, mas não é bem isso. Esse é um dos primeiros filmes sobre a escravidão que conta a história pela perspectiva de um escravo, e não um homem branco que foi forçado a encarar os erros de suas atitudes. Isso é o que faltava nesse gênero. E Steve McQueen já é um diretor renomado, apesar de sua carreira curta. Enfim, esse é um que eu estou ansioso mesmo para assistir.

6) Gravity (Gravidade) - Alfonso Cuarón

Esse é o menos recente da lista, provável que vá estar disponível em locadoras logo, assim com na internet. Não pude ver na época de estreia. Ao que tudo indica, esse é o filme que vai convencer a todos que ainda estavam com um pé atrás quanto à qualidade artística do cinema digital. Cuarón é um dos grandes diretores contemporâneos, e seu "Filhos da Esperança", de 2006, é excelente. Quero ver como ficou esse aí.

7) La Vie D'Adèle (Azul é a cor mais quente) - Abdellatif Kechiche


Esse gerou alguma polêmica e está sendo bastante falado. É baseado em uma história em quadrinhos e, basicamente, é a história de duas garotas se descobrindo sexualmente como lésbicas. A polêmica envolveu mais o diretor e a forma como ele pressionou as duas atrizes principais (proibiu que elas se maquiassem, as filmou enquanto elas estavam fora do personagem, demorou 10 dias para gravar uma cena de sexo - de várias -, filmou 800 horas para um filme de 3 horas, por exemplo), a ponto de ele próprio ter se envergonhado da sua atitude e quase ter cancelado o filme. Outro problema é que esse é mais um filme sobre lésbicas pela visão de um diretor homem heterossexual. Filmes assim têm a tendência de se tornarem fetichistas, meio como "Quarto em Roma" (um dia falo desse). Bom, quero ver antes de falar mais sobre.

8) Only Lovers Left Alive - Jim Jarmusch

Já falei do Jim Jarmusch aqui anteriormente, sou fã, fiquei sabendo que ele fez um filme de vampiro esse ano, mal posso esperar pra ver. Pois é, nesse período em que o vampirismo meio que entrou na moda e já saiu, um dos maiores nomes do cinema "independente" (em aspas porque independente é um termo meio vago e, tecnicamente, os filmes dele, assim como os da maioria dos independentes, são financiados por empresas, geralmente europeias, o que mata o sentido de independente, mas, ei, "indie" é moda, não?) americano decidiu compartilhar a visão dele da coisa. A história é sobre o amor de séculos de um casal de vampiros, que se reencontram, mas são interrompidos quando a irmã mais nova da vampira aparece. Conhecendo o diretor, vai ser uma experiência no mínimo divertida.

9) La Grande Belleza (A Grande Beleza) - Paolo Sorrentino
Único filme italiano da lista. Não sei quase nada sobre ele, mas a sinopse me pareceu ótima, meio que "Um Retrato do Artista Quando Velho", entendem o que eu quero dizer? Um homem, famoso pelo seu primeiro e único romance, ao chegar nos 65 anos, revê sua vida de festas e glórias e se choca com o vazio, passando a buscar, em Roma, a verdadeira beleza. Não conheço mais nada, nem diretor, nem elenco. Fiz uma pesquisa, vi que o diretor tem uma carreira com filmes curiosos, devo ver alguns uma hora ou outra, mas vou começar com esse.

10) Her (Ela) - Spike Jonze



Outro filme que eu já espero faz um tempo. Gosto do trabalho do Spike Jonze desde "Quero Ser John Malkovich" (devo falar alguma coisa sobre esse logo), então realmente quero ver esse filme novo dele. A história é sobre um escritor que se apaixona pelo seu sistema operacional, programado para satisfazer suas necessidades (em defesa do escritor, o sistema operacional tem a voz da Scarlett Johansson). Parece interessante, não acho que já vi uma premissa dessas antes e agora me parece uma época melhor que nunca para falar sobre esse tema. Assim que estiver disponível em algum lugar, verei como ficou.

Essa é a lista, quis me limitar a dez filmes quando vi que tinha muito mais que isso. Esses são só os principais, mas também incluiria na lista The Wolf of Wall Street (O Lobo de Wall Street, Scorcese), Yi dai zong shi (O Grande Mestre, Wong Kar-Wai), American Hustle (Trapaça, David O. Russell), Kill Your Darlings (Versos de Um Crime, John Krokidas), Prisoners (Os Suspeitos, Denis Villeneuve), Enemy (adaptação de o O Homem Duplicado, do Saramago, dirigido também por Denis Villeneuve, vish, dois filmes num ano), Nebraska (Alexander Payne), The Counsellor (O Conselheiro do Crime, Ridley Scott), La Migliore Offerta (A Melhor Oferta, Giuseppe Tornatore - mesmo cara que fez Cinema Paradiso e Malena) e Adieu au Language (Adeus à Linguagem, o 3-D do Jean-Luc Godard). Aguardem essas resenhas durante 2014. Ou não, já que ano passado eu fiz uma coisa parecida com isso e não segui.

6 comentários:

  1. Fiquei curiosa com alguns dos filmes. Aquele da menina com o cabelo azul, aquela capa seria perfeita para um livro.
    Gosto quando fala de filmes, pois sempre são filmes esquisitos ou diferentes. kkkkk
    Tô esperando as resenhas.

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    1. Esse cartaz é pra imitar a capa da história em quadrinhos, então, tecnicamente, é a capa de um "livro".
      É, falar desses filmes excluídos é um dos objetivos desse blog.

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  2. Dos que você listou, venho me roendo de curiosidade por 12 Years a Slave, que me parece muito bom além de ter um elenco que eu gosto muito, e Only Lovers Left Alive. La Vie D'Adèle também pretendo assistir, mas não tô criando muita expectativa por causa de tanta polêmica. Mas dos Palma de Ouro que já assisti nenhum me decepcionou, espero que esse não seja diferente. Por algum motivo Gravidade foi o que menos me interessou, mas com certeza vou dar uma conferida.
    Os outros eu não conhecia e já coloquei na lista pra ver assim que possível.

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    1. 12 Years a Slave parece ser o filme que vai alavancar as carreiras de todo o elenco. Todos da equipe parecem ser competentes, mas não sei se já tiveram algum trabalho de destaque. O diretor fez Shame, há alguns anos, que é muito bem filmado, mas o tema - vício em sexo - parece muito raso, enquanto a escravidão parece oferecer a substância que ele precisa.

      Eu já conheço e gosto do trabalho do Jim Jarmusch, por isso tenho boas expectativas pra Only Lovers Left Alive; já La Vie D'Adèle, estou na mesma que você.

      Quais filmes da Palma de Ouro você viu? Pode ser que eu tenha deixado passar alguma coisa boa.

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  3. Esta lista é muito boa, me surpreende que não tenha algum filme idiota da marvel ou filminhos de ação que lançou este ano (não estou generalizando o gosto masculino). Agora tenho que assistir le passé, adoro filmes franceses e parece ser muito bom. Enfim, parecem parecem todos ótimos e tambem espero conseguir assistir toda a minha lista este ano.

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    1. Não é como se esses filmes (do gosto masculino generalizado, ou só do gosto popular) não pudessem ser bons, alguns até que são ou cumprem com seu objetivo (entreter), mas escolho não falar deles aqui porque todo mundo já faz isso. Não que ninguém fale dos filmes que eu falo, mas é menos comum. Pelo menos entre os blogs de pequeno porte, é bem raro.

      Le Passé deve ser muito bom, devo assistir esse fim de semana e resenhar logo em seguida. Se você não viu, sugiro que veja Uma Separação, do mesmo diretor. É iraniano, não francês, mas é bem humano, um dos melhores dessa nova década.

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