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segunda-feira, 29 de abril de 2013

Aniversário de 1 Ano do Delirando e Escrevendo

É isso mesmo pessoal, este blog teve sua primeira postagem no dia 29/4/2012 e, portanto, está completando um ano de idade. Puta que o pariu! Eu não fazia ideia de que eu ia chegar tão longe, mesmo o blog não tendo crescido muito. Eu ia colocar uma imagem pra enfeitar o post, mas todas as fotos relacionadas a aniversário, principalmente de um ano, são muito entusiasmadas e bonitinhas e isso não é meu estilo, por isso ficaremos sem foto. Eu acho que eu tenho que agradecer às quarenta e poucas pessoas que seguem essa bagunça e, ainda mais, ao punhado de gente que comenta nisso aqui regularmente - talvez esse blog não chegasse a essa idade se não fosse por vocês (tá bom, possivelmente chegaria, mas eu vou dar a vocês esse crédito).

Então, um ano, o que é que eu faço? Pensei nas diversas possibilidades...A maior parte dos blogs faz promoção, mas eu já disse várias vezes que essa porra não é instituição de caridade, então, se tu estiver aqui pra ganhar coisa de graça, pode ir tomar no cu, porque eu não dou a mínima. Pensei em fazer uma resenha diferente, mas todas as minhas resenhas são diferentes. Pensei em fazer vídeo, mas...não vou fazer nenhum vídeo. Libero o capítulo 6 do meu livro...essa porra não é instituição de caridade, caralho! A última coisa que sobrou foi seguir o caminho egocêntrico e preparar um Top 6 dos meus autores, cineastas e músicos favoritos. Isso mesmo, não são livros, filmes e discos, porque isso seria muito difícil, nem Top 5, porque isso é o que todo mundo faz e eu não faço o que todo mundo faz; eu faço o que eu faço. Lembrando que a lista envolve todos os gêneros, épocas e nacionalidades de artistas e não se trata de uma lista de melhores, mas de que mais me influenciaram e acabaram se tornando minha preferência. A ordem definida na lista tampouco indica superioridade, servindo apenas para contagem.


Top 6 Autores

1 - Ernest Hemingway


Já falei várias vezes, ele é meu favorito, seus livros são geniais e eu não me canso de lê-lo, simples assim. Hemingway tem um jeito tão interessante de escrever que, mesmo tratando de temas como pescaria, touradas, caça e boxe - coisas que nunca me interessaram -e ele ainda conseguiu me prender com a leitura e até me fazer mudar de opinião quanto a essas coisas. Na dúvida, quando eu não sei o que ler, leio Hemingway.

2 - Haruki Murakami

Sabe esses escritores que, depois de ler um livro, você quer ler a bibliografia toda do cara? Então, ele é um desses. Li Minha Querida Sputnik e saí correndo atrás do resto imediatamente, o resultado você vê nas várias resenhas que eu já fiz de livros dele. Ele é um desses que, você sabe que não está entre os melhores, mas que têm algo de pessoal que é difícil de explicar. Sugiro que leiam qualquer coisa dele e entendam o que eu quero dizer, tenho certeza que o resultado vai ser o mesmo com vocês.

3 - Richard Yates

Nenhum autor escreveu tragédias modernas tão bem quanto esse cara. Me surpreendi quando li o primeiro livro dele e quero ler tudo que ele já fez um dia, quem sabe até traduzir uma obra dele (plano muito futuro...)

4 - Milan Kundera

Falando em tragédia, Milan Kundera é outro, que une a tragédia da existência, com filosofia pura nos seus romances. Insustentável Leveza do Ser é um dos meus livros favoritos e já li uns outros três dele, tão bons quanto.

5 - Albert Camus


Falando em filosofia, meu filósofo favorito, Albert Camus. Eu acho a visão do absurdo, que ele desenvolveu, fascinante e quero ler e reler a obra dele durante toda a minha vida.

6 - Charles Bukowski

O velho safado, primeiro autor que li do começo ao fim e por vontade própria. É graças a esse bêbado que hoje eu me importo com literatura, então é obrigatório que ele entre nessa lista.

Top 6 - Cineastas

1 - François Truffaut
Diretor de Os Incompreendidos e um dos criadores da Nouvelle Vague. Preciso conhecer mais e mais desse cara, mas, mesmo não conhecendo tudo, ele já é um dos meus favoritos.

2 - Jean Luc Godard
O cineasta que todos procuram depois de se interessarem por cinema arte. Outro dos fundadores da Nouvelle Vague e que já foi resenhado aqui umas 3 vezes. Além disso, ele comeu a Anna Karina e, só por isso, já merece meu respeito.
3 - Ingmar Bergman

O grande mestre do cinema e o outro cara que todos procuram quando descobrem o cinema arte. Esse cara é um gênio, tanto que eu nem tive coragem de resenhar um filme dele ainda, talvez mais tarde eu tenha a ousadia, quem sabe...

4 - Woody Allen
Já falei tanto sobre ele...procurem as resenhas que eu fiz dos filmes dele que já é informação suficiente.

5 - Quentin Tarantino
Não é o gênio que todos dizem, mas é um cara que ama cinema e consegue passar esse amor por meio dos seus filmes, fazendo que os outros, eu, amem cinema tanto quanto ele.

6 - Wong Kar-Wai
Digamos que, mesmo sendo completamente diferentes um do outro, os filmes do Wong Kar-Wai me atingem da mesma forma que os livros do Haruki Murakami. Deu pra entender? Não? Procure ler e assistir aos dois.

Top 6 - Músicos

1 - John Coltrane
A música desse cara é tão genial que até virou religião nos EUA. E eu estou prestes a me converter, pois, se existe um Deus, este só pode ser Coltrane.

2 - Frank Zappa
É o Zappa. Eu não sei explicar, a música dele que te escolhe e não o contrário.

3 - Tom Waits
O Bukowski da música. Esse cara tocou jazz, blues, rock, country, mas, independente do gênero, ele fez a música dele, e acredite, ela é bem diferente. Outra coisa, ele fez com que eu simpatizasse com música industrial e, vai por mim, isso é uma grande coisa.

4 - The Grateful Dead
Meus hippies favoritos.

5 - Thelonious Monk
Meu esquizofrênico favorito.

6 - The Jimi Hendrix Experience (e outras bandas do Hendrix)
É Hendrix porra. Se você não consegue deduzir o motivo, com certeza não entenderá a explicação.

Eu não consigo evitar de me sentir culpado sempre que faço essas listas, porque eu sei que elas não são exatas e que eu deixei passar uma série de artistas, seja por falta de memória ou de conhecimento. Infelizmente é assim que funciona, enquanto você vê um filme, você está deixando de ver milhares de outros filmes tão bons quanto, então diria que essa é a minha lista hoje, ano que vem pode ser completamente diferente.


Acho que isso vai ser minha tradição anual agora. Não...

sábado, 27 de abril de 2013

Sleeping Beauty (Beleza Adormecida) - Julia Leigh


Você assistiu ao filme "Desventuras em Série? Eu não, mas eu tenho uma pergunta pra quem assistiu. Quando você viu esse filme pela primeira vez e viu a personagem da Emily Browning, Violet, de acordo com o IMDB, você imaginou "nossa, como eu queria ver essa garota nua e sendo lambida por um velho cara que, enquanto passa a língua por sua face dormente, enfia os dedos na boca dela"? Imaginou? Qual o seu problema! De qualquer forma, seus desejos bizarros foram realizados. Mas, se você não imaginou isso e cresceu lendo Desventuras em Série e assistindo a adaptação, hoje é seu dia de sorte, você verá sua infância sendo estuprada. Você cresceu assistindo "A Bela Adormecida"? Então é um estupro duplo.


A história de Sleeping Beaty (Beleza Adormecida, para não assustar as criancinhas) é a de uma universitária, entediada e desumanamente indiferente. Ela cheira cocaína, fuma maconha, bebe vodca como se fosse água, em outras palavras, me apaixonei.  Ela passa o dia em seus diferentes trabalhos, nas aulas da faculdade e perdendo tempo com seu amigo viciado e doente, contando piadas sarcásticas um ao outro. E as noites ela frequenta bares. Precisando de dinheiro, ela responde a um anúncio no jornal para um emprego diferente; ela é convidada para fazer parte de um bordel diferente, no qual o sexo não é permitido, só é permitido dormir, literalmente, com a moça e mexer nela da maneira que o cliente bem desejar (a cena que eu descrevi no primeiro parágrafo é real). Os clientes são todos velhos impotentes (em ordem: o bom, o mau e o desastrado - veja o filme e entenda). Esse é o enredo.


Não sei por que as pessoas falam tão mal desse filme. Não é maravilhoso, mas não é tão ruim quanto dizem por aí. Verdade que o ritmo é lento e chega a causar sono em certas cenas, mas é o que o filme pede, e eu, que assisti esse filme ontem à uma da manhã, depois de ter trabalhado o dia todo e acordo por volta das seis e quinze, ou seja, estava cansado, mas mesmo assim não dormi assistindo - não é tão chato assim. Emily Browning faz um trabalho incrível e muito sutil. Ouvi dizer que a personagem dela não é agradável, mas é possível perceber um conflito dentro dela, devido à algumas expressões faciais muito discretas. Ela é indiferente e fria, mas sofre tanto quanto qualquer um e isso se torna claro nos instantes finais do filme. As imagens são belíssimas e a atmosfera do filme é perfeita, principalmente pela ausência de música nas cenas.

Ou eles drogaram essa atriz de verdade, ou ela é a melhor atriz que eu já vi - essa é a cena mais leve do filme.
O filme tem seus defeitos. Algumas linhas de diálogo são fracas e alguns personagens acabam se tornando mais interessantes que a protagonista - o velho da foto acima, que em um momento faz um monólogo muito interessante, e o amigo dela, que eu achei que foi pouco explorado, tornado as cenas dele menos comoventes do que deveriam ser. O ritmo, por mais que não tenha me incomodado, poderia ter sido melhor e a razão disso é o fato da roteirista e diretora ser uma romancista e ter feito o filme como se fosse um romance. É verdade que esse tema já é comum em livros (vide A Casa das Belas Adormecidas, de Yasunari Kawabata e Memórias de Minhas Putas Tristes, de Gabriel Garcia Marquez), mas eles contam a história pelo ponto de vista do velho e não da mulher, por isso achei criativa, embora mal explorada, a premissa da obra.

Sugiro que assistam e formem sua própria opinião. O filme é um drama erótico, mais focado no lado artístico do cinema, por isso eu indico mais para aqueles que gostam desse tipo de filme.

Nota: 3,5 / 5,0



quarta-feira, 24 de abril de 2013

The Grateful Dead - American Beauty


Eu admito, sou um hippie frustrado, que nasceu no tempo errado e daria tudo para viver nesse período mágico entre 65 e 69, na região de San Francisco, frequentando os shows improvisados, os Acid Tests, o Verão do Amor, Woodstock, os bacanais na lama, tudo que essa época podia oferecer. Convenhamos, nada nessas proporções voltou a acontecer e nem vai, todas as gerações subsequentes a esse movimento perderam. Independentemente disso, The Grateful Dead se tornou uma das minhas bandas favoritas durante a minha adolescência e se manteve nessa posição até hoje e, mesmo grande parte dos membros da banda estando mortos e eles tendo encerrado suas atividades, me considerado um Deadhead. Um Deadhead atual, digamos, que seguiria os passos da banda, se ela ainda existisse, e me proponho a lutar pelos ideais que ela pregava - amor livre, paz e liberação das drogas recreacionais.
 
 
American Beauty é o sexto álbum da banda, lançado em 1970, quando o movimento hippie começou a entrar em decadência. Em contra-partida, este disco não é, de forma alguma, decadente, pelo contrário, representa um ponto de maturidade musical para o grupo. Se o que eles faziam antes era um rock descompromissado e improvisado, nessa obra eles mantém esse estilo, mas inovam, mesclando a esse som simples, toques de jazz, country, blues e folk, mudando a sonoridade da banda, mas permancendo em suas raízes. Músicas como Truckin', Sugar Magnolia, Friend of the Devil e Box of Rain, tornaram-se clássicos absolutos da banda e algumas de minhas faixas favoritas também, enquanto as outras faixas, embora não tenham recebido muita visibilidade das rádios da época, também são excelentes, tornando American Beauty uma obra impecável.
 
 
É possível que eu esteja exagerando e dando uma opinião muito pessoal sobre esse disco, mas é assim que eu penso e não acho que estou superestimando nada. Infelizmente, The Grateful Dead não foi uma dessas bandas como Rolling Stones e Led Zeppelin, que conseguiram sobreviver e hoje fazem parte da cultura pop. No entanto, a base de fãs do Dead se mantém firme, embora sempre pequena, mas a relevância dessa banda para o mundo da música vai sempre ser gigantesca.
 
Nota: 5/5
 
 
 
 
 


sábado, 20 de abril de 2013

Ter e Não Ter - Ernest Hemingway


Eu já escrevi alguma coisa sobre o Hemingway aqui? Acho que não. Fiz uma resenha de "O Sol Também se Levanta" no Skoob, mas nunca falei nada sobre ele no blog. Sem muita enrolação, ele é meu escritor favorito. Eu realmente admiro a forma da escrita do Hemingway, econômica, direta, simples, mas sempre eficaz e precisa, assim como eu admiro a visão pessoal do Hemingway sobre a vida, a literatura e sobre si próprio e a maneira que um escritor deve agir. Ele foi um dos poucos autores confiantes, que sabem o quanto eles são bons e exigem serem tratados como tal, e isso, pra mim, é muito interessante. Ele ganhou o nobel em algum momento da década de 50 e escreveu vários romances e coleções de contos, entre os quais já li 6: O Sol Também se Levanta, O Velho e o Mar, Adeus as Armas, Paris é uma Festa, Ter e Não Ter - resenhado de hoje - e As Neves do Kilimanjaro e outros contos.

Ter e Não Ter conta a história do capitão Harry Morgan. Homem simples que tem como único objetivo proteger e sustentar a família que ele ama, mesmo que para isso ele precise viver fora dos limites da lei e arriscar a si próprio. O cenário do livro se passa entre Key West, nos EUA, e Cuba, com uma bela descrição de cenário, não só pela paisagem, como também as figuras que convivem com Harry. Acompanhamos um pouco de outros personagens também, mas o foco é em Harry e sua tragédia pessoal.

Hemingway me influenciou tanto que, se eu conseguir publicar um livro, arranjarei um gato.
Esse é o livro mais politizado de Hemingway, com toques socialistas e uma forte crítica às revoluções que aconteciam em Cuba na década de 50. Estranhamente, por mais que eu goste do autor e me doa dizer isso, esse livrou não me prendeu tanto quanto os outros. Não sei definir o motivo. Não sei se foi a sensação de "mais do mesmo", se a forma de narração me pareceu instável e pouco concentrada (o livro começa em 1ª pessoa pela perspectiva de Harry Morgan, depois vai para 3ª e começa a passear pelos personagens, sem nunca se focar em um), se foi culpa minha, só sei que não foi uma experiência tão boa quanto seus outros livros o foram.

Definitivamente, não é um livro ruim. Tudo que faz com que eu veja Hemingway como um gênio está presente nesse livro, só que eu acho que o santo não bateu. Foi bom, mas não foi ótimo. Talvez se ele ficasse com apenas um narrador, já que a mudança me pareceu arbitrária, fosse melhor. Talvez eu precise reler um dia. Talvez até seja culpa da tradução, que não tenha sido capaz de me passar a mágica do Hemingway com perfeição (tenho quase certeza que foi isso, tenho que ler o original desse livro para confirmar. Na verdade, tenho que ler toda a bibliografia do autor no original, nem sei por que não fiz isso ainda). Se você nunca leu Hemingway, sugiro que comece por outro antes de partir pra esse. Se gosta, assim como eu, dê uma chance.

Nota: 4/5 (parece muito, considerando a crítica, mas os outros dele levariam nota 6, se eu os tivesse resenhado)

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Machete - Robert Rodriguez


Como eu posso introduzir esse filme? Acho que explicar seu contexto e origem é uma boa ideia. Bom, um belo dia, Robert Rodriguez (famoso por From Dusk Till Dawn, a Trilogia do Mariachi e Pequenos Espiões - não é piada...) e seu amigo Quentin Tarantino (Pulp Fiction, Cães de Aluguel, Django Unchained), decidiram homenagear os velhos filmes B e fizeram o festival Grindhouse, apresentando dois longas metragens e alguns trailers falsos com finalidade cômica. Entre esses trailers, estava Machete, um filme de ação, sobre um assassino mexicano, ex-policial federal, atrás de vingança. Clichê? - você pergunta. Pode apostar! Esse é o objetivo do filme, mas antes que eu vá com muita sede ao pote, agora que vocês já sabem de onde veio o filme, falarei sobre o enredo.


Machete (Danny Trejo), é um policial federal mexicano, com a missão de prender o grande traficante de drogas Rogelio Torrez (Steven Seagal...você leu corretamente, não se preocupe). A missão é uma cilada, Bino; a esposa dele é assassinada por Rogelio, a filha (ou filho, não lembro) dele também - só que não em cena, só por diálogo - e Machete é gravemente ferido. Passa um tempo, ele sobrevive e vira trabalhador ilegal nos EUA. Nisso ele é contratado por Michael Booth (Jeff Farhey) para assassinar o senador (Robert de Niro), que tem como campanha uma forte política contra a imigração, incluindo a adição de patrulheiros e cercas elétricas. Acontece que o Machete insiste em não ouvir o Bino e cai em outra cilada, mas sobrevive mais uma vez. Para realizar sua vingança, ele se une a Sartana (Jessica Alba), que é uma fiscal da imigração, a mítica figura "She" - Ela (Michelle Rodriguez) -, um padre (Cheech Marin, das velhas comédias sobre maconha "Cheech & Chong", e voz de uma das hienas do Rei Leão - referência para o meu público mais jovem) e todo um time de mexicanos, em uma batalha violenta e absurda.


Esse é o melhor filme ruim que eu já vi na vida, e esse é justamente o objetivo do filme, portanto isso é um elogio. O enredo é cheio de clichês. As atuações são risíveis, intencionalmente. Tudo que um filme não deve ser, esse filme é, e tudo de propósito, até mesmo a baixa qualidade do filme em que ele foi gravado, levemente danificado para dar um toque de filme B. Ainda assim, é extremamente divertido.



O elenco é ótimo e chega até a ser impressionante. A trilha sonora e todo o clima do filme é ridículo, mas isso é bom, nesse caso, já que esse filme não deveria ser bom mesmo. Se ele é ruim, é porque cumpre seu papel como homenagem aos exploitations da década de 70. Ele é ultraviolento, ofensivo em alguns momentos, cheio de nudez e sexo desnecessário para o enredo, mas muito divertido. Convenhamos, quem não acha engraçado ver o Machete arrancar a cabeça de 3 capangas com um golpe; ou fazer um ménage à trois em uma piscina, com a Lindsay Lohan e sua mãe (mãe no filme, não a real. Parece óbvio, mas é bom especificar); ou Machete usando os intestinos de um cara como corda. É exagerado, ridículo e absurdo, mas extremamente engraçado.

Eu gostei. Sei que não vai agradar a muitos, mas foda-se. Pra mim, esse filme é uma boa diversão de fim de semana e eu já o assisti duas vezes. Também mal posso esperar pela continuação, anunciada nos créditos do filme como uma piada, mas que realmente vai existir e já está em produção. Como vai ser a continuação? Veja o pôster:

Nota: 4/5



quinta-feira, 18 de abril de 2013

Murder by Death (Assassinato por Morte) - Robert Moore


Se tem um gênero que é difícil de se acertar é a comédia. Primeiro porque o gênero já é desprezado logo de cara. Hoje o termo comédia foi explorado ao ponto de quase nada ter graça, já que qualquer sátira meia-boca e mal feita pode receber o título de "engraçado". Segundo e diretamente relacionado ao primeiro, além dos filmes de ação e terror, nenhum outro gênero tem tantos maus representantes de seu nome. Na verdade, diria até que a comédia lança filmes piores que os gêneros ação e terror juntos. Terceiro, na comédia existem muitos jogos de palavras, por isso, é fácil se perder na tradução, quando não se tem um domínio razoável de um idioma. Não concorda? Procure uma piada qualquer em inglês e tente traduzi-la para o português, sem perder nem um pouco do efeito cômico. Enfim, o que eu quero dizer com tudo isso é que comédia é um gênero difícil de se trabalhar, mas, ao mesmo tempo, desprezado, por culpa de certas maçãs podres. Assassinato por Morte é um bom representante do gênero.
 
 

O enredo trata do milionário excêntrico, Lionel Twain (interpretado por Truman Capote), que vive em uma mansão altamente tecnológica e cheia de truques, que convida os melhores detetives do mundo para um jantar em sua extravagante residência. Lá, Capote (esse não é o nome do personagem, mas, me desculpem, pra mim é impossível separar os dois e eu já explico o motivo) lança um desafio aos detetives, informando-lhes que haverá um assassinato naquela mansão, à meia noite, e que, se eles fossem realmente os melhores, seriam capazes de deduzir quem é o culpado. Nesse contexto é que são geradas as situações cômicas, satirizando os romances de suspense.
 

Essa foi uma comédia divertida. Nada muito hilário ou espetacular, mas me entreteve e não foi apenas uma risada barata, mas deu pra perceber que existiu um mínimo de esforço durante a preparação desse roteiro. Os tais melhores detetives, não são apenas estereótipos vazios, mas sátiras reais dos grandes gênios da percepção literários, por exemplo: Hercule Poirot (Milo Perrier), o Falcão Maltês (Sam Diamond), Charlies Chan (Sidney Wang), Ms. Marple (Jessica Marbles). Além disso, todas as deduções de um detetive, são rebatidas com as de outro, seguidas com uma espécie de "crítica literária" ao autor real do personagem, fugindo das barreiras satíricas do filme, sendo, o final, uma grande crítica deles todos por parte de Truman Capote.
 
 E é por isso que eu não consegui separar esse personagem de seu intérprete. Capote não é exatamente um bom ator, pois ele apenas age como ele mesmo. É verdade que Charlie Sheen fez isso durante a maior parte da carreira dele e não foi criticado por causa disso, mas é estranho quando se trata de uma pessoa com uma presença tão grande - embora ele mesmo fosse de baixíssima estatura. O mais engraçado é que, no livro "Música para Camaleões" - coletânea de contos de Truman Capote e último livro terminado que ele publicou -, em seu conto final, Capote faz uma espécie de entrevista consigo mesmo e admite ter aceito esse papel apenas pelo dinheiro - eu achei engraçado. Outro fator que torna difícil de separar Lionel de Truman, é a implicância dele com o inglês de Sidney Wang (interpretado pelo grande comediante Peter Sellers), lembrando que Truman Capote prezava pela perfeição na linguagem.
 
Enfim, um filme engraçado. Nada espetacular, com algumas piadas boas e outras nem tanto. Um bom elenco, mas com alguns defeitos de interpretação. Uma diversão para o fim de semana.
 
Nota: 3,5/5




sexta-feira, 12 de abril de 2013

Yeopgijeogin Geunyeo (Minha Garota Bizarra) - Kwak Jae-Young


Ultimamente eu ando fazendo uma pesquisa sobre o cinema asiático. Não só o japonês, mas o coreano, o chinês e de toda essa multidão de povos. Há uns dias atrás foi a vez de Hong Kong e agora eu cheguei na Coréia do Sul, com o grande sucesso comercial Minha Garota Bizarra (gosto de usar os nomes originais, mas tenta escrever essa porra desse título em coreano). Geralmente, os filmes estrangeiros que eu resenho são artísticos, cult; não dessa vez, agora eu vi um filme comercial. Tão comercial, que chegou a ser comparado a Titanic, em sua terra natal.

O enredo é bem simples. Kyun-Woo (interpretado por Tae-hyun Cha, seja ele quem for) - mas, como o nome é complicado e ele tem uns lábios à boneca inflável, o chamarei de Zé Beiça (ia chamar de Betty Boquete, mas achei que ia ficar muito forte...) - encontra uma garota bêbada no metro (garota essa que se mantém sem nome ao longo de todo o filme, mas é interpretada por Gianna Jun, também, seja ela quem for). Zé Beiça é, na primeira parte do filme, chato pra caralho. Ele é um moleque fresco, meio criado pela avó - embora, na realidade, ele não tenha sido criado pela avó, só parece -, que, de início, não gosta da garota, por ela estar bêbada e garotas bêbadas o enojam (vai entender esse cara!). Então eles fazem uma piada com estupro, que eu achei que demorou pra chegar, considerando que é um filme asiático. Aí os dois vão se aproximando, a história se desenvolve, a garota revela ser uma espécie de Moe, dos Três Patetas, no meio do filme. Aquele vai-e-vem, típico de comédia romântica, mas, nesse filme, muito diferente do padrão.

Mantenho minha opinião: garotas asiáticas me lembram coelhos.
 Eu não faço ideia do que achar desse filme. Nunca odiei e amei, ao mesmo tempo, tanto assim um filme. Em alguns momentos ele é original, sensível e muito bonito. Em outros é uma montanha de clichês e atos sem sentido, que me fizeram gritar: "Puta que o pariu, filme! Eu queria gostar de você, mas você me apronta uma dessas, vá se foder!" Sério, alguns encontros e desencontros são tão forçados que chegam a dar raiva, a trilha sonora é extremamente chata e algumas atitudes dos personagens, principalmente do Zé Beiça, que é um boca-mole do caralho, são absurdas. No entanto, acho que o problema não é do filme, nesses quesitos. O problema sou eu, pois isso deve se tratar de uma questão cultural. O senso de humor oriental é completamente do ocidental e, pelo visto, não é bem o meu senso de humor.

Só que, com todos os defeitos, não posso dizer que não gostei do filme. Quer dizer, o crítico metido que vive dentro de mim está furioso por me ver admitindo isso, mas ele é muito bom no que se propõe a fazer - contar uma história simples, altamente relacionável e no contexto cultural da Coréia. Eu posso achar absurdo os dois namorarem por meses e não se beijarem nem uma vez (sexo, então, nem é mencionado direito, salvo por uma piada envolvendo uma camisinha), mas isso não quer dizer que o filme seja ruim. Os personagens se desenvolvem muito bem e a Moe, com o tempo, vai justificando suas atitudes, não por meio de clichês, mas motivos reais, que fazem com que o espectador se sensibilize com ela. E a Gianna Jun é uma excelente atriz, que consegue passar esses sentimentos ambíguos e todo o conflito interno para a tela. Não gostei do Zé Beiça, mas, em alguns poucos momentos, ele também demonstra crescimento e até se torna uma criatura suportável.

Aparentemente, a história é quase verdadeira e foi, antes de se tornar filme, um livro best-seller na Ásia, que nunca foi traduzido para o português e, acho eu, nenhuma língua ocidental. É um filme falho, mas, se você está atrás de um entretenimento leve, para assistir com uma namorada, por exemplo, é perfeito - repito, no que se propõe a fazer e não como cinema arte. Achei melhor que a maior parte das comédias românticas de Hollywood, até mesmo a aclamada e já resenhada por estas bandas "Lado Bom da Vida", e muito melhor que Titanic, que não passa de um romance barato e forçado, inserido numa tragédia real, para aumentar o drama e ganhar bilheteria. Enfim, um bom filme.

Nota: 4/5

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Pulp Fiction - Quentin Tarantino


Nenhum outro filme me deu tanto trabalho assim para eu montar uma resenha. Quem lê meus textos com alguma frequência, sabe o quanto eu amo esse filme. Nenhum outro filme me influenciou tanto de forma pessoal, quanto Pulp Fiction. Eu assisto essa obra, religiosamente, uma ou mais vezes por ano, desde os meus quatorze anos. Não sei quantas vezes já assisti Pulp Fiction, mas, mesmo assim, toda vez que assisto, sempre encontro algo novo. Uma fala, que antes eu não tinha entendido, uma referência, um som de fundo que dá sinal para alguma coisa que vai acontecer em outra cena. É um filme feito com tanta paixão e cuidado, que mesmo não sendo o melhor filme da história - não é, e nem de perto -, é, talvez, meu favorito, pois, sem ele, eu nunca teria me interessado por cinema. Talvez me interessasse pelo cinema hollywoodiano, comercial, mas não o cinema artístico, que hoje serve de base para quase tudo que eu faço.

Só um aviso, antes de eu continuar, eu vou soltar um spoiler aqui e ali. Não é o objetivo, mas eu me conheço, vai acontecer - eu me empolgo falando desse filme. Mas o negócio é o seguinte, esse filme foi lançado em 1992, se você não viu ainda, vai pra puta que te pariu - exceto você, Danika (a ainda silenciosa, parceira deste blog, para quem não conhece), nós já conversamos e você vai corrigir esse seu problema -, pare de ler essa porra dessa resenha, baixe a porra do filme, assista, volte aqui nessa porra desse blog e faça uma porra de um comentário!


O filme é dividido em três partes, inicialmente não relacionadas, mas que se interligam perfeitamente no final. Sendo que a história não é linear, é necessário completa atenção durante as 2h36min de filme, o que não é difícil, considerando que a história é uma diversão do começo ao fim - daqueles que, parecem longos, mas quando acabam parece só 5 minutos. A viagem que o filme faz iria mais ou menos dessa maneira: começa pelo meio (cena do café), vai pro começo, depois para o fim, então volta para o meio e fecha a história. Durante todo o tempo, pequenos detalhes dão sinais das outras partes, por exemplo, na cena do café da manhã, é possível ouvir a voz do Samuel Jackson no fundo; quando o Bruce Willis - que faz parte do fim da história - volta para casa, em uma determinada cena, ouve-se um rádio comentando um concurso de dança que acontece no começo. E isso são coisas que eu só percebi recentemente. Além disso, o Tarantino presenteia os mais atentos, deixando pequenas piadas particulares ao longo da obra, que só aqueles que conhecem seu trabalho perceberiam, vide a presença de Steve Buscemi, como um garçom (mais exatamente o Buddy Holly) de um restaurante temático à década de 50. Qual a graça? Em Cães de Aluguel, Steve Buscemi (Mr. Pink), diz não dar gorjetas a garçons.


Mas e quanto a história mesmo. Bom, Vincent (John Travolta) e Jules (Samuel L. Jackson), são capangas do Marsellus Wallace (Ving Rhames). Os dois são encarregados de recolher uma maleta, de conteúdo desconhecido, mas de extrema importância e valor, que foi "roubada" por uns bandidos inferiores. Enquanto isso, Butch (Bruce Willis), um boxeador sem muitos anos de carreira restando, está prestes a vender sua próxima luta para Marsellus. É nesse contexto que toda a história acontece e que o leitor vai precisar ver o filme para conhecer.


O que faz de Pup Fiction um bom filme, ou melhor dizendo, um filme especial em relação as outras dezenas que são lançadas por aí. Diferentemente do que dizem, não é por genialidade do diretor, nem originalidade, nem nada do gênero. Não acho, ao contrário de muitos, que o Tarantino é um herói do cinema moderno. O filme é especial, por causa da paixão envolvida em toda a produção. Tarantino não foi nenhum mestre, estudante de cinema, recebido de portas abertas por Hollywood. Ele foi só um cara que gostava tanto de cinema, que decidiu fazer seu próprio filme - e teve sucesso. De certa forma, é o entusiamo quase adolescente do diretor, que deixa o filme bom. Ele quer deixar sua marca e isso é visível, tanto que, nesse filme, foram definidas dezenas de detalhes que se tornaram assinaturas do diretor, indo de ângulos de câmera específicos, até fetiche com pés. E isso me leva a outro ponto, é um filme pessoal. Tudo no filme faz parte da pessoa do diretor, até as músicas escolhidas como trilha sonora, já que ele não trabalha com orquestras e compositores, são extremamente pessoais, tanto que se encaixam perfeitamente no roteiro, mesmo não tendo nada a ver com o clima - em alguns momentos. Enfim, é um amante de cinema, falando com outros amantes de cinema.


O diálogo. Se existe algo de genial nesse filme, é o diálogo. Esses personagens não conversam sobre o enredo do filme - como acontece em muitos casos -, eles falam da vida deles, hábitos, viagens, coisas assim. Coisa tirada do escritor favorito de Tarantino, Elmore Leonard, que fazia diálogos assim. As conversas são tão boas, que se tornaram ícones do cinema. Quem nunca ouviu falar da discussão "como se pede um 'quarteirão com queijo' na Europa", ou da conversa sobre a relevância sexual da massagem nos pés (à propósito, concordo com o Vincent nessa questão), ou sobre "qual animal é mais sujo: cachorro ou porco". Esse filme faz com que eu deseje morar em uma região que tenha inglês como língua materna, só para que eu possa parafraseá-lo sem me perder na tradução. O que não me impede de, às vezes, repetir frases como: "português, filho da puta! Você fala?" - quando alguém demora pra entender o que você está falando e fica perguntando "o que?", "o que?", "o que?" - "I'll get medieval on your ass, motherfucker." e coisas do gênero.


É um dos meus filmes favoritos, mas, embora eu tenha feito parecer, não é o melhor já resenhado por aqui, só que é o mais pessoal. Um filme que eu posso ver dezenas de vezes, sem me cansar e sugerir para qualquer um que tenha um mínimo interesse por cinema, ou queira desenvolvê-lo.
Nota: e precisa perguntar? 5/5






quarta-feira, 10 de abril de 2013

Chung Hing sam lam (Amores Expressos) - Wong Kar-Wai (1994)




 Antes de qualquer coisa, é com muito orgulho que eu lhes informo que uma resenha minha de "Cisne Negro" foi postada no blog Universe for Words. Pra você que não conhece, esse blog é comandado por uma garota muito talentosa chamada Julia Helena, mas que atende por Coral, e é cheio de resenhas de livros, comentários sobre hábitos de leitura, fotos e textos sem tema definido, tudo de autoria da própria Coral. Se você não conhece, vá logo até lá e siga ela também. E não se esqueça de dar uma olhada na minha resenha.

Agora vamos ao filme da vez. Se eu fizesse uma lista dos meus diretores favoritos... bom, seria uma lista longa pra cacete, mas que eu me esforçasse para resumir tudo que eu gosto no cinema, em uma lista de 5 diretores, ela seria composta de: Godard, Tarantino, Woody Allen, Bergman e Wong Kar-Wai. Essa não é a minha lista dos melhores, mas daqueles que me afetam de forma pessoal. E é do Wong Kar-Wai o filme que eu resenharei hoje - para vocês que estão contando, é o terceiro dele aqui.



A história é dividida em duas partes, interligadas, mas não relacionadas, girando em torno da vida de dois policiais em Hong Kong e suas vidas amorosas. Policial 223 (interpretado por Takeshi Kaneshiro) - isso não é piada, esse é nome do personagem nos créditos - perdeu a namorada faz quase um mês. 1º de abril, data de seu aniversário, o mês se completa. Mesmo depois de tanto tempo, ele ainda sofre pela perda e faz loucuras como, comer dezenas de latas de abacaxí em conserva estragadas, ou prestes a estragar - assistir ao filme não vai te ajudar a compreender esse ato. Até que, num bar, ele cruza com uma misteriosa traficante - nos créditos ela é "mulher da peruca loura", interpretada pela Brigitte Lin -, que acabou de ter um dia péssimo.
Eu sei o que você está pensando: - ela deve ser aeromoça. - Acertou!
 
 
Então passamos a acompanhar o policial 663 (Tony Leung Chiu Wai), que parecia viver bem com a aeromoça (interpretada pela miss Hong Kong, Valerie Chow) - esse é um filme minimalista com nomes. Até que ela termina com ele. Faye (Faye Wong), uma adorável atendente de lanchonete, que ama a música California Dreamin', do The Mamas & The Papas, passa a se interessar pelo policial, mas ele a acha muito masculina para o gosto dele, no início. Ela continua insistindo e ele vai se apaixonando.

Isso provavelmente não faz o menor sentido, mas mulheres asiáticas me lembram coelhos...

Eu realmente gosto dos filmes do Wong Kar-Wai e da forma que ele trabalha gênero. Esse filme é um romance, no entanto, carrega traços do gênero policial, e nunca se entrega aos típicos clichês do drama romântico - nem é um filme tão dramático assim. Ele simplesmente conta uma história muito comum, e a torna interessantíssima e muito bela de se assistir. As técnicas de direção dele, o bom uso das cores e da música, estão presentes e, mesmo esse filme tendo sido feito as pressas, dá para ver que foi feito por amor e por diversão. Dava pra falar mais sobre, mas deixa pra lá. Assistam, porque é excelente, é só isso que eu tenho a dizer.
 
 
Nota: 5/5

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Film (Filme) - Alan Schneider / Samuel Beckett


Estamos tendo muitos "primeiros" aqui no Delirando e Escrevendo, essa semana. A primeira resenha de um filme pornô e agora a primeira resenha de um curta metragem, isso não é maravilhoso? Eu também acho. Esse filme - que atende pelo nome de "Film", ou Filme, no Brasil (tradução minha, já que eu acho que esse filme não veio parar por essas bandas) -, foi escrito pelo dramaturgo irlandês, vencedor do Nobel de literatura, Samuel Beckett (mais conhecido pela peça Esperando Godot), e é estrelado pelo famoso comediante sem expressão, Buster Keaton - o avô de Camille Keaton, moça que foi estuprada em "Dia da Mulher", ou "I Spit on Your Grave", lembram dessa referência?

O enredo é sobre um homem que não quer ser visto, baseado no princípio do Bispo Berkeley "esse est percipi" (ser é ser percebido). Ele anda pelas ruas com pressa, cobrindo o rosto e atropelando as pessoas, sempre evitando qualquer contato visual. Em seu apartamento ele tenta eliminar qualquer coisa que possa gerar percepção - janelas, espelhos, e por aí vai. Mesmo assim, ainda restavam um gato e um cão, que sempre o observavam, então ele os retira do quarto. No entanto, sempre que ele retira um, o outro volta. Ele finalmente retira os animais, mas ainda lhe resta um peixe dentro do aquário; ele cobre o aquário, mas não consegue se sentir em paz. Algo ainda o observa, algo onisciente e invisível.


Como vocês perceberam, não me incomodei em entregar todo o enredo logo de cara, simplesmente porque não existem spoilers. Não é um filme óbvio, ele permite diversas interpretações, que variam de acordo com o espectador - é isso que torna a obra tão interessante. Além do mais, esse é um filme mudo, mudo de verdade. Não só pela ausência de falas, mas também de qualquer som - música, vozes, respiração, passos, nada existe, exceto por um "Shh". Isso em um tempo que o cinema falado já era mais que comum, 1965. Em nenhum momento vemos o rosto do protagonista, salvo pelas cenas finais, o que causa certa ansiedade, principalmente pelo ator ser alguém tão conhecido pelo seu rosto, Buster Keaton.


Eu achei o filme extremamente interessante, assistindo-o duas vezes seguidas - já que ele só dura uns vinte minutos. E o mais interessante é que, mesmo com vinte minutos, não sei dizer se o entendi por completo. É uma obra que carrega muito conteúdo, mesmo não sendo quase nada - um homem andando por uma sala. Levanta questões como, quem é este homem? Por que ele não quer ser visto, nem por animais? O que é que lhe persegue? Deus? Uma câmera? E qual o motivo de seu medo?


É um desses filmes que te faz querer discutir. Infelizmente não conheço mais ninguém que o tenha visto, mas gostaria muito que meus leitores o vissem (os que já não o viram) e comentassem sobre, tentassem gerar uma discussão.

Nota: é o primeiro curta-metragem que eu assisto seriamente e ele me intrigou bastante, então 5/5
 
 
 
Achei no Youtube, caso queiram assistir.