Páginas

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

e os poemas continuam

12

ó geração que tem tudo e sabe nada.
são vocês,
com seus aparelhos e simulações e digitalizações e digitações e vidas virtuais de um mundo em dados que imita a vista da janela,]
são vocês,
com suas compras e roupas e marcas e modas, invenções por segundo e inovações e atropelamentos e constantes inutilizações que criam o obsoleto num piscar de olhos,]
são vocês,
com suas fumaças e plásticos, desejos de paz falsos e multinacionais hipócritas, propagandas em carne e online e quebras de privacidade voluntárias,]
são vocês,
meus caros,
e todas as suas montagens, todas as suas vidas de felicidade fabricada,
repito
- vocês -
que me fazem perder o desejo pela vida eterna.
alivia-me saber que,
quando tudo for público, plástico, nuvem, número,
quando tudo for falso,
e será logo, já que tudo tem de ser rápido pra vocês,
estarei debaixo da terra junto a tudo que foi vivo um dia e assim desejou se manter.
meu único medo é que a vida de vocês venha mais rápido que minha morte
e digitalizem o meu cadáver também.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

caixa do afeto e da hostilidade