Páginas

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Sobre os Padrões de Beleza e o Narcisismo de Academia





Olá, meu nome é Raphael e eu não frequento uma academia. Essa é a parte que vocês, leitores que compartilham de minha condição, levantam-se de suas cadeiras e, com um sorriso levemente entorpecido e olhar vitimizado, com voz de piedade me respondem: “Olá Raphael” – formando um coro disforme. É a verdade, não frequento, não consigo me sentir bem em um lugar desses, mal consigo me sentir bem em um lugar com outras pessoas, que dirá um com pessoas levantando pesos, suando e se autovenerando – não é para mim.

Não posso ir tão longe a dizer que nunca tentei, no entanto, mas fazem anos. Devia ter uns dezesseis, no máximo. O doutor disse: escuta Raphael, sua saúde não está tão bem, você está um pouco acima do peso, mas, principalmente, seu colesterol está alto e seu histórico familiar – que inclui problemas cardíacos, diabetes, depressão e alcoolismo -, indicam que, se você não fizer nada por você – eu adoro essa expressão -, aos vinte, você vai ter os mesmos problemas que seu pai tem aos quarenta. Então eu me inscrevi, assim como noventa por cento da população brasileira, em uma academia, e assim como noventa e nove por cento dessa porcentagem, desisti em um mês, só que não pelos motivos de sempre.

Deixe-me explicar. Meu objetivo com a academia não era me tornar um clone de Lou Ferrigno, banhar-me em tinta verde e óleo corporal, para atirar carros por aí; apenas evitar que eu infartasse aos vinte, conforme o doutor profetizava – como estou escrevendo esse texto aos vinte e dois, quase três, posso mandar aquele puto à merda. Sendo assim, minha rotina se focava na esteira elétrica e alguns outros exercícios cujos nomes eu desconheço e pelos quais eu não me interesso o suficiente nem para buscar no Google.

A maior parte das pessoas pode desistir porque perdem a sensibilidade das pernas no dia seguinte ao primeiro dia de exercícios. Eu não. Eu continuei, duas vezes por semana, pelo resto do mês. Tampouco desisti porque o esforço não parecia surtir qualquer resquício do que poderia vir a se tornar um resultado satisfatório, sou paciente. Desisti por causa dos espelhos.

Vejam bem, se vocês nunca frequentaram uma academia antes, saiba que o ambiente é cercado de espelhos, sério, em quase todas as paredes. Se você acha que um espelho acima da cama em teto de motel é desprezível, imagine por um instante o que representa a presença de um espelho em frente a um aparelho de academia. Significa que a pessoa se exercitando não só gosta, mas deseja ver a si mesma durante o ato do exercício, deseja imaginar seus próprios músculos crescendo e tomando forma, suas próprias gorduras se queimando e deixando de existir; quase igual ao espelho de motel, mas sem nenhum parceiro, uma vontade de se foder excessivamente literal.

Enquanto, se você não ama seu próprio corpo, assisti-lo durante um momento desconfortável daqueles pode inspirar tendências suicidas. Eu tenho certeza que vi minha imagem refletida ganhando vida e tentando se comunicar comigo. Ela dizia: seu idiota, você está pagando para andar ou correr por meia hora e, no fim, você nem mesmo saiu do lugar. Então se seguiu a epifania – eu posso andar de graça na rua e, ao mesmo tempo, ter uma paisagem ao meu redor que não é o meu próprio corpo fora de forma.

Nunca mais voltei a uma academia, caminhei por uns anos, mas depois parei de novo, embora ache que precise voltar, me faltando apenas o tempo e motivação, mas quando foi que esse texto se tornou tão pessoal? O que eu quero tentar dizer com tudo isso é que, hoje, diferentemente daquela época da minha primeira experiência de academia, eu me tornei uma minoria. Dentre as pessoas que eu conheço, a maior parte frequenta um desses antros de egocentrismo e se exercitam em frente ao espelho, olhando para si mesmos. É uma espécie de fenômeno nacional que não vem de hoje, fui eu quem me atrasei para escrever esse texto.

Entretanto, o mundo hoje enfrenta um paradoxo. Não só um, milhares, mas esse é um bem grande. De um lado nós temos o politicamente correto, que de agora em diante, nesse texto, será chamado de PC. Do outro, temos a tal geração saúde que, na opinião deste humilde “cara que escreve”, já deu o que tinha que dar. Antes de seguir com a análise do problema, farei uma breve digressão para explicar esses dois conceitos que já foram explicados à exaustão em outros veículos, mas que eu ainda não falei nada sobre, ao menos não nesse blog.

PC é a hiperbolização da mais básica decência humana. Enquanto um ser humano decente simplesmente evita humilhar outros seres humanos por seus defeitos, por exemplo, o PC exige uma completa negação desses defeitos, que por vezes nem defeitos são – muitas vezes são apenas diferenças -, policiando de maneira absurda a liberdade de expressão. Resumo simplista, admito, mas é o que você precisa saber por agora. Se quiser mais, não faltam na internet textos que concordam e discordam comigo, você que decida no que acreditar; a verdade em si é discutível e ninguém a possui, já adianto. Ou seja, no contexto dessa quase crônica, o PC seria a ideia absurda de que todos são bonitos desde que se sintam bem. Mensagem bonitinha? Fato. Real? De forma alguma.

Já a geração saúde é a ideia de que, se você conseguir descobrir exatamente o que é e o que não é prejudicial para o corpo humano, eliminar tudo o que o é, e praticar à risca, quase dogmaticamente, aquilo que dizem por aí “fazer bem”, você vai viver para sempre. Bom, não para sempre, mas pelo menos cento e vinte anos, com boa aparência e organismo em perfeitas condições. Me engana que eu gosto. Novamente, verdade ou não, isso seria um debate interminável, estou expondo minha opinião apenas. Versões mais radicais da geração saúde parecem gerar uma nova espécie de Darwinismo social, sendo os saudáveis e em boa forma uma espécie superior e melhor adaptada, crendo que a única maneira de se alcançar a felicidade é por meio de um abdômen perfeito.

Vamos ao paradoxo, caso não esteja óbvio o suficiente. Um lado diz que não importa a aparência, basta a felicidade. Outro, que a felicidade está na aparência. Qual está errado? É aí que esse quase-artigo fica complicado e eu ponho em risco toda a coerência do texto e minha própria lucidez, mas não se preocupem, se apoiem em uma superfície firme e tentem me acompanhar.

Analisarei o assunto como um detetive analisa um crime. Qual o motivo disso? Por que um grupo tão grande de pessoas iria se preocupar dessa forma com, não só a aparência, mas com detalhes científicos complicados como o quanto de proteína deve ser ingerida durante um dia, o quanto de calorias são queimadas com tantos minutos de tal exercício, estudando trocentos tipos diferentes de vitaminas, suplementos, estimulantes, anabolizantes – vai dizer que não? -, cada tipo de exercício para cada parte do corpo, tudo em busca de uma perfeição corporal grega? Chama-me de Freud, mas eu digo que a resposta é sexo.

Pode parecer simplista de novo, mas é a verdade. Mais ou menos aquilo que eu mencionei sobre o Darwinismo social e a vontade de se tornar um exemplar superior da espécie. Esses humanos moldam seus corpos de modo a se encaixar nos tais padrões de beleza que as pessoas, principalmente PCs, tanto amam criticar, pois assim se tornam mais atraentes para o sexo oposto, uma forma bem artificial de seleção natural, raramente com fins reprodutivos – exceto quando acidentais. A verdade é que a maioria das decisões comportamentais humanas, desde a escolha de uma carreira até as roupas que ela veste, são diretamente ligadas ao sexo, talvez não dependam dele, mas com certeza o levam em consideração. Eu mesmo tenho que admitir que, se não fosse pelo sexo, não me interessaria nem um pouco pela sociedade, não sairia de casa nem me relacionaria com outras pessoas, foi o sexo que me salvou da vida como um mendigo viajante.

E tanto isso é verdade que, nas propagandas “você é linda do jeito que você é” - normalmente só endereçadas às mulheres, mas não entrarei nesse mérito –, é raro ver uma modelo que seja, de acordo com os tais padrões, incorrigivelmente, unanimemente feia. Humana, sim; imperfeita, por consequência; mas feia? Seria um exagero. Não tão atraente seria o termo mais exato, mas mesmo este seria variável já que, por mais que a mídia imponha padrões de beleza – e seus críticos só os reafirmem -, eles não são de todo reais, principalmente porque o que define o quê é atraente ou não, não é uma revista, mas o cérebro, com uma base instintiva e uma variação individual que eu desconheço, nem sou a pessoa mais apropriada para falar sobre – procurem um biólogo. Acontece que essas empresas que gostam de fazer seu marketing relembrando que todos são bonitos desde que estejam felizes, também mantêm seus limites do que é aceitável ou não, por isso também editam suas fotos de cartazes no Photoshop, não usam modelos acima de 100 quilos, ou mostram defeitos genéticos irreparáveis. Indicando que, mesmo quando todos são lindos, alguns são melhores fora das vistas do público, pelo menos em anúncios de beleza, pois, mesmo em seus padrões mais liberais, ainda existem limitações definindo o quê é belo.

É necessário admitir, ainda, que os padrões mais liberais são mais precisos do que os presentes na mídia. Revistas e televisão têm suas preferências na hora de escolher seus modelos, atores e atrizes. Mulheres são normalmente magras – muito magras -, com cabelos lisos e longos, olhos claros, arredondados e brilhantes. Homens são musculosos e tal, vocês entenderam aonde eu quero chegar, todos já viram esses exemplos em algum lugar. Mas esses padrões representam uma opinião firme e exata do que cada sexo procura em seu oposto – ou em si próprio, dependendo dos seus gostos -? Bom, eu posso falar apenas por mim mesmo – não digo nem por todo um grupo de homens heterossexuais, pois, como eu disse, varia. Já vi várias dessas modelos que não me causaram atração sexual alguma, com as quais eu transaria apenas por falta de critério e necessidade. Já ouvi homens que gostam muito desse padrão, outros que gostam do extremo oposto. Eu diria que estou em algum lugar no meio, gosto de um equilíbrio, de umas imperfeições – além do mais, sou ciente de que eu estou bem longe dos padrões de beleza masculinos. Tenho certeza que muitas mulheres pensam da mesma forma sobre os homens. Então o que explica essa obsessão?

Se nós analisarmos os comerciais, os filmes, os programas de televisão e até o que é feito da vida pessoal desses modelos, atores e atrizes, tudo nos leva a acreditar que eles têm a vida perfeita. Dinheiro, agitação, fama, sexo, carros, sexo, mansões, sexo – veja como tudo em minha teoria informal acaba se encaixando, dando sinais de que eu ainda estou lúcido durante a escrita -, é isso que muitas pessoas buscam, muitas sem nem saber por que buscam, é uma lógica circular mesmo que abordarei em outras oportunidades, mas que, por enquanto, fica por isso mesmo. Eles têm tudo que você, ser humano de classe média e educação básica, altamente influenciável, deseja, portanto faz-se a projeção. Se eu consigo me moldar em algo parecido com aquilo, aquela vida é minha. Só que não necessariamente funciona, exceto quando muitos indivíduos se unem nesse sentido comum, nessa busca pela perfeição física, tanto para si, quanto para os outros, que é o que está acontecendo, de certo modo.

O problema começa quando pessoas fora desses padrões passam a se sentir mal por não fazerem parte, e passam a acreditar que aquilo é o comum, o normal, e que tudo fora daquilo é errado. Mas isso não é problema dos saudáveis. Acho que agora se torna necessário um padrão de nomenclatura, para que o texto não se torne vago e confuso. Não serei criativo, chamarei os que se encaixam e ajudam a formar os padrões de alfas, e, os que não, de betas. Parece pejorativo, mas veja bem, também sou um beta, embora não deseje me tornar um alfa. São os alfas culpáveis da inadequação dos betas?

Considerando que não existe qualquer agenda mais elaborada por parte dos alfas, salvo seus próprios desejos de atingirem uma determinada perfeição física, no que isso afeta os betas – e que fique claro, independente do meu artigo masculino em frente às palavras, me refiro a homens e mulheres -? Se os betas se sentem atraídos sexualmente pelos alfas, mas, devido as suas imperfeições, são rejeitados, não seria dever do beta se adaptar, já que o desejo parte dele? Deveria um beta se sentir inadequado ou sequer atraído por um alfa? Sinto dizer que não tenho resposta para qualquer uma dessas perguntas. Só adianto que, em defesa dos alfas, eles exercem apenas sua liberdade individual. Se eles definiram um ideal estético e se esforçaram para alcançá-lo, quem poderia dizer que é errado ou proibi-los? Ninguém. É direito deles, mesmo que seus objetivos tenham sido desenvolvidos por meio de manipulação “midiática” – deixando claro que não estou entrando em território conspirativo aqui, apenas voltando à velha história da mídia como formadora de padrões.

Eu não posso solucionar a questão, mas posso deixá-la ainda mais complicada. O que define, objetivamente, o belo? Afinal, padrões são objetivos e unânimes. Esteticamente falando, nada, pois eles não são fixos. Biologicamente, os instintos e químicas que eu já mencionei, mas não sei explicar. Acontece que, muitos séculos atrás, até milênios, grandes artistas pintavam moças um tanto cheias, mostrando sua visão do que é belo. Pergunto-me se, naqueles tempos, alguma mulher magérrima sentia-se oprimida pelos padrões que a forçavam a comer e passar mal apenas para engordar alguns quilinhos, a fim de ser desejada por algum nobre.

Por algum motivo isso mudou e, embora não dê sinais de que vá mudar de novo, é possível que mude, considerando as discussões atuais. Sinto que estou próximo de uma conclusão, mas não a vejo. Estou tentado a aplicar o clichê do “seja aquilo que te faz feliz e você será lindo”. É tudo tão contraditório. Por um lado, é óbvio que existem padrões e que certas pessoas são mais atraentes que as outras. Por outro, é possível que isso seja apenas projeção, e a verdadeira beleza seja totalmente subjetiva e variável. E por outro ainda mais louco, é possível que toda essa discussão seja absurda, pois não passamos de um monte de átomos reconhecidos por globos oculares que recolhem uma imagem inidentificável, codificada pelo cérebro, cuja percepção poderia muito bem ser individual apenas, tornando aquilo que é bonito para mim um horror para qualquer outro.

Ainda, um dos lados, os alfas, parecem reconhecer um padrão bastante claro. Além disso, deixando de lado a beleza, antes de qualquer coisa, a geração saúde a qual eles pertencem se preocupam, logicamente, com a saúde. Ficam longe da bebida em excesso, do tabaco, das drogas, dos alimentos prejudiciais, é possível dizer que isso está errado de alguma forma? Eles buscam viver mais, viver melhor, enfim, viver. 

Bom, acho que era Wittgenstein quem acreditava que algumas das questões mais sérias da vida humana poderiam apenas ser discutidas em forma de piadas. Estética parece algo superficial, mas, quando existência, morte e saúde entram no assunto, a coisa fica séria demais, no aspecto filosófico, portanto, tenho uma piada que se encaixa para o momento:

“Um homem foi ao consultório médico após ter feito uma série de exames.
- Sinto muito – disse o médico -, mas o senhor só tem mais um mês de vida.
- Mas doutor – o homem respondeu inconformado -, eu não fumo, eu não bebo, eu me exercito, eu não faço sexo... Como assim eu vou morrer?
- Meu filho, se você não faz nada disso, viver pra quê?!”

Então percebo que não cheguei a lugar nenhum, mas talvez não exista um lugar para se chegar. Não tem resposta e o que eu vou dizer a seguir, embora pareça, está longe de ser aquele clichê do “seja feliz, porque isso basta”. Os padrões estão na nossa imaginação, assim como a mídia. Feche os olhos, a televisão já não te alcança. Sem querer passar lição de moral, longe de mim, só se vive por tanto tempo e, no final, somos todos esqueletos. Cada um que forme seus padrões e formas de viver. Isso pode ser uma variação daquele clichê, a única diferença é que ele é sincero, não garante nem beleza nem felicidade, pois não se sabe se qualquer uma dessas coisas existe.

6 comentários:

  1. Tudo bem, ser hipócrita não combina nada comigo, por isso serei bem sincera, adoro meu tamanho 36. Eu sou geneticamente magra, é coisa de família, sempre fui magra e acho que sempre serei. Não sei dizer que se algum engordar, irei fazer alguma coisa sobre isso, se irei tentar perder peso, provavelmente sim, mas não me preocupo com isso agora.
    Eu como de tudo, sempre comi tudo o queria e nunca, nunca na minha vida, li os ingredientes de alguma coisa, nunca fiquei preocupada por comer muito chocolate ou beber muito refrigerante. Sabe, mesmo se eu fosse gordinha, acho que não iria ligar pra isso, um pedaço de bolo de chocolate é melhor do que academia. Por falar nisso, nunca fiz academia, não é nem por conta dos espelhos, é algo com as pessoas. Odeio roupa de academia, mas odeio mais ainda que pessoas me vejam com roupas de academia, sei lá, roupa suada, rosto vermelho igual um pimentão e posições constrangedoras que não deveriam ser vistas por estranhos. Existem aquelas academias só pra mulheres, mas mesmo assim não gosto. Tenho uma bicicleta ergométrica em casa, mas ela está num canto do meu quarto, parada há um bom tempo.
    Sobre padrões de beleza, é claro que tudo no mundo diz que você precisa ser magra ou musculoso pra ser bonito e é lógico que a maioria das pessoas concorda com tudo isso, mas nem todos pensam assim. Particularmente, acho coisas e pessoas bonitas que muita gente não acha e conheço muitos caras que preferem mulheres gordinhas, muitas garotas que gostam de nerds magrelos com óculos enormes. Eu nunca fiquei impressionada com caras fortões e com cabelo arrepiado

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. de gel.
      Sabe,e a pessoa quer ser malhada, se ela quer ir pra academia todo dia, que vá, se é isso que a faz feliz.
      É triste ver gente que acha que só poderá ser feliz se tiver um determinado tipo de corpo, mas se só assim ela ficará feliz...
      Eu não preciso ser malhada e ter a barriga mais dura do que madeira pra ser feliz, mas algumas mulheres precisam.
      Acho que ninguém precisa se aceitar como é, esse papo é besteira, se você não aceita, não gosta, faça algo para mudar.
      Como disse lá em cima, gosto de usar calças número 36, mas isso não é prioridade em minha vida, pra mim existem coisas muito mais importantes do que isso.
      Sei lá, ficar em casa lendo um livro e comendo balas de menta, me parece algo muito mais divertido do que malhar.
      Eu não sou nem um pouco perfeita, mas tenho uma pessoa que me acha perfeita, mesmo com todos os defeitos que eu possa colocar em mim mesma (e pode acreditar, toda mulher consegue fazer uma lista de defeitos que encontra em si mesma, TODA MULHER).
      Isso que é legal, sempre vai ter alguém que vai ter achar perfeita da forma que você é, por isso nem tudo está perdido, pois mesmo as revistas, televisão e tudo dizendo que ser magro e forte é legal, sempre vai ter alguém que vai achar a gordinha e o cara magrelo, mais legais ainda. :)

      Excluir
    2. Sim, você tem razão, no fim todo mundo se encontra de algum jeito.

      Excluir
  2. Essa discussão sobre a imagem tá bem em alta ultimamente, né? De um lado o pessoal fissurado por estética e não mede esforços pra ficar do jeito que acha que é o ideal, e do outro lado a turma do “todo mundo é lindo do jeito que é”. Olhando o embate desse dois grupos, estou eu e algumas outras pessoas preguiçosas demais pra se envolver na polêmica (nem sei se a palavra se aplica aqui, mas foi essa mesmo por falta de uma melhor). O fato é que eu também só frequentei um mês de academia, lá nos meus 14 anos, no auge da minha idiotice de pré-adolescente chata com muito tempo livre. Aliás, desisti daquilo bem antes de completar um mês, e o motivo nem foi por causa dos espelhos ou por causa dos outros freqüentadores, mas sim porque num momento raríssimo de bom senso vi que aquilo era tão descabido que nem me dei mais o trabalho de continuar. Trocando em miúdos: faltou-me paciência pra aquela rotina chata de malhar braço um dia e malhar perna no outro, sendo que não aguentava dez quilinhos a mais nos aparelhos, então aceitei que sou mole pra cacete pra essas coisas e deixei de mão.
    Uns dois anos antes de começar a danada da academia, tive uma série de distúrbios alimentares, primeiro a anorexia e depois a bulimia. E olha que na época eu nem pensava em sexo, então esse motivo já pode ser descartado. Foi complicado. Uma garota de 12 anos se achando gorda quando pesa 40 kg, hoje eu percebo, era uma coisa muito absurda. Mas aí entra a questão de como é fácil influenciar as pessoas, principalmente umas criaturas criadas numa bolha, como eu fui. Mas o meu caso, pelo menos, teve um final feliz. Fui crescendo, tomando mais consciência das coisas e parei com a maior parte do problema, embora ainda hoje eu ainda seja bem mais magra em comparação a como eu seria se tivesse crescido de maneira normal e, como ironia pouca é bobagem, hoje em dia tenho dificuldade para engordar. Pois é, desenvolvi um probleminha básico de estômago depois de tanta merda. E mesmo assim eu não me envolvo quando começam as polêmicas sobre como a beleza deve ser.
    É um negócio subjetivo demais. Não dá pra querer colocar uma maioria num mesmo padrão estético considerado o mais bonito por um grupo. É ridículo essa coisa de que homem bonito é homem sarado e que mulher bonita é mulher magra e, por que não?, também sarada. Acho que fiquei meio que traumatizada com esses estereótipos que só me interesso por caras “gordinhos”. Não os acho perfeitos do jeito que são, como pregam as pessoas que não tem muita noção do que estão falando quando querem que todo se ama e se ache lindo a qualquer custo, mas é justo por causa dessa imperfeição que gosto tanto.
    Sobre o motivo ser o sexo, tenho cá minhas dúvidas. Pessoal de academia, infelizmente vou ter que generalizar nesse caso, tem uma insegurança tão grande, uma falta de confiança tão absurda em si mesmo que a parte do sexo seja só um ato mecânico de se afirmar pela opinião do outro (que nesse caso não é o parceiro (a), mas sim os amigos tão imbecis quanto). Não é nem mesmo por necessidade, mas por necessidade de que os outros o vejam como bons. No final é a aceitação e a necessidade de que os outros o ponham num altar que faz com que a procura por um ideal de beleza (que é mais instável que mulher de TPM) seja o único objetivo de vida.
    Enfim, acho muita gente bonita e acho muita gente feia e não me incomodo com isso. Assim como eu também me acho bonita às vezes e um cão chupando manga em outras tantas, ou se me acham bonita ou não. Paciência, acontece... Mas uma coisa eu defendo, e isso vai soar extremamente utópico, mas depois de tanto perrengue acho que aprendi a lição: beleza NÃO é fundamental. Ao menos pra mim.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Uau, texto bem interessante para complementar ao meu, com um pouco de experiência real. Muito bom.

      Primeiro de tudo, acho que é bom esclarecer que, nesse texto, o espelho foi um símbolo, não uma razão real para deixar a academia. A forma que aquela gente parecia amar o próprio reflexo, como o Narciso do quadro, foi o que me afastou.

      Sobre o sexo ser motivação, tecnicamente você está certa, dependendo de qual sentido você está dando ao sexo; nesse texto, eu quis ser o mais amplo possível. Por isso, mesmo que você aos 12 não pensasse em sexo, sua vontade de ser magra veio por meio de exemplos, gente que você achava bonita, por consequência magra, que você queria imitar, estou certo? Sou levado a crer que a pessoa que te influenciou foi influenciada pelo sexo, logo fica sendo uma influência indireta, entende? Posso estar errado, mas é a minha forma de ver a sociedade. O mesmo vale para o cara que só se exercita e transa para se exibir para os outros; sexo como meio de exibição social, ainda é sexo, e ainda é o motivo. Essa parte da argumentação eu mantenho.

      Ainda assim, concordo com você quando diz que não existem padrões de beleza fixos, biologicamente falando. Os padrões impostos pela mídia e aceitos pelos ratos de academia são puramente inventados. Cada um tem o direito de ver beleza naquilo que bem entender, assim como cada um tem o direito de ser o que bem entender.

      Excluir
  3. Me identifico tanto com as coisas que você escreve e devo salientar que você escreve com uma graça e uma facilidade incrível.

    O que chamou a atenção foi o título. Dá para acreditar que eu pensei que Academia fosse a de Letras e não a do corpo? rs

    Claro que eu concordo com sua crítica, mas é fácil saber porque as pessoas preferem a academia do que andar na rua... é mais prático, se levarmos em conta essa vida corrida que todos levam.

    Ah, o espelho, o sexo, o exibicionismo, o sexo, os padrões, o sexo... as pessoas inconscientemente sempre procuram o melhor parceiro para perpetuar seus genes.

    ResponderExcluir

caixa do afeto e da hostilidade