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sexta-feira, 24 de maio de 2013

Avengers (Vingadores) - 2012

 
 
Quem diria, um filme mais normal por aqui, não é? Estou tão surpreso quanto vocês. A verdade é que esse ano eu decidi me dedicar mais ao cinema artístico, deixando Hollywood de lado. Além disso, estava com os dois pés atrás quanto a essa adaptação de Vingadores, por motivos que eu logo vou explicar, e que não estavam completamente errados. Essa resenha vai ser um pouco diferente, pois, como esse filme trata de uma reunião de diversas adaptações de quadrinhos, terei que falar sobre cada personagem individualmente. Antes disso, vamos ao enredo.
 
O roteiro é bem simples, típico filme de quadrinhos. Cada herói vive sua própria vida tranquilamente, até que uma merda acontece, esta de proporções tão grandes que eles não podem resolver sozinhos. Samuel "Motherfucker" Jackson aparece e reúne todo mundo. De início eles não querem, mas depois se rendem, sem nunca deixar de fazer graça um do outro - uns mais que outros. No final tudo dá certo, e, sinceramente, não importa. Sério, esses filmes de quadrinhos são quase sempre os mesmos, só mudam os personagens, nesse caso, como se trata de uma reunião, nem isso muda.
 
Por mais que insistam em dizer o contrário, o filme é um Tony Stark e Amigos, ou melhor, um Robert Downey Jr. e Amigos. Convenhamos, nenhum dos atores envolvidos têm tanto carisma quanto o filho do diretor de Putney Swope, os que têm (Scarlet Johansson e Samuel L. Jackson) são colocados em papéis tão secundários que eles poderiam escalar qualquer ator/atriz no lugar. Ouvi por aí que o elenco está puto com o fato do Homem de Ferro ganhar bem mais que o resto, mas ele é o único que merece. Ou vai me dizer que o o cara que fez o Capitão América - que por acaso também fez o Homem Tocha naquela abominação chamada Quarteto Fantástico - faria falta? Vai me dizer que o Thor, que é o ator mais "nada" de toda a produção, não poderia ser qualquer um? Foda-se o Gavião Arqueiro, ninguém sabe quem ele é. E o Hulk... eles tinham o Edward Norton, mas pelo jeito o ator era bom demais pro papel, então eles contrataram esse outro cara no lugar... seja lá quem ele for, mas que também não faz falta. Pra mim foi isso que marcou o filme. Uma tremenda falta de carisma de todos os personagens, exceto o Tony Stark, que també, na minha opinião, já não é tão interessante quanto no primeiro Homem de Ferro - isso mesmo, vi o primeiro e o segundo, mas não faço ideia do que aconteceu no segundo, exceto pelo Mickey Rourke com um chicote elétrico...
 
Estou esquecendo de alguém...? Ah, o vilão, Loki. Meh...tanto faz. No início ele parecia uma grande ameaça, mas como ele sempre apanhava em todos os momentos em que ele estava prestes a fazer algo grandioso, acabou como um alívio cômico pra mim. Principalmente com aquele final (CUIDADO COM O SPOILER), em que o Hulk simplesmente o atira de um lado para o outro. Só, acabou. Toda essa história termina com o Hulk quebrando o vilão, não em uma grande luta, mas em uma cena de 5 segundos.
 
O que me leva a outro problema nesse filme. Veja bem, eu não sou um especialista em quadrinhos, mas, durante a minha adolescência e infância, tive contato com alguns títulos, incluindo Vingadores, Homem de Ferro, entre outros; com isso eu percebi que, não só esse filme, mas todas as outras adaptações, são extremamente seguras. Elas nunca ameaçam o espectador ou o fazem pensar, é sempre a mesma estrutura: exposição de enredo - alívio cômico - ação em CGI - exposição de enredo - alívio cômico - ação em CGI - ... Nunca muda. Não é assim que funcionam os quadrinhos, pelo menos não os bons. Eles trazem alguma tensão e conflito psicológico à história, sem medo de assustar os leitores desavisados. Eles arriscam e saem da zona de segurança, e isso ótimo. Acho uma pena os filmes não seguirem esse modo, pois acho que o público ia gostar desse risco, quando fosse exposto a ele. Minha opinião, posso estar superestimando o gosto do público geral, não sei.
 
Fora esses detalhes, o filme é muito bem feito. Tem seus defeitos, alguns ângulos de câmera meio estranhos e outras falhas de direção, mas nada mais que isso. Por outro lado, não chega a ser nada impressionante tampouco. Uma coisa que me marcou foi o quanto eu me senti estranho vendo esse filme, depois de passar tantos meses só com cinema arte. Foi como beber uma dose de Natu, depois de se acostumar com Blue Label. O tempo todo eu reparava na trilha sonora e como quase todas as cenas tinham música; como não foi dito um palavrão durante o filme inteiro, mesmo com o Samuel Jackson no elenco;  como não houve uma cena de nudez ou violência extrema; me senti estranho vendo uma obra assim, tão leve - só depois me toquei que esse é o normal e que eu estou mal-acostumado. A ideia era boa, teve as falhas de execução que eu já mencionei. Poderia investir um pouco mais na qualidade dos outros personagens, porque é impossível focar o interesse só em um. Mas, mesmo com todos esses detalhes, não deixa de entreter. É necessário desligar o cérebro, no entanto, do contrário, textos assim podem surgir na sua cabeça.
 
Não é ruim, mas está longe de ser bom. Espero estar errado, mas, da mesma forma que Batman Begins simbolizou a reforma dos filmes de HQ, Vingadores pode simbolizar a queda. As boas produções vão acabar gananciosas e contar mais com o próprio nome do que com a qualidade da obra - o que sempre acontece. Tony Stark não vai conseguir segurar essa franquia para sempre - pelo que eu ouvi de Homem de Ferro 3, já está começando a ceder -, e ninguém vai ter costas para segurar todo esse peso. É como se, com os fracassos das adaptações, os estúdios tivessem aprendido uma lição, mas, agora que eles já arrecadaram o suficiente, querem voltar ao estilo porco de antes. Não vai dar certo e eu não criaria espectativa para as inúmeras continuações que este filme prometeu gerar. Saibam que esse comentário é válido para todo o cinema de entretenimento e pretendo expor isso em minha futura resenha de Hobbit - me aguardem.
 
Nota: 3/5 - olha que foi muito...

2 comentários:

  1. Assisti The Avengers logo na época que estreou e, bem, não achei lá essas coisas. Mas ele fez o que se propôs a fazer: entreter. Sinceramente, acho que nem os próprios fãs de quadrinhos assistiram o filme esperando alguma coisa que realmente fosse boa. Mas ele é divertido e o tempo passa rápido, é o tipo de filme que dá pra desligar a mente durante toda a exibição e ainda se divertir um pouquinho. Tem uma cara de filme de sessão de domingo à tarde. Mas é só isso.

    Eu gosto de muito de algumas HQ's. E gostei bastante da trilogia do Batman. Fazia gosto ir assistir no cinema e acompanhar tudo que acontecia. Venho acreditando que essa nova adaptação do Superman também vá ser bem boa, tenho esperanças numa futura Liga da Justiça, mas me atenho apenas a DC. Tenho uma birra com a Marvel e, sinceramente, depois desses filmes (que apesar de terem aberto as portas pra filmes de super-herois mais bem feitos esteticamente), considero muito fracos.

    Ainda assim, acredito que os filmes desse meio venham a melhorar principalmente depois de todo o sucesso que teve o Batman que se manteve muito estável durante todos os filmes. Quando acontecia de mudar, era pra melhor (mas isso é só uma opinião de fã rs). O que, pelo visto, não foi o que aconteceu com o Iron Man, mas que agrada a massa porque foi pra isso que ele foi feito.

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  2. Resenhei esse filme logo no comecinho do blog, também não achei nada demais.
    Eu gosto de quadrinhos, mas o filme pra mim foi tão...Bobo? Não sei, mas não me agradou, eu estava esperando mais, pois gosto de heróis. Capitão América é um de meus heróis preferidos, mas não nesse filme e nem é pelo ator, não tenho nada contra ele.
    Bem, é isso, o que podemos fazer, né? O público maior sempre vence...

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