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sábado, 20 de abril de 2013

Ter e Não Ter - Ernest Hemingway


Eu já escrevi alguma coisa sobre o Hemingway aqui? Acho que não. Fiz uma resenha de "O Sol Também se Levanta" no Skoob, mas nunca falei nada sobre ele no blog. Sem muita enrolação, ele é meu escritor favorito. Eu realmente admiro a forma da escrita do Hemingway, econômica, direta, simples, mas sempre eficaz e precisa, assim como eu admiro a visão pessoal do Hemingway sobre a vida, a literatura e sobre si próprio e a maneira que um escritor deve agir. Ele foi um dos poucos autores confiantes, que sabem o quanto eles são bons e exigem serem tratados como tal, e isso, pra mim, é muito interessante. Ele ganhou o nobel em algum momento da década de 50 e escreveu vários romances e coleções de contos, entre os quais já li 6: O Sol Também se Levanta, O Velho e o Mar, Adeus as Armas, Paris é uma Festa, Ter e Não Ter - resenhado de hoje - e As Neves do Kilimanjaro e outros contos.

Ter e Não Ter conta a história do capitão Harry Morgan. Homem simples que tem como único objetivo proteger e sustentar a família que ele ama, mesmo que para isso ele precise viver fora dos limites da lei e arriscar a si próprio. O cenário do livro se passa entre Key West, nos EUA, e Cuba, com uma bela descrição de cenário, não só pela paisagem, como também as figuras que convivem com Harry. Acompanhamos um pouco de outros personagens também, mas o foco é em Harry e sua tragédia pessoal.

Hemingway me influenciou tanto que, se eu conseguir publicar um livro, arranjarei um gato.
Esse é o livro mais politizado de Hemingway, com toques socialistas e uma forte crítica às revoluções que aconteciam em Cuba na década de 50. Estranhamente, por mais que eu goste do autor e me doa dizer isso, esse livrou não me prendeu tanto quanto os outros. Não sei definir o motivo. Não sei se foi a sensação de "mais do mesmo", se a forma de narração me pareceu instável e pouco concentrada (o livro começa em 1ª pessoa pela perspectiva de Harry Morgan, depois vai para 3ª e começa a passear pelos personagens, sem nunca se focar em um), se foi culpa minha, só sei que não foi uma experiência tão boa quanto seus outros livros o foram.

Definitivamente, não é um livro ruim. Tudo que faz com que eu veja Hemingway como um gênio está presente nesse livro, só que eu acho que o santo não bateu. Foi bom, mas não foi ótimo. Talvez se ele ficasse com apenas um narrador, já que a mudança me pareceu arbitrária, fosse melhor. Talvez eu precise reler um dia. Talvez até seja culpa da tradução, que não tenha sido capaz de me passar a mágica do Hemingway com perfeição (tenho quase certeza que foi isso, tenho que ler o original desse livro para confirmar. Na verdade, tenho que ler toda a bibliografia do autor no original, nem sei por que não fiz isso ainda). Se você nunca leu Hemingway, sugiro que comece por outro antes de partir pra esse. Se gosta, assim como eu, dê uma chance.

Nota: 4/5 (parece muito, considerando a crítica, mas os outros dele levariam nota 6, se eu os tivesse resenhado)

Um comentário:

caixa do afeto e da hostilidade