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quinta-feira, 11 de abril de 2013

Pulp Fiction - Quentin Tarantino


Nenhum outro filme me deu tanto trabalho assim para eu montar uma resenha. Quem lê meus textos com alguma frequência, sabe o quanto eu amo esse filme. Nenhum outro filme me influenciou tanto de forma pessoal, quanto Pulp Fiction. Eu assisto essa obra, religiosamente, uma ou mais vezes por ano, desde os meus quatorze anos. Não sei quantas vezes já assisti Pulp Fiction, mas, mesmo assim, toda vez que assisto, sempre encontro algo novo. Uma fala, que antes eu não tinha entendido, uma referência, um som de fundo que dá sinal para alguma coisa que vai acontecer em outra cena. É um filme feito com tanta paixão e cuidado, que mesmo não sendo o melhor filme da história - não é, e nem de perto -, é, talvez, meu favorito, pois, sem ele, eu nunca teria me interessado por cinema. Talvez me interessasse pelo cinema hollywoodiano, comercial, mas não o cinema artístico, que hoje serve de base para quase tudo que eu faço.

Só um aviso, antes de eu continuar, eu vou soltar um spoiler aqui e ali. Não é o objetivo, mas eu me conheço, vai acontecer - eu me empolgo falando desse filme. Mas o negócio é o seguinte, esse filme foi lançado em 1992, se você não viu ainda, vai pra puta que te pariu - exceto você, Danika (a ainda silenciosa, parceira deste blog, para quem não conhece), nós já conversamos e você vai corrigir esse seu problema -, pare de ler essa porra dessa resenha, baixe a porra do filme, assista, volte aqui nessa porra desse blog e faça uma porra de um comentário!


O filme é dividido em três partes, inicialmente não relacionadas, mas que se interligam perfeitamente no final. Sendo que a história não é linear, é necessário completa atenção durante as 2h36min de filme, o que não é difícil, considerando que a história é uma diversão do começo ao fim - daqueles que, parecem longos, mas quando acabam parece só 5 minutos. A viagem que o filme faz iria mais ou menos dessa maneira: começa pelo meio (cena do café), vai pro começo, depois para o fim, então volta para o meio e fecha a história. Durante todo o tempo, pequenos detalhes dão sinais das outras partes, por exemplo, na cena do café da manhã, é possível ouvir a voz do Samuel Jackson no fundo; quando o Bruce Willis - que faz parte do fim da história - volta para casa, em uma determinada cena, ouve-se um rádio comentando um concurso de dança que acontece no começo. E isso são coisas que eu só percebi recentemente. Além disso, o Tarantino presenteia os mais atentos, deixando pequenas piadas particulares ao longo da obra, que só aqueles que conhecem seu trabalho perceberiam, vide a presença de Steve Buscemi, como um garçom (mais exatamente o Buddy Holly) de um restaurante temático à década de 50. Qual a graça? Em Cães de Aluguel, Steve Buscemi (Mr. Pink), diz não dar gorjetas a garçons.


Mas e quanto a história mesmo. Bom, Vincent (John Travolta) e Jules (Samuel L. Jackson), são capangas do Marsellus Wallace (Ving Rhames). Os dois são encarregados de recolher uma maleta, de conteúdo desconhecido, mas de extrema importância e valor, que foi "roubada" por uns bandidos inferiores. Enquanto isso, Butch (Bruce Willis), um boxeador sem muitos anos de carreira restando, está prestes a vender sua próxima luta para Marsellus. É nesse contexto que toda a história acontece e que o leitor vai precisar ver o filme para conhecer.


O que faz de Pup Fiction um bom filme, ou melhor dizendo, um filme especial em relação as outras dezenas que são lançadas por aí. Diferentemente do que dizem, não é por genialidade do diretor, nem originalidade, nem nada do gênero. Não acho, ao contrário de muitos, que o Tarantino é um herói do cinema moderno. O filme é especial, por causa da paixão envolvida em toda a produção. Tarantino não foi nenhum mestre, estudante de cinema, recebido de portas abertas por Hollywood. Ele foi só um cara que gostava tanto de cinema, que decidiu fazer seu próprio filme - e teve sucesso. De certa forma, é o entusiamo quase adolescente do diretor, que deixa o filme bom. Ele quer deixar sua marca e isso é visível, tanto que, nesse filme, foram definidas dezenas de detalhes que se tornaram assinaturas do diretor, indo de ângulos de câmera específicos, até fetiche com pés. E isso me leva a outro ponto, é um filme pessoal. Tudo no filme faz parte da pessoa do diretor, até as músicas escolhidas como trilha sonora, já que ele não trabalha com orquestras e compositores, são extremamente pessoais, tanto que se encaixam perfeitamente no roteiro, mesmo não tendo nada a ver com o clima - em alguns momentos. Enfim, é um amante de cinema, falando com outros amantes de cinema.


O diálogo. Se existe algo de genial nesse filme, é o diálogo. Esses personagens não conversam sobre o enredo do filme - como acontece em muitos casos -, eles falam da vida deles, hábitos, viagens, coisas assim. Coisa tirada do escritor favorito de Tarantino, Elmore Leonard, que fazia diálogos assim. As conversas são tão boas, que se tornaram ícones do cinema. Quem nunca ouviu falar da discussão "como se pede um 'quarteirão com queijo' na Europa", ou da conversa sobre a relevância sexual da massagem nos pés (à propósito, concordo com o Vincent nessa questão), ou sobre "qual animal é mais sujo: cachorro ou porco". Esse filme faz com que eu deseje morar em uma região que tenha inglês como língua materna, só para que eu possa parafraseá-lo sem me perder na tradução. O que não me impede de, às vezes, repetir frases como: "português, filho da puta! Você fala?" - quando alguém demora pra entender o que você está falando e fica perguntando "o que?", "o que?", "o que?" - "I'll get medieval on your ass, motherfucker." e coisas do gênero.


É um dos meus filmes favoritos, mas, embora eu tenha feito parecer, não é o melhor já resenhado por aqui, só que é o mais pessoal. Um filme que eu posso ver dezenas de vezes, sem me cansar e sugerir para qualquer um que tenha um mínimo interesse por cinema, ou queira desenvolvê-lo.
Nota: e precisa perguntar? 5/5






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