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sábado, 16 de março de 2013

Putney Swope - Robert Downey Sr.

Eu não fazia ideia que o pai do ator que hoje rouba a cena em todos os grandes blockbusters de Hollywood, fez sua fama dirigindo comédias alternativas. Pois é, Robert Downey (Sr.) é conhecido por ter feito uns filmes muito estranhos em sua carreira, e Putney Swope, também conhecido como The Truth and Soul Movie (O Filme da Verdade e da Alma), é um deles.

Agora eu devia falar do enredo, né? ...Difícil, nem sei por onde começar. A verdade é que eu não sei exatamente o que foi esse filme. Foi uma experiência e tanto, e isso porque eu já estou acostumando com o cinema "arthouse". Mas eu vou fazer o possível para explicar. Putney Swope (Arnold Johnson), era o funcionário negro, contratado por cota, de uma empresa de publicidade. Quando o presidente morre - o que acontece do nada, no meio de um discurso -, os membros da diretoria votam para escolher o novo presidente da empresa. Como não é permitido votar em si mesmo, todos votam naquele com menos chance de ganhar - Putney. O novo presidente, então, contrário ao sistema corrupto implantado na publicidade americana, decide que sua política não irá "balançar o barco, mas sim afundá-lo", ou seja, não é possível mudar um sistema sem antes destruí-lo por completo. Ele muda por completo a diretoria e os funcionários (contratando apenas negros e somente um funcionário branco, como cota), e muda todas as estratégias de propaganda da empresa para algo incomum e até bizarro. No entanto, com o sucesso, Putney acaba se tornando autoritário, não aceitando que seus funcionários se manifestem ou pensem, demitindo qualquer um que tenha ideias e, ao mesmo tempo, roubando essas ideias. Acho que devia parar por aqui, pois já disse muito sobre o enredo, acontece que dessa vez não estou com medo de lançar spoilers. Eu poderia dizer linha-por-linha do roteiro e ainda assim o leitor ficaria surpreso, e até assustado em algumas cenas, quando realmente visse o filme.

Putney Swope é uma experiência cinematográfica. É engraçado, carrega fortes críticas sociais, tem alguns toques muito leves de blaxploitation e não se preocupa em momento algum com coerência. As cenas são divididas entre o filme propriamente dito - sempre em preto-e-branco - e os comerciais que a empresa prepara - a cores. Nem sempre a transição faz sentido e os comerciais são o ponto alto do filme, isso se você, assim como eu, tiver um senso de humor aberto ao experimentalismo e não se importar muito com razões - vou postar alguns vídeos com os comerciais, para que isso fique mais compreensível. 

O filme tem fortes raízes dadaístas, sendo essa a intensão ou não. Usando cortes (os comerciais) e jogando a razão pela janela, para passar a crítica social ao seu público. Também tem lados psicodélicos aparentes, vide a trilha sonora - que eu gostei muito. Em resumo, Putney Swope é como um poema beat: forte, crítico, engraçado, cheio de ritmo e alma, altamente simbólico e desligado da coerência.

Não sei se eu deveria indicar esse filme, mesmo eu tendo gostado. Só posso dizer que eu achei engraçado, interessante, mas, ao mesmo tempo, extremamente confuso, me causando até momentos de pânico, quando eu imaginava estar perdendo algum símbolo muito importante, sendo que, muito provavelmente, eu não estava e era só a cena que não fazia sentido. Se você gosta desse tipo de cinema ou está atrás de algo muito diferente do normal, sugiro esse filme.

Nota: 4/5
Obs.: Robert Downey se viu obrigado a dublar a voz de Arnold Johnson, na hora de editar o filme, pois o ator tinha dificuldades para decorar suas falas e muitas vezes ia murmurar coisas sem sentido.

É verdade, não dá pra comer um ar-condicionado (isso é um comercial de ventilador - caso não tenha dado para entender)




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