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sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Para Roma com Amor - Woody Allen (Resenha)


Já expressei nesse blog o quanto Woody Allen me influenciou, não só na escrita e no senso de humor, mas na vida. Ele é um dos cineastas que eu mais admiro e, mesmo que os trabalhos dele não sejam mais o que um dia foram, sempre me empolgo quando fico sabendo que ele está lançando um filme novo - o que acontece uma vez por ano, quando não duas. Mesmo não sendo uma obra-prima, sei que vou rir e me divertir como uma adolescente assistindo Crepúsculo - exceto que eu não grito nem choro durante as exibições.

Fiquei puto quando vi que o filme não ia estrear nos cinemas dessa terra de ninguém chamada Itajaí. Não me levem a mal, gosto daqui, mas o cinema é deplorável. É composto de duas salas - só duas! - pequenas, com uma leve inclinação, uma tela pequena o bastante para que ninguém - independente da fileira - fique confortável, o projecionista leva dez minutos para acertar a posição da imagem na tela, as pessoas conversam como se estivessem em casa e eu - que vejo o cinema como uma experiência religiosa - tenho uma úlcera de fúria com todas essas situações acumulando, como se não bastasse que todo o cinema hoje em dia, até nas cidades grandes, fica numa porra de um shopping, cercado de gente filha da puta.

Do que eu estava falando mesmo... Ah! Para Roma Com Amor. Pois é, acabei de ver o filme nesse exato momento e estou processando a coisa toda ainda. Um problema, que eu não sei se foi por que eu baixei o filme na internet ao invés de alugar uma cópia original, foi a ausência de legendas nas cenas em que o diálogo acontece em italiano - idioma que eu não domino nem um pouco -, ou seja, em torno de 60% do filme. Por isso adianto que minha compreensão não foi completa, posso ter perdido piadas nessas cenas, embora o contexto permita perfeito entendimento do enredo. Se foi planejado deixar aquelas cenas sem legenda, à la Paixão de Cristo, foi uma péssima ideia, embora o clima da cena consiga transmitir os acontecimentos. Os filmes do Woody dependem muito do diálogo para arriscar uma coisa assim. Como isso pode ter sido culpa minha e da pirataria, não afetará a nota - pelo menos até que eu consiga descobrir o que aconteceu.

As marcas do Woody Allen estão por todo o filme. O filme começa com imagens da cidade na qual se passa a história - nesse caso Roma, caso você sofra de alguma deficiência e não tenha deduzido isso ainda - com a música "Volare" no fundo. Então um guarda de trânsito quebra a quarta parede e apresenta ao público os personagens. O roteiro segue quatro grupos de pessoas em quatro linhas de roteiro não relacionadas, salvo pelo assunto e as personalidades das personagens masculinas - todos paranoicos, afobados e meio doidos, principalmente o próprio Woody, que volta a atuar nesse filme; o que não é nenhuma novidade, com exceção do Alec Baldwin, que começa como personagem e depois se torna a consciência de um jovem parecido com ele no passado. O assunto, mortalidade, adultério, tédio, fama indesejada, tudo que ele já falou dezenas de vezes, embora dessa vez, assim como em Meia Noite em Paris, senti leves toques de surrealismo - como na ópera liderada por um cantor de chuveiro ou o homem comum que fica famoso por nada.

As piadas, embora familiares e previsíveis, não deixam a desejar. É impossível não rir das reações do Woody no avião em turbulência, do homem comum dando entrevistas sobre seus hábitos cotidianos, a cena do assalto, e as pequenas linhas de diálogo que te cutucam aqui e ali.

Outro traço comum à obra do seu Allen, é a capacidade de reunir mulheres espetacularmente lindas em um mesmo filme. Sério, são tantas e tão belas, que me fizeram menosprezar a Ellen Page, que, embora seja uma coisinha linda, não é nada em comparação a Alessandra Mastronardi, a Cecilia Capriotti (que espetáculo essa!) ou mesmo a balzaquiana Penélope Cruz. E ele já faz isso desde a década de 60. Como ele consegue?














Como eu faço pra voltar a falar do filme agora... A verdade é que é só isso. O filme começa devagar com as apresentações dos personagens, mas vai tomando ritmo quando as histórias tomam forma. Não é o melhor do Woody, até porque a essa altura ia ser difícil, mas não é nem de perto o pior. Não entendi o motivo da recepção negativa, acho que foi o excesso de surrealismo, incomum na obra do diretor. Eu gostei.

Nota: 4,0 / 5,0

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