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segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Kafka à Beira-Mar - Haruki Murakami (Resenha)


Olha só, mais uma resenha desse mesmo autor. Até eu já estou me cansando de mim mesmo - se bem que isso já não é de hoje. De qualquer forma, esse foi o primeiro livro que eu li esse ano e, portanto, será resenhado, porque minha ideia a partir de agora é resenhar todos os livros que eu ler, até mesmo os clássicos que por muitas vezes eu acho melhor não falar sobre por não me achar capaz. Continuarei incapaz, mas escreverei de qualquer forma. Farei o mesmo com filmes e cds, provavelmente...
 
É um livro longo, 570 páginas, e, na época de lançamento, foi considerado sua obra mais ambiciosa. Honestamente, nem sei por onde começar. Amor, morte, existência, tragédia grega, destino, mundos paralelos, gatos falantes, chuva de peixes e sangue-sugas, música, literatura, sexo, todos esses assuntos são tratados ao longo do livro, com a devida profundidade e sem deixar nada mal-explicado ou esburacado. É um romance extremamente organizado e cheio. Acho que eu poderia resumir dizendo que essa obra é um apanhado geral da bibliografia do Murakami, seus gostos, seus hábitos, seus cenários, tudo pode ser encontrado nesse romance. Então, se o realismo fantástico é um gênero que te agrada e você também gosta de referência a cultura pop aqui e ali, mas nunca leu nada desse autor, esse é um bom começo.
 
Quanto à história. Kafka é o nome inventado por um adolescente de 15 anos que, para fugir das profecias do pai - que diz que ele um dia o vai matar e dormir com sua mãe e irmã -, decide fugir de casa a procura de sua mãe e irmã, que partiram quando ele ainda era uma criança. Do outro lado da história, está o velho Nakata, vítima de um acidente misterioso durante a infância, que o fez perder a memória e a capacidade de ler e escrever, em troca ele recebe o dom de conversar com gatos e, aparentemente, dificultar a vida dos meteorologistas. Partindo desse ponto, novos personagens são introduzidos, a história da curvas surreais e vai, aos poucos como em um quebra-cabeça, tomando forma e chegando ao fim.

Mesmo com o número de páginas, o ritmo do livro é muito rápido e pude lê-lo em poucos dias, isso considerando que não sou leitor afobado, aproveito linha por linha, calmamente, dos livros que me agradam. Todas as referência, também, são fantásticas e, caso o leitor já não conheça cada uma delas, sugiro que as procurem. Ao longo da narrativa são lançadas observações sobre a obra de Haydn, Beethoven, John Coltrane, Duke Ellington, Cream, Prince, Led Zeppelin, Truffault, Natsuki Soseki, Kafka (o escritor, não o narrador), e mais inúmeros artistas. Eu mesmo já defini futuras leituras após esse livro. Como eu sempre digo, toda a arte está interligada de alguma forma.

Vamos ao bingo, como sempre. O resultado dessa obra foi: Mysterious woman - ear fetish - feeling of being followed - unexpected phone call - cats - old jazz record - supernatural powers - train station - historical flashback - precocious teenager - cooking - speaking to cats - parallel worlds - weird sex (BINGO MOTHERFUCKER!) - unusual name. Como eu disse, esse livro é um resumo da obra do Muraka, todas as manias estão inclusas.

Nota: 5,0/5,0

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