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segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Top 5 - 2012

Acabou 2012, acabaram os fogos, acabou a bebida, só restam os babacas buzinando pela madrugada sem destino e a sua tia embriagada no chão da sala sob as lágrimas contidas da vergonha de sua mãe, que não acredita ter dado luz a uma mulher de tanta classe. Em algum lugar uma criança chora de sono ou medo, um cachorro está encolhido no canto da sala e você se segura para não agarrar aquela garrafa de qualquer coisa de teor alcoólico maior que 30%, para que não só passe 2012, mas o Carnaval, a páscoa e o quanto antes 2013. Convenhamos, a verdade é que dia 1 de janeiro é o dia mais melancólico do ano, pois nenhum dos desejos foi realizado por milagre - na verdade, você nem lembra mais dos tais desejos, só acredita que eles um dia existiram -, e a Terra prossegue a girar, como se a contagem nem mesmo existisse e só servisse de consolo para nossas almas vitimas desse grande acidente chamado vida humana. Estes são os meus votos para você caro leitor.

Mudando um pouco o clima. Nesses 365 dias eu vi vários filmes, ouvi vários discos (arquivos de mp3, mas discos tem um som muito mais bacana) e li vários livros. Por isso vou lhes dizer quais foram os 5 melhores de cada categoria. A única categoria que vai representar o ano, no entanto, é a de músicas. Simplesmente não li nenhum livro lançado em 2012 - nem acho que perdi nada por isso -, ou vi mais que 5 filmes lançados esse ano - isso mesmo, nenhum arrependimento. Portanto estas categorias conterão os filmes e livros que eu vi e li pela primeira vez esse ano. Já enrolei o suficiente, vamos pra lista:

Top 5 - Filmes vistos pela primeira vez em 2012

5 - Cães de Aluguel (Tarantino) - Diga o que quiser sobre o Tarantino. Que não é original, rouba técnicas, falas e ângulos de filmes obscuros encobrindo o plágio sob o manto da homenagem, pretensioso, que seja - gosto dos filmes dele. Ainda assim não tinha visto esse. Quanto tempo eu perdi. Muito bom, vale a pena.

4 - Trono Manchado de Sangue (Kurosawa) - Filme japonês, com temática feudal. Uma adaptação de Macbeth, muito bem feita e passada, não só para o cinema, como para a cultura japonesa. Vale lembrar que, para a cena final, o ator principal exigiu que lhe fossem atiradas flechas reais, para aumentar o realismo. Chupa 3D.

3 - Os Incompreendidos (Truffault) - Filme francês, semi-autobiográfico, que retrata a vida de um pré-adolescente problemático e as razões e consequências desse problema. Belo filme, simples, mas profundo.

2 - O Desprezo (Godard) - Bela adaptação do livro de Alberto Moravia para o cinema. Não li o livro, mas a marca de um bom filme sobre livro é sua capacidade de ofuscar sua origem. Laranja Mecânica fez isso, Poderoso Chefão, entre outros exemplos. Que fique claro que isso não significa que o filme substitui o livro, só não revolta os leitores. Quero muito ler a obra original do Moravia, pena que é uma raridade. Destaque para as belezas de Brigitte Bardot e Giorgia Moll.

1 - O Charme Discreto da Burguesia (Buñuel) - Sou fascinado pelo surrealismo e esse é um dos grandes filmes do gênero. Simbólico, onírico e aberto para as mais variadas interpretações. Um filme para ser visto diversas vezes.

Top 5 - Livros lidos em 2012

5 - Norwegian Wood (Murakami) - Excelente livro, que me tocou de forma pessoal e influenciou bastante minha escrita. Murakami se tornou, esse ano, um dos meus escritores favoritos. Já foi resenhado no blog, caso queiram saber mais.

4 - Foi Apenas um Sonho (Richard Yates) - Análise cruel e realista sobre o American Dream e suas consequências, logo durante o auge dessa política, o fim da década de 50 e começo de 60. Leitura obrigatória, na minha opinião, e agradável surpresa. Não foi resenhado, pois queria fazer um comparativo com o filme, que eu ainda não vi.

3 - O Amor é um Cão dos Diabos (Bukowski) - Buk foi quem abriu minha mente para a leitura, mas até o começo desse ano, não tinha lido nada de poesia dele. Grande influência também.

2 - A Insustentável Leveza do Ser (Kundera) - Assim como o Murakami, conheci esse autor esse ano e hoje ele é um dos meus favoritos. Demonstra grande conhecimento da mente humana e consegue explicar seus personagens de uma forma detalhada e profunda. Um dos meus livros favoritos e quase que foi o primeiro colocado na lista.

1 - O Lobo da Estepe (Hesse) - Esse livro me causou uma crise existencial durante suas últimas páginas. Sugiro aos meus leitores, que o leiam, pois eu não seria capaz de explicar esse livro de forma apropriada. Grande obra.

Top 5 - Álbuns de 2012

5 - Alway From the World (Dave Matthews Band) - Belo álbum, só não está mais acima na lista, pois não foi nenhuma surpresa. Esperava que fosse tão bom e se não o fosse ficaria profundamente decepcionado. Foi resenhado aqui.

4 - Locked Down (Dr. John) - Sou grande fã da música do Doutor e fiquei muito feliz ao saber que ele estava vivo e gravando. Belo álbum, moderno, mas de bom gosto, capaz de agradar qualquer um. Já foi resenhado.

3 - Tempest (Bob Dylan) - Dylan em 3º lugar? Pois é, o que segue foi muito bom e esse álbum não foi uma grande surpresa. Embora o velho Bob não grave nada muito bom já faz algumas décadas, esse álbum foi um belo retorno, mas isso não é mais que uma obrigação. Já foi resenhado também, é só procurar - se você está esperando um link, desista.

2 - Big Moon Ritual (Chris Robinson Brotherhood) - Gosto tanto do psicodelismo quanto do surrealismo, então essa banda foi uma grata surpresa e um belo substituto ao Black Crowes, que pelo jeito bateu as botas. Grande álbum que já foi resenhado aqui.

1 - Radio Music Society (Esperanza Spalding) - Jazz, soul, blues, grandes instrumentistas e uma voz espetacular. Essa foi a minha grande descoberta esse ano. Lindo álbum, com direito a cover de Wayne Shorter e músicas originais ainda melhores. Não sei o que dizer sobre esse álbum, só não me canso de escutá-lo e o estou ouvindo agora enquanto escrevo. Tão bom que quero que todos escutem também, e isso é só um álbum, sendo que toda a discografia dela até hoje é perfeita. Segue uma amostra:


Esse é meu top 5 de 2012. Gostaram? Faltou alguma coisa? Têm alguma sugestão para 2013? Comentário tá aí pra isso, use-o.

domingo, 30 de dezembro de 2012

Após o Anoitecer - Haruki Murakami (Resenha)


Primeiramente, sinto pela minha ausência nos últimos dias. Foi por um curto período e ninguém se deu falta, mas ainda assim, foi estranho para mim me ausentar desse meu pequeno centro terapêutico pessoal. A questão é que eu sempre me sinto pouco a vontade nessa época do ano, não consigo entender todo o significado, entende? Não? Não se preocupe, estou preparando (fazendo notas mentais e inserindo esse assunto em meus devaneios) um post sobre isso, que será jogado aqui um dia desses.

Sabe, este blog tem um monte de tradições (ou repetições) considerando sua pouca idade. Comentários sobre a beleza das atrizes presentes nos filmes resenhados; comentários sobre o baixo número de visitas, desconsiderando minha aparente indisposição para tomar atitudes que mudem a situação; uso de memórias ou casos pessoais para cobrir alguns parágrafos dos textos; posts com continuações nunca postadas; observações não-relacionadas ao assunto do texto e, vez ou outra, incoerentes e, finalmente, resenhas dos livros do Murakami. A verdade é que não leio muitos livros atuais e não me sinto a vontade resenhando clássicos - não me acho digno -, meu amigo Muraka, é o único autor "atual" que eu dei confiança e não me decepcionou - Kundera talvez se encaixe também, mas ele é bem mais velho... -; e como esse blog não é de resenhas gerais, mas sim resenhas das coisas que eu conheço, leio escuto e assisto, me vejo forçado a escrever mais e mais sobre o seu Haruki. Que posso fazer se esse é genial?

Vamos ao livro. Mari é uma jovem de 19 anos, insegura e que está tentando se recuperar do fato de ter passado a juventude sob a sombra de sua irmã mais velha, Eri, modelo por profissão e perfeita por força do acaso, que, cansada da coisa toda decide dormir e não acorda mais. Mari, decidi sair durante uma noite e então encontra o trombonista de jazz, Takahashi, que devido à alguns problemas familiares, procura um sentido para a vida. Nesse meio tempo, uma prostituta chinesa é espancada no Alphaville (busque no google a referência), e sua gerente, Kaoru, precisa da ajuda de Mari (fluente em chinês), para descobrir o que houve e resolver o caso. Com isso, acaba se envolvendo com a máfia chinesa. Bastante coisa para só 204 páginas, não?

A narração acontece em terceira pessoa (caso raro para o Murakami) e acompanhada de um pequeno relógio, para que o leitor acompanhe o período da madrugada em que se ocorre o cenário descrito. O livro também, como já é de se esperar, fica um tanto surreal em certos pontos, de modo a tornar a história ainda mais fascinante. Além disso tudo, o autor decide usar a 1ª pessoa do plural em muitos pontos da narração, como se este quisesse levar consigo o leitor para dentro desse mundo chamado madrugada de Tóquio.

Um livro fascinante, com muitos pontos deixados em aberto para interpretação do leitor, como o sono eterno de Eri, que pode ser simbolismo para uma vida superficial e fora da realidade, e a presença do homem sem rosto - que nunca é explicada. Vale não só a leitura, mas uma releitura. 

E como não poderia faltar, vamos ao resultado do Haruki Murakami Bingo, fala Lombardi:
Unexpected phone call - cats - old jazz record - train station - parallel worlds - tokyo at night - unusual name.
E, como sempre, nenhuma fileira completa.



Nota: 5,0/5,0 - porque eu ainda não consegui encontrar nenhum livro ruim para resenhar nesse blog...

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Cavalo de Guerra (2012)

 
 
O chefe aparece na empresa com uma cópia pirata desse filme e pergunta se alguém já tinha visto Cavalo de Guerra. Ninguém reagiu, então eu disse que planejava ver um dia, com isso eu quis dizer que provavelmente iria ver em meados de 2014, então ele se dirigiu até minha mesa e deixou o dvd ali para que eu visse. Foi o que eu fiz logo no mesmo dia, já que não gosto de manter coisas emprestadas, fico meio nervoso se não devolvo logo em seguida, como se estivesse endividado ou coisa assim. Além do mais, ele disse que o filme era bom e eu fiquei curioso.
 
Pra quem não sabe - eu não sabia -, esse filme é uma adaptação de um livro homônimo, que eu não li e, honestamente, não me interessei o suficiente para ler. Trata de um menino juvenil que cria um cavalo para ajudar na plantação, com o objetivo de tirar a família da merda. Dá certo, mas nem tanto, então o bicho é vendido para o exército e enviado para a guerra. O mancebo cresce, se alista e vai atrás de seu cavalo.
 
O roteiro é típico de filme da Disney. Os vilões são estereotipados e naturalmente maus, os mocinhos são estereotipados e naturalmente bons. Tudo segue conforme o previsível e cada cena parece ter como objetivo - fazer o espectador se emocionar. O conflito da família que vive na miséria, a separação entre o cavalo e seu dono, o sofrimento dos animais, uma menininha que aparece no meio do filme com a palavra "morte" escrita na testa, o sofrimento dos animais, os horrores "água com áçucar" da guerra e o grande final. Tudo devidamente programado para arrancar lágrimas das pessoas mais sensíveis. Sou imune a esse tipo de coisa. Roteiro programado para ser premiado não me afeta, o filme tem que ser sincero e isso eu não senti em momento algum.
 
Deixe-me falar sobre a menininha marcada para morrer. É óbvio que ela não morre em cena, mas todo o seu contexto deixa bem claro o seu destino. Na verdade eu achei que ia ser muito pior. Mas a presença dela foi extremamente gratuíta e corrida. Talvez no livro o papel dela e de seu avô tenha alguma relevância, além de ordenhar água dos olhos alheios, mas não no filme. No filme ela aparece por poucos minutos, proteje o cavalo, cria uma amizade com ele, então os malvados soldados alemães, nazistas desde a primeira guerra mundial, aparecem e levam o bicho para sofrer carregando máquinas nos campos de batalha.
 
E isso me leva aos alemães. Falando em estereótipo, dessa vez eles forçaram a barra. O general (ou seja lá qual for o cargo do vilão) me lembrou muito o vilão militar de Avatar, provavelmente por que vieram do mesmo livro de instruções - Como Escrever Um Vilão Unidimensional. Ele não liga para a saúde dos animais, trata todo mundo com desprezo e tudo o mais, e então desaparece. Nunca mais ouvimos falar dele. E então, quando menos se espera, a guerra acaba e está tudo bem. Acho que o roteirista cansou ou algo assim.
 
Agora vamos aos animais. Não sei se é por ser um filme da Disney, mas em todo o momento tive a impressão que os animais iam começar a falar. Principalmente o pato puto do começo do filme, que deve ter uma história muito mais interessante que a do cavalo. Senti que isso quebrou o clima dramático do filme, até nas cenas mais tristes eu ficava pensando em falas engraçadas, ao estilo cinema anos 50, para os cavalos lançarem sobre sua desgraça. Foi difícil levar a coisa toda a sério.
 
Honestamente, não sei o que achei desse filme. Com certeza não é tão ruim, mas está longe de ser bom. E essa é minha impressão sobre quase todos os filmes do Spielberg. A direção é boa, os visuais são interessantes, as atuações são boas, a trilha sonora, o roteiro é mediocre, mas é isso que se espera de uma adaptação. É tudo nos conformes. Mas tem algo faltando. O filme parece travado, forçado, preparado especificamente para concorrer ao Oscar. Não tem nenhuma sinceridade na história toda, os momentos de humor são completamente sem graça (o diálogo forçado entre os soldados inimigos que unem forças para salvar o cavalo...), só capaz de agradar aos bolsos dos produtores e àqueles que não viram filmes o suficiente na vida e se impressionam com pouco. É um filme picolé de chuchu, assim como o próprio Spielberg. Muito certinho, todo direitinho, mas sem graça nenhuma, sem emoção, sem gosto. Graças ao meu chefe, não vou assistir esse filme em 2014, ao invés disso, já terei me esquecido dele até lá.
 
Nota: 2,0
 
E o fim do ano vai passar e eu não vou falar nada sobre? Eu tenho que inventar alguma coisa...Todo mundo fala sobre sobrevivência, mas eu não quero sobreviver o apocalipse, não, eu vi Mad Max, sei bem o que acontece e quero ficar longe desse mundo. Acho que vai ficar sem post. Talvez eu possa comemorar, afinal acho que nossa civilização já deu o que tinha que dar, daqui em diante só vai ficar pior e pior que isso eu não quero nem pensar. Uma coisa que eu queria ver era o tal arrebatamento. Imagina, um mundo sem evangélico ou sem Testemunha de Jeová. Isso que eu chamo de paraíso! É claro que nesse contexto eu acabaria no inferno, mas que se foda. O inferno não passa de uma fila de supermercado, no fim da tarde de sexta-feira, quando a máquina de cartão fica sem sinal e o sistema do computador trava. A única diferença é que é eterno. Pelo jeito não vai dar em nada, mas eu mal posso esperar para contar para os meus netos que sobrevivi o apocalipse de 2000 e 2012 e todos os outros que seguirem depois desse. Acho que 2030 é o próximo ou 2021.
Espera um pouco, que porra é aquela brilhando no céu? Uma bola de fogo? Ai caralho é um meteoro! Fodeu, vai todo mundo morrer! AAAAAAAHHHH DEIXA EU PUBLICA O POS...

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Sobre Séries de TV - Parte 1(Hora da História com o Tio Rapha)

Todo mundo fala sobre séries, eu sei bem disse. Eu me juntar a esse grupo é apenas mais um sinal da minha decadência. Mas fazer o quê? Faz ou fez parte da minha vida e não há nada que eu possa fazer pra resolver esse problema. Hoje eu falarei para vocês, meus queridos seguidores e russos que aparecem por aqui de vez em quando, sobre as séries que eu assisto, as séries que eu gosto, as séries que eu odeio, enfim, toda essa bobagem que a juventude hoje em dia gosta.
 
Dessa vez não vai ter histórinha no meio do post, quero ir direto ao ponto. Então vou começar falando das séries que eu não gosto ou odeio. Lembrando que só incluirei aqui as que eu assisti. Se não estiver em nenhum ponto dessa lista, é porque eu nunca vi, ou vi uma ou duas vezes e não sei nada sobre. Outra coisa, não assisto nenhuma série que não seja comédia ou tenha algum humor no meio. Pois é, pode parecer bobagem, mas todas as séries de drama ou ação ou mistério, pra mim são impossíveis de serem levadas a sério (exceto as da HBO), os diálogos são fracos, a história previsível - são muito parecidas com as novelas brasileiras. De qualquer forma, a primeira série que eu não gosto, mas acho que muita gente gosta(gostava) é:
 
- House: Pois é, não aguento essa série. Admiro bastante o trabalho do Hugh Laurie em Blackadder, mas House pra mim é intragável. O personagem principal tem seus pontos positivos (o tal sarcasmo que todo mundo acha impressionante...) e a Olivia Wilde é um espetáculo por si só, mas séries "um monstro por capítulo" são muito previsíveis e exaustivas. Explicando o termo "um monstro por dia", lembram de Power Rangers, então, essa era a sistemática da série: um monstro novo aparecia por episódio (complicação), o resultado era sempre o mesmo, mas de vez em quando, alguma coisa aconteceria para desenvolver os personagens e seguir com a história, exatamente o mesmo andamento de inúmeras séries americanas (até porque não foi Power Rangers que criou esse sistema, foi só o exemplo mais claro), incluindo House. Surge um doente, eles pensam qual é a doença, erram, o paciente quase morre, o fodão aparece, cala a boca de todo mundo e salva o dia. Não é pra mim, vi uma temporada e cansei da coisa toda.
 
- How I Met Your Mother: Tenho um ódio profundo por essa série, pois ela não é engraçada, é extremamente previsível e eu não consigo parar de acompanhar porque eu quero saber quem é a puta da mãe daqueles moleques. Qualquer pessoa com meio cérebro sabe justamente cada uma das piadas do episódio antes delas acontecerem, experimente um dia, vai ver como é fácil o humor deles. Essa série só não foi cancelada ainda porque até os produtores querem saber quem é a atriz que vai interpretar a mãe, só pra que ela nunca mais trabalhe na vida. Os personagens são simplórios e nunca se desenvolvem, quando algo muda na vida deles, logo na outra temporada todo o desenvolvimento vai para o saco porque eles decidem reviver situações, personagens e roteiros. Vi graça em uma temporada, fui cansando na segunda, e agora, depois de oito anos, quero que o mundo acabe nessa sexta pra que eu não precise mais assistir essa merda.
 
- Friends: Agora eu acho que fui longe demais, mas é verdade. Não gosto de Friends. Não odeio, mas não acho graça nenhuma. É previsível, o humor é fácil, os momentos amizade me enojam, até a música de abertura me incomoda. Assisti alguns episódios aleatórios e parei.
 
- Two And a Half Man: Charlie Sheen só interpretou um papel a vida toda - ele mesmo -, pois é aí que termina sua capacidade de atuação. Se ele está em algum lugar hoje é graças ao pai, que hoje deve se arrepender profundamente do que fez. De novo, o humor é fácil e o timing dos atores é péssimo. Nem vou falar da temporada atual porque me recusei a assistir esse fiasco. Tudo que foi dito agora vale para a nova série dele, que eu esqueci o nome.
 
Notem uma coisa em comum entre How I Met Your Mother, Friends e Two and a Half Man - laugh track. Aquela risada artificial que busca apontar para o público o que ele deve achar engraçado. Essa é a marca de uma série ruim.
 
Acho que é só sobre as que eu não gosto. Estava pensando enquanto escrevia e percebi que existem bem mais séries que me agradam do que me desagradam, talvez esse post tenha que ter continuação. O problema é que eu sempre esqueço de continuar, então eu vou citar algumas séries que eu gosto para parecer que o post está completo caso em nunca volte a ele.
 
Louie: série atual e em andamento, com o Louis C.K., interpretando ele mesmo como um comediante em Nova York, divorciado, com duas filhas e uma crise de meia idade. Tem o mesmo andamento de Seinfeld, mas sem laugh track e sem censura. Não tem nada nesse programa que não possa se tornar uma piada e é por isso que eu acho a série genial. Uma das melhores da atualidade.
 
 
Quem não fala inglês que me perdõe, mas fodam-se os seus problemas
 
 
- The Office (britânico e americano): a série britânica é simplesmente hilária, enquanto a americana tem seus defeitos, principalmente nas temporadas atuais, mas ainda assim diverte. Ambas não utilizam laugh track, na verdade funcionam como um documentário. Sugiro a versão original para qualquer um que goste de comédia. Quanto a versão americana, ao final da 9ª temporada, farei uma resenha completa.
 
- Seinfeld: essa tem laugh track, então por que eu gosto? Ora, essa série não se limitou ao humor fácil. Eles fizeram algo que ninguém tinha feito antes, a busca pela série sobre nada, o humor cotidiano baseado em detalhes e situações comuns. Eles conseguiram tornar uma fila de espera para entrar em um restaurante chinês, algo engraçado. Os diálogos são excelentes, as interpretações conseguem ser se aproximar do natural (considerando que a cada 2 minutos as falas são interrompidas por risadas nada naturais), enfim, é uma série muito boa e que até hoje consegue ser muito engraçada.
 
- Curb Your Enthusiasm: essa sim é a série mais engraçada da televisão atualmente. Larry David, escritor e produtor de Seinfeld, decide fazer um programa sobre ele e seus pensamentos. Não recomendo para aqueles que concordam com o politicamente correto. Essa série faz piada de todos os assuntos possíveis, incluindo violência doméstica, holocausto e mal de Parkinson (com participação do Michael J. Fox). É uma série genial em cada detalhe e que eu sugiro a qualquer um que entenda e goste de comédia. Espero ansiosamente que a HBO anuncie a nona temporada (que eu acompanharei na minha tv a cabo alternativa).
 
 
 
Assim eu encerro a primeira parte desse post e dou fim a dignidade desse blog. Espero que tenham gostado.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Poesia Lírica Moderna - 12 - Como é bom ser vida loka - Mc Rodriguinho



Essa molecada hoje em dia, viu...

Essa Juventude! ou O que é Certo é Certo.

Tenho a impressão que as gerações estão saltando em uma velocidade assustadora, proporcional ao avanço das técnologias. Todo ano aparece uma geração completamente diferente, com novos hábitos, modas e gostos, e, inevitavelmente, a mudança é sempre para pior. Talvez tenha sido sempre assim. Nossos livros de história, estudos e evidências não têm capacidade de definir essa sutil mudança. A impressão que temos, ou melhor, que eu tenho - sempre suspeito de gente que fala em nome de um grupo geral, por isso meus textos são sempre os mais pessoais possíveis - é que, antes, nos tempos antigos do homem primitivo, as gerações passariam conforme a evolução de nossa espécie. Depois passou a mudar de acordo com a ascensão e queda das civilizações. O tempo foi passando e a impressão era que a geração mudava conforme a mudança no governo (feudalismo para monarquia e por aí vai, não seu mestre em história). Mais tarde as gerações se tornaram os séculos, depois as décadas, hoje parecem ser os anos e, talvez, um dia seja uma questão de semanas - seria estranho, mas nada impede.
Talvez seja tudo saudosismo. Saudades da juventude que ainda não partiu, mas parece distante. Talvez os jovens de hoje sejam iguais aos jovens do meu tempo. Com certeza a estupidez ainda lhes pertence. Mas tem algo a mais. Algo inexplicável, que antes não se via. Inexplicável, mas que eu vou me arriscar a explicar ou atirar informações e teorias o suficiente para que o leitor me explique.
Geralmente a marca da mudança de geração, nos tempos modernos, é o aumento da ousadia. Uma vontade de revolta ou coisa do gênero. Não é isso que acontece hoje, nem aconteceu no meu tempo. Creio que, nesse quesito, existe um regresso. O jovem parece acomodado e confortável. Não teve que lutar muito, a não ser contra seus próprios hormônios, ou razões pessoais. Quando digo lutar, digo por um bem geral. Por um direito ou contra um sistema. Isso não existe, não nesse país. Gostaria de poder dizer que a razão disso é que tudo hoje é perfeito, mas é mentira. Penso que são as possibilidades de fuga que tiram do jovem a vontade lutar. Poder-se-ia igualar possibilidade de fuga com comodismo, mas são duas coisas diferentes. A última, é quando tudo está bem, mesmo com seus defeitos, quando não vale a pena lutar para corrigir algo que já é mais ou menos. Fuga é quando tudo está péssimo, mas o computador mostra um outro mundo onde nada é tão ruim, ou um filme, ou uma música, ou, raramente, um livro. Nunca uma geração teve tanto acesso a entretenimento. Não é mais necessário sair de casa ou mesmo procurar, sequer tentar entender, o entretenimento os atinge, devidamente mastigado, onde quer que estejam. Essa é a causa do comodismo, então, digamos que a fuga e a acomodação estão diretamente relacionados, embora sejam coisas completamente diferentes. Se esse fosse o maior dos problemas - a inaptidão pra luta -, creio que estaríamos bem, em risco, mas acomodados, mas fica pior. A geração que não luta, adquiriu também uma cara-de-pau absurda, digna da pior das comédias. Uma autosuficiência triste de se ver, considerando que ela se quebra na primeira queda do wi-fi.
Os jovens estão folgados, essa é a forma mais curta e simples de expôr a ideia. Seja qual for a classe social, o nível educacional, não importa - são uns abusados filhos de umas putas, como diria minha querida avó. Falam alto no telefone, ficam olhando aquelas malditas telas ao invés de olhar o caminho, atropelando a tudo e a todos e ainda exigindo que o atropelado se retrate - quando chega a tanto, a maioria simplesmente cegue como um cavalo de viseiras, com hábitos intestinais de vaca.
Até mesmo os criminosos adolescentes estão assim. Lembrei-me de um caso envolvendo um colega de trabalho. O pobre homem casaria logo naquele fim de semana, estava agitado e correndo de um lado para o outro, para conseguir que todos os seus planos e, principalmente, os de sua esposa, se realizassem. Se não bastasse esse problema, o coitado ainda sofreu um acidente envolvendo uma bicicleta motorizada, que, peço que perdoem o meu francês, fodeu com o seu joelho, submentedo-o a uma séria operação e mais vários meses mancando. Lá estava ele, no início de uma tarde qualquer de verão, logo após almoçar, saindo com pressa de um supermercado em direção ao seu escritório, quando ele vê dois moleques, um a pé, outro de bicicleta, roubando o celular de uma moça, que regulava com a idade dos bandidos, distraída.
Ele deu a volta com sua moto e seguiu os pilantras, que logo o perceberam o sujeito baixo, calvo e fora de forma, fazendo manobras em sua biz e acelerando em sua direção. Fugiram para o estacionamento do supermercado. Logo outro homem que passava passou a perseguir os dois também e eles se dividiram para dois lados diferentes. O outro cara foi atrás do de bicicleta, o héroi do escritório, vamos chamá-lo de Zé de agora em diante, foi atrás do que corria. O menino correu e correu, mas foi fechou pelas manobras da biz. Então, com o capacete na mão, Zé encara o trombadinha e, exibindo toda sua fluência em grego e latim, diz:
- Ô moleque, tu pegou o celular da menina, se malandro do caralho!
- Não peguei nada, não senhor - o menino diz, tenso, mas sem medo algum, ao mesmo tempo deixando claro que estava desarmado, única preocupação de Zé.
- Que não pegou, seu filho da puta. Eu te vi catando o celular da menina. Me entrega essa porra ou te enfio o capacete na cara!
- Opa - ele diz, tirando o celular do bolso. - Calma aí, senhor, pode pegar o celular. O que é certo é certo.
Os dois são pegos pela segurança do mercado e Zé entrega, vitorioso, o celular para sua devida dona. A jovem, loura e inocente, diz olhando com seus olhos azuis e brilhantes de emoção para os olhos cansados e sem vida do homem que estava prestes a entregar sua liberdade da mesma forma que acabava de entregar o celular:
- Posso te dar um abraço?
E ele recebe sua recompensa, como um Super Homem em fim de carreira. Volta ao seu trabalho, conta a história e se sente feliz, no entanto, confuso. As últimas palavras do trombadinha o fizeram pensar. "O que é certo é certo", o que um ladrão de celular preso no flagra poderia querer dizer com algo assim. Então todos no escritório pararam para pensar na onda de crimes e assassinatos cometidos por gente cada vez mais nova. Esses criminosos, quando pegos, quase não reagem. Não demonstram arrependimento. Acham que é assim que gira o mundo, que realmente "o que é certo é certo". A mais pura cara-de-pau. Talvez essa seja a marca de uma geração.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Primeira Impressão


Um ano presos no mesmo cercado
vivendo e respirando o mesmo ar
sem nos conhecermos

O elevador para e eu entro e lá está ela
segurando um balde, com seu louros cabelos presos e olhos azuis desconfiados
eu carrego um colchão mais velho que eu, rasgado
descabelado e sujo, suando de trabalhar, olho seus olhos que rapidamente desviam
olho meu colchão, olho para ela, olho a mim mesmo no espelho

“Há um ano moro aqui e justo hoje é que eu te vejo”
ela ri por piedade
olha para o chão sem nem me lançar um sorriso
o elevador para
ela desce sussurrando um tchau

Nessa vida, só param os elevadores
o tempo segue
e as pessoas também
meu pensamento para, parou nos olhos dela
e voltou a andar junto do elevador

Jogo fora meu colchão e uns pedaços de madeira quebrada
que também levava comigo

Não voltei a vê-la
para uma segunda impressão

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Sobre o Elevador (Hora da História com o Tio Rapha)



Eu prometi no meu texto sobre o restaurante por quilo que faria algo parecido sobre os elevadores de prédios residenciais e comerciais. Então, como o fim do mundo está chegando e eu quero deixar meu legado para a geração do pós-apocalipse em forma de constituição, para que o novo mundo seja uma espécie de utopia pessoal do lendário tio Rapha, tenho que correr e escrever logo as regras que faltam. É muito trabalho para só dez dias, mas eu acho que eu consigo, afinal era para o mundo ter acabado em 1900 e, nessa época, já era uma data remarcada.
 
Mas antes de ir direto ao ponto, uma histórinha para fazer jus ao nome do post.
 
Sempre vivi em prédios. Acho que uma vez, ainda criança, vivi em uma casa, mas por muito pouco tempo e quase não me recordo do lugar. Gostava dos prédios e hoje em dia a vida nas cidades exige isso. Não que o prédio seja uma fortaleza de segurança, impenetrável e livre da criminalidade, nada é assim, mas as casas parecem ainda mais perigosas - principalmente quando determinadas pessoas na sua família têm medo de instalar uma cerca elétrica, por causa das crianças brincando na rua (vai entender gente assim...). Além dessa experiência residencial, trabalho já há alguns anos em um prédio comercial, no sétimo andar e sei que, entre os horários de almoço e fim de expediente, o elevador, ou mais exatamente a espera pelo elevador, pode ser um cenário Dantesco, não só no que se refere a inferno, mas purgatório e paraíso também.
 
Como tudo nessa vida, o elevador também precisa de regras. Não só as leis comuns e dispostas em placas como, "proibido fumar" ou "peso máximo de 900kgs", mas as leis que realmente importam em nossa sociedade, as leis não escritas, que eu, tio Rapha, estou me dispondo a escrever. Com isso, peço que o leitor me acompanhe nessa jornada de subidas e descidas, pelos intestinos das construções urbanas pós-modernas.
 
São duas etapas simples, a fila de espera para o elevador e o comportamento dentro do elevador. Nada complexo, mas ainda assim algumas pessoas têm problemas, então seguem as regras para esperar:
1 - Se você vir que as pessoas esperando o elevador estão enfileiradas, não pense que é apenas por diversão e passe a frente de todo mundo. Junte-se a fila.
2- Os enfileirados têm todo o direito de constranger, insultar e/ou agredir aquele que decidir ignorar a fila.
3 - Se não houver fila, siga a ordem de chegada de qualquer forma. É necessário ordem, do contrário vivemos em uma anarquia!
4 - Não reclame da demora. Se o prédio for comercial, todos na fila entram na mesma hora que você, seu atraso não é nenhuma exclusividade e ninguém se importa.
5 - Preferência aos idosos só deve ser concedida se este comprovar não ter capacidade de ficar de pé por um longo período de tempo, se não ele espera como qualquer outra pessoal. Afinal, se tem alguém com tempo livre é ele (considerando que se trata de um aposentado).
6 - Tudo tem limite. Se não parece que tem espaço no elevador, é porque não tem espaço no elevador. Aguarde o próximo.
7 - Já falei que estou pouco me fodendo pra sua pressa? Já. Então eu repito.
8 - As pessoas dentro do elevador só devem considerar segurar a porta para você enquanto você se encontrar em seu campo de visão. Passos, vozes, nem nada do gênero contam.
9 - Estão segurando a porta pra você? Corre, filho da puta! Ninguém é empregado.
 
Parece simples, mas todos que frequentam esse tipo de ambiente sabem com que frequência essas regras são quebradas. Mas não acabou, existem regras dentro do elevador também.
 
10 - Você entrou, parabéns. Agora aperte o botão do seu andar de destino e se acomode. Rápido! Tem mais uma fila imensa de gente atrás de você e a porta é automática.
11 - Verifique seu andar de destino com antecedência.
12 - Se algum cretino estiver te bloqueando a entrada por mais que 3 segundos, pensando pra qual andar ele vai - empurre-o sem pena. Deixe o idiota fazer um passeio e distrair a mente. Talvez assim ele aprenda a lição.
13 - Se você for idoso, o prazo para pressionar o botão é de 6 segundos - não mais.
14 - Segure as mãos de seu filho. Se você não consegue, deixe que um adulto mais competente o faça. Se o moleque sair apertando todos os botões em uma demonstração frenética de alegria e não for deficiente, este deverá levar uma surra de todos os presentes no elevador que assim o desejarem.
15 - Pode se olhar no espelho o quanto quiser, mas saiba que é ridículo, principalmente se for homem - não se preocupe, seu penteado à Neymar está em ordem, você é idêntico a um pônei.
16 - Respeito o espaço pessoal do próximo, mas não deixe grandes espaços vazios.
17 - O espaço do elevador deve ser aproveitado ao máximo. Se achar desconfortável, pegue as escadas. Esse é o custo da vida fácil.
18 - Desliga a porra do celular! Você gritando por 10 minutos: - "Acho que estou perdendo o sinal! Alô!" - Não interessa a ninguém. Se essa regra for quebrada, todos têm o direito de tomar posse do seu aparelho telefônico portátil e pisoteá-lo. No elevador o bagulho é olho por olho.
19 - Se você ouvir o alarme de emergência disparar sem motivo, não se espante. Foi sua bunda que pressionou o botão. Relaxe e emagreça.

Você enfrentou a fila, virou recheio de panqueca na cabine e chegou ao seu destino. Acha que as regras acabaram? Pois você está errado.

20 - Peça licença antes de sair atropelando.
21 - Se ouvir alguém pedindo licença, saia da frente.
22 - Se pedir licença e não houver reação, saia atropelando.
23 - Segure a porta para quem for sair. Nada mais frustrante que passar horas esperando, chegar no andar desejado e ver a porta fechando na sua cara porque algum filho da puta dificultou sua saída e ninguém impediu a porta de fechar.
24 - Sinta-se livre para vingar-se de quem quer que seja que bloqueou sua saída.
25 - Se estiver descendo para o térreo com um grupo, mulheres e crianças primeiro.
26 - Se estiver no canto ao lado da porta, parabéns, você é o porteiro!
27 - E nunca, em qualquer circunstância, bloqueie a entrada ou a saída de um elevador. Se não tem interesse em entrar nele, saia do caminho.

Essas são as regras de etiqueta, ou seria bom senso, no elevador. Notem que eu não incluí quedas de energia ou defeitos. Esses são outra história completamente diferente e muito mais delicada. Talvez trate sobre isso um dia, mas não tão cedo. Primeiro tenho que criar leis para o supermercado.
E lembrem-se, o Tio Rapha sabe o que fala.

sábado, 8 de dezembro de 2012

Sobre a Música - parte 2 (Hora da História com o Tio Rapha)

Onde foi que eu parei da última vez mesmo? Estava falando alguma coisa sobre o rock psicodélico, década de 60, verão do amor e como essa forma de pensar e formar sociedade, dos hippies, me influenciou na adolescência, certo? Deve de ter sido alguma coisa assim... Hoje eu vou variar os gêneros, falar sobre o que aconteceu depois e, quem sabe se der tempo, fazer algumas críticas, pois é isso que eu faço de melhor nessa vida - reclamar.
A transição do Heavy Metal moderno para o rock de 60 fez com que eu mudasse por completo minha visão sobre música. Antes eu me importava com a parte técnica do negócio, o que, em retrospecto, parece bastante ridículo, considerando que meu conhecimento técnico sobre música é mínimo. De qualquer forma, me interessava por quantas notas um guitarrista conseguia enfiar em seu solo, por segundo; por quanto tempo a música durava; mudanças abruptas de ritmo; alcançe vocal e afinação do vocalista; enfim, toda essa bobagem pretensiosa que não significa porra nenhuma. Os hippies me ensinaram que tudo isso pode ir à merda, basta se importar com o conteúdo de sua música e deixar a coisa levar. Jimi Hendrix era um gênio, mas o próprio admitia cometer erros graves, técnicamente falando, em seus shows. Mas agora você, caro leitor, me diga se é perceptível, ou melhor se realmente importa. Feche os olhos e tente se isolar do resto do mundo ouvindo um disco ao vivo do Hendrix e me diga se existe, no rock, coisa mais perfeita. Janis Joplin desafinava, Grace Slick desafinava, Bob Dylan nunca acertou um tom na vida, mesmo assim, são as melhores vozes do gênero. Eram simples, eram puros, mas se importavam com a música, com a arte da coisa. É esse "se importar" que realmente me interessa. Bandas como Spirit, Grateful Dead, o músico Frank Zappa, Tomorrow, atingiram um sucesso comercial mínimo durante suas carreiras, mas em nenhum momento adaptaram suas composições para deixar mais agradável para o ouvinte. Faziam o que queriam e isso simplismente não existe mais em nossa indústria musical. Talvez com exceção de Black Crowes (pelo menos nos últimos discos), Siena Root, Baby Woodrose, Weird Owl e coisas assim, mas quem é que ouviu falar desses caras?

Creio que isso é coisa de época esse "se importar". Antes fazia parte da música, era inseparável, era o fator que a garantia o título de arte. Com certeza deve ter existido algum compositor barroco que adaptava suas composições conforme o desejo do rei, mas este se perdeu no tempo. Deve ter sido um grande sucesso na época, mas logo foi cansando e o substituíram por algum novo compositor, com a mesma falha de caráter, mas dessa vez com composições clássicas, ou talvez óperas. Os de verdade, aqueles que lançavam sua alma e sua mente nas notas, esses são ouvidos até hoje. Talvez os jovens mais ignorantes não saibam os nomes desses caras, mas com certeza já ouviram suas músicas.
E é partindo dessa ideia que eu começo minhas reclamações. Não sou desses que definem a qualidade de uma música partindo do gênero. Acho que todos têm seus representantes respeitáveis e todos têm os vergonhosos. Convenhamos, uma pessoas não gostar de sertanejo universitário, mas ouvir Poison, não é tão diferente assim, certo? Desculpe-me se te ofendi, mas é a verdade, ambas se venderam para o que estava na moda na época. Hoje são uns playboys de camisa polo apertada, cabelo espetado e bota de cowboy, falando sobre balada, bebida ruim e dinheiro; antes eram umas bonecas infláveis, com um penteado igual ao da sua mãe, vestindo só Krishna sabe o que, falando sobre cocaína, mulher fácil e bebida boa (até que os temas não eram ruins, mas a musicalidade era fraca...). O que eu quero dizer é que, assim como o sertanejo, o tão amado rock também ficou inteiramente pretensioso e se vendeu para qualquer coisa que desse algum dinheiro. Independentemente, o resultado é sempre o mesmo. Que fim levou Poison? O mesmo que levou Wham, Peter Frampton (perdão, ele tem seus méritos, mas I'm In You foi de foder a alma),  A-ha, o compositor que eu inventei que tocava para amansar o ego do rei e, logo logo, aquele vesgo afeminado e o cara parecido com o Neymar (quase todo mundo hoje dia) - o esquecimento.

Não existe gênero musical sagrado. Todos têm algum representante vergonhoso que merece o fim que recebe. A parte triste é que, coisa boa não falta, no entanto a maior parte das pessoas prefere a música ruim, dá valor e apoia a música ruim - até mesmo as pessoas que reclamam do funk e do sertanejo. O motivo disso é que os reclamões raramente se dão ao trabalho de caçar as coisas boas e perdem seu tempo ouvindo justamente aquilo que tanto dizem odiar. Tal qual o cretino que fala mal do Faustão todo o Domingo, enquanto assiste as Cassetadas (ainda existe isso?).

Eu me perdi legal nessa porra... O objetivo era falar um pouco sobre a parte boa do rock, que eu não cobri no texto anterior, e partir para o jazz e o blues, mas eu já escrevi demais nesse texto, que era pra ter sido postado aqui ontem. Acho que o objetivo disso tudo foi dizer: não reclame, procure qualquer coisa que te agrada. Exceto que aquilo que não te agrada lhe esteja sendo imposto, então você reclama, mas em qualquer outra circunstância - cale a boca e vá à caça (ou à merda, tanto faz pra mim)!

Mais alguns exemplos das bandas citadas hoje, premiando você que leu essa porra até o fim (ou simplesmente correu com o mouse para o fim do texto), em especial pra quem diz que não tem nada bom na música atual:







quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Sobre Coisa Alguma


Espanto a mosca que pousa em meu braço, com um tapa e penso: - “ela é real”
o sol que me bate e me queima e bloqueia minha visão, é real
meu apartamento e o chão que piso, tudo é muito real
 
A mosca tenta alcançar a luz do sol e bate no vidro
uma vez, duas vezes, três e quatro, cada vez mais rápido, e cai
por que estaria o nada em meu caminho? – diz seu zumbido final
para ela, o vidro não era real

O que significa tudo isso?

Se somos montes de átomos interpretados
real não existe
é tudo imagem cerebral e individual
tudo é o nada e nada é todas as coisas
eu sou todas as coisas e nada
meu vizinho sou eu e nada
meu apartamento sou eu e nada
somos tudo o mesmo e nada
esse real doido e inventado que a todos engana
dando impressão de sentido
é tudo e nada

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

(500) Dias com Ela (2009) - Resenha

Obs.: Gostaria de me retratar com a comunidade, pois quebrei minha própria tradição ao escrever uma resenha desse filme sem fazer um comentário sequer sobre a Zooey Deschanel. Informo-lhes que estou envergonhado, mas tomarei as devidas providências para que algo assim não se repita. O grupo Delirando e Escrevendo lamenta o ocorrido e declara que punirá o infrator, mesmo este sendo o criador do mencionado grupo. Segue a versão corrigida da resenha (edição em 5/12 - 17:30).

Esse fim de semana eu dediquei a assistir alguns filmes europeus clássicos que eu sentia a necessidade de assistir já faz um tempo. Depois disso, no domingo, precisei assistir algo um pouco mais leve - cinema simples e sem propósitos artísticos. Decidi ver (500) Dias com Ela, de 2009, porque ouvi maravilhas sobre esse filme desde o lançamento. Na época tive curiosidade de ver, mas fui deixando pra depois, deixando pra depois e o depois se tornou domingo passado.

Estava com um pé atrás por causa do tema. Achava que ia ser uma daquelas comédias românticas típicas, sabe? Cara gosta de garota; garota muito ocupada e moderna para se compromissar com o cara; cara encontra uma substituta não tão boa, mas submissa, para garota; garota se arrepende, tenta voltar pro cara, mas descobre que ele está com outra, os dois brigam, mas se arrependem e terminam felizes para sempre. Seria uma bosta, eu sabia. Pelo menos minha resenha negativa para o blog seria engraçada. Até que, logo no início, a nota do autor em homenagem a sua ex me fez sorrir, o que é mais do que qualquer comédia romântica já conseguiu tirar de mim. Fiquei otimista, mesmo sabendo que aquilo não era tão engraçado assim, muito menos significava que o filme seria engraçado - no máximo indicava um final triste.

Algo no meu cérebro tenta me alertar a não olhar diretamente
para esses olhos, mas quem disse que eu consigo?
Merda! Como eu vou terminar a resenha agora?
Vamos ao enredo. Não me recordo do nome de nenhum dos personagens, exceto a Summer (Zooey Deschanel, que, para não perder o costume deste blog - é um espetáculo! Devo ter perdido a metade do filme olhando para ela e para aqueles olhos...), mas não importa, já que só o protagonista e ela que passam por algum desenvolvimento, os amigos são só apoio ou alívio cômico, chamemos o protagonista de "cara", também. O cara acredita no amor e no destino e toda essa história. Summer, não. Ele quer um compromisso, ela não quer. Ela avisa o cara, mas mesmo assim ele se apaixona e, então, o tema do filme começa a se desenrolar. E eu estava errado desde o começo, não se trata de uma comédia romântica, mas sim de uma comédia sobre amadurecimento. Os dois brigam muito, Summer perde o interesse e dá cabo ao relacionamento. Ele passa o resto do filme tentando superar.

O filme começou e eu já percebi que ele não seria linear. E uma comédia (romântica ou não) raramente precisa da não-linearidade. Não-linearidade gratuita é um saco. Nota aos diretor de comédia: embaralhar o começo, o meio e o fim de um filme não te torna o David Lynch. Na verdade eu não sei o que pensar do uso desse artifício nesse caso. É interessante ver o desenvolvimento do relacionamento dos dois, no entanto pelo que vi no imdb, algumas pessoas notaram que as datas não se encaixam de forma coerente. Ou seja, o roteirista se embaralhou na sua própria história. É arriscado e não é qualquer um que consegue manter uma história assim sem se perder. Mas isso são detalhes, vamos aos pontos positivos.

Considerando o tipo de filme que 500 Dias é, ele carrega muito mais profundidade que os outros de seu gênero. No entanto, devido à maldita obrigatoriedade de dar uma mensagem positiva no final, a tal profundidade acaba se tornando muito rasa. Cumpre o seu objetivo, mas se aproxima muito da presunção. As ideias que o filme tenta passar não são, de forma alguma, novidade. Ainda assim, foi positivo, já que eu esperava muito menos. Summer é muito bem desenvolvida e seus traços de personalidade são bem explicados. Gostei bem mais dela como personagem, que do protagonista que, na minha opinião, é um fresco, chato pra caralho. Todo mundo tem algum caso de amor não correspondido para contar e é sempre um sofrimento, mas pra tudo tem limites. "SEJE" HOMEM!

Li bastante sobre o filme antes de vê-lo, inclusive algumas reações e resenhas populares. Fiquei impressionado com o número de pessoas contrárias às atitudes de Summer, dizendo que ela não tinha o direito de fazer o que fez. Minha conclusão foi que, ela viu o desastre do casamento de seus pais e não queria o mesmo para ela, portanto ela se tornou muito exigente em seus relacionamentos. Nada mais que um direito. A culpa foi do cara, que fez dela a mulher da sua vida sem nenhuma autorização.

Uma coisa que não gostei, pois nunca gosto, é da gratuidade do uso do conceito de destino, não só nesse filme, mas por toda a humanidade. Primeiro de tudo, não acredito em destino - acredito em probabilidades formadas por ações, ex.: sair na rua uma determinada hora, aumenta suas chances de encontrar outras pessoas que saem nessa determinada hora. Parece óbvio, mas algumas pessoas parecem não entender isso. A ideia que o filme e a sociedade passam de destino, é que destino só é o que é, quando este traz um resultado positivo. Do contrário é acidente ou acaso. Desculpem-me, mas, ou é tudo destino, ou é tudo acaso. Se tudo for destino e sua vida for uma merda, sinto muito, mas alguém lá em cima não gosta de você. Então faça como eu e deixe de acreditar nessas bobagens. Não somos nada além de grãos minúsculos, movendo-nos constantemente no ritmo de uma matemática absurda e nos dirigindo para o nada. Pode parecer ruim, mas é melhor do que ser uma marionete em um jogo sem sentido.

O filme é bom, embora não seja isso tudo o que dizem ser. É que ele faz parte de um gênero dominado pela mediocridade, por isso o fato de ele ter uma mínima qualidade faz com que ele pareça muito melhor do que realmente é. Vale a pena assistir, sem compromisso, da mesma forma que eu assisti - buscando qualquer coisa leve, para distrair.

Nota: 3,5/5,0

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Poesia Lírica Moderna - 11 - Munhoz e Mariano - Camaro Amarelo



Quer um Camaro Amarelo, roupas de grife e tudo mais que você precisa pra apavorar a mulherada? Mate seu pai!

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Dançando no Escuro (2000) - Resenha

Quanto mais eu ouvia ou lia sobre os filmes do dinamarquês Lars Von Trier, mas eu os evitava. Gosto de uma tragédia tanto quanto qualquer um, mas seus roteiros e o clima de seus filmes me faziam pensar que ele se esforçava para desenvolver uma depressão profunda em qualquer um que viesse a assistir seus filmes. No entanto, ouvi maravilhas quanto a qualidade de sua obra e esforço em tornar seus filmes uma obra de arte. Então decidi assistir ao musical Dançando no Escuro.
 
Nunca valorizei musicais. Minha opinião é a mesma do Jeff (personagem do filme), não consigo entender o porquê dos personagens começarem a dançar e cantar, sem motivo, em situações cotidianas. Pra mim isso é idiotice. Ainda assim abro exceções para My Fair Lady (por causa da Audrey) e alguns outros que me convenceram de que, apesar da cantoria, o enredo é plausível. Dançando no Escuro, entrou na lista das minhas exceções. Nunca vi um musical assim antes, feito de modo que até a cantoria se encaixa de alguma forma no roteiro, sem dar aquela impressão de "pausa abrupta para música".
 
Vamos a história. Selma (Björk), veio da Tchecoslovaquia para os EUA, na esperança de juntar dinheiro para uma operação nos olhos de seu filho. Ela sofre de uma doença congênita e está, aos poucos, ficando cega. Seu filho sofre da mesma doença, embora não saiba, pois a preocupação pode piorar seu estado. Selma não gosta do capitalismo, crê que o comunismo de sua terra natal é melhor para as pessoas, mas ama os musicais americanos. Divide seu tempo entre o trabalho em uma fábrica (arriscado considerando sua doença), a criação de seu filho (dividida com os vizinhos e proprietários do terreno que ela aluga) e os ensaios de um musical amador da cidade. Tudo vai bem, até que merda acontece e eu entendi porque os filmes do Lars von Trier causam depressão. Não falarei o que acontece, veja e descubra. Exceto que você tenha tendências suicídas, nesse caso, fique longe desse filme.
 
Esse filme é o último da trilogia "Corações de Ouro" do diretor, que se baseia no tema "heroínas que, independentemente da tragédia, mantém seu coração de ouro". Isso define bem o filme. Ainda assim, a heroína não é perfeita todo o tempo, ela sofre e se desespera como qualquer outra pessoa que vê sua vida chegando ao fim e o futuro do seu filho em risco. É um filme humano, que explora nosso lado desumano e o teatro dos tribunais. Tudo isso junto aos sonhos musicais (compostos e interpretados por Björk, com letra do Lars) de Selma, que deixam o tom do filme mais leve, embora fique sempre claro de que estes não são nada mais que uma tentativa de fuga ilusória do destino terrível. Ficou claro que não é um desses filmes para se assistir casualmente, para entretenimento.
 
Outro detalhe, o filme é feito levando em consideração as regras do Dogma 95. Quebra algumas regras, mas segue as mais importantes. Pra quem não sabe, Dogma 95 é um manifesto feito pelo Lars e outro diretor do mesmo estilo, buscando limitar os meios de seus filmes, tornando-os mais simples e difíceis de agradar, fazendo com que o roteiro e as atuações tenham que compensar pela ausência de efeitos e outras distrações. Muito interessante, considerando que estamos na geração "foda-se o roteiro, faça 3-D". Essas são as regras do manifesto:
 
1. Filmagem deve ser feita no local. Acessórios e cenários não devem ser utilizados. Se um acessório específico ofr necessário para a história, a localização deve ser escolhida de modo que o acessório possa ser encontrado.
2. O som nunca deve ser produzido fora das imagens ou vice versa. Música não deve ser usada exceto que esta ocorra dentro da cena filmada. - Esse filme quebra essa regra, embora a origem das músicas seja gerada pela cena.
3. A câmera deve ser usada na mão. São consentidos todos os movimentos - ou a imobilidade - devidos aos movimentos do corpo. (O filme não deve ser feito onde a câmera está colocada; são as tomadas que devem desenvolver-se onde o filme tem lugar).
4. O filme deve ser em cores. Não se aceita nenhuma iluminação especial. (Se há muito pouca luz, a cena deve ser cortada, ou então, pode-se colocar uma única lâmpada sobre a câmera).
5. São proibidos os truques fotográficos e filtros.
6. O filme não deve conter nenhuma ação "superficial". (Homicídios, Armas, etc. não podem ocorrer). - isso também acontece no filme.
7. São vetados os deslocamentos temporais ou geográficos. (O filme ocorre na época atual).
8. São inaceitáveis os filmes de gênero.
9. O filme final deve ser transferido para cópia em 35 mm, padrão, com formato de tela 4:3. Originalmente, o regulamento exigia que o filme deveria ser filmado em 35 mm, mas a regra foi abrandada para permitir a realização de produções de baixo orçamento.
10. O nome do diretor não deve figurar nos créditos.

Gostei bastante. Acho que mais diretores deveriam se interessar por esse tipo de limitação, ou pelo menos não depender tanto das técnologias e facilidades atuais. Vale cada minuto das 2h14mins de filme.

Nota: 5,0/5,0