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terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Primeira Impressão


Um ano presos no mesmo cercado
vivendo e respirando o mesmo ar
sem nos conhecermos

O elevador para e eu entro e lá está ela
segurando um balde, com seu louros cabelos presos e olhos azuis desconfiados
eu carrego um colchão mais velho que eu, rasgado
descabelado e sujo, suando de trabalhar, olho seus olhos que rapidamente desviam
olho meu colchão, olho para ela, olho a mim mesmo no espelho

“Há um ano moro aqui e justo hoje é que eu te vejo”
ela ri por piedade
olha para o chão sem nem me lançar um sorriso
o elevador para
ela desce sussurrando um tchau

Nessa vida, só param os elevadores
o tempo segue
e as pessoas também
meu pensamento para, parou nos olhos dela
e voltou a andar junto do elevador

Jogo fora meu colchão e uns pedaços de madeira quebrada
que também levava comigo

Não voltei a vê-la
para uma segunda impressão

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