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sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Cavalo de Guerra (2012)

 
 
O chefe aparece na empresa com uma cópia pirata desse filme e pergunta se alguém já tinha visto Cavalo de Guerra. Ninguém reagiu, então eu disse que planejava ver um dia, com isso eu quis dizer que provavelmente iria ver em meados de 2014, então ele se dirigiu até minha mesa e deixou o dvd ali para que eu visse. Foi o que eu fiz logo no mesmo dia, já que não gosto de manter coisas emprestadas, fico meio nervoso se não devolvo logo em seguida, como se estivesse endividado ou coisa assim. Além do mais, ele disse que o filme era bom e eu fiquei curioso.
 
Pra quem não sabe - eu não sabia -, esse filme é uma adaptação de um livro homônimo, que eu não li e, honestamente, não me interessei o suficiente para ler. Trata de um menino juvenil que cria um cavalo para ajudar na plantação, com o objetivo de tirar a família da merda. Dá certo, mas nem tanto, então o bicho é vendido para o exército e enviado para a guerra. O mancebo cresce, se alista e vai atrás de seu cavalo.
 
O roteiro é típico de filme da Disney. Os vilões são estereotipados e naturalmente maus, os mocinhos são estereotipados e naturalmente bons. Tudo segue conforme o previsível e cada cena parece ter como objetivo - fazer o espectador se emocionar. O conflito da família que vive na miséria, a separação entre o cavalo e seu dono, o sofrimento dos animais, uma menininha que aparece no meio do filme com a palavra "morte" escrita na testa, o sofrimento dos animais, os horrores "água com áçucar" da guerra e o grande final. Tudo devidamente programado para arrancar lágrimas das pessoas mais sensíveis. Sou imune a esse tipo de coisa. Roteiro programado para ser premiado não me afeta, o filme tem que ser sincero e isso eu não senti em momento algum.
 
Deixe-me falar sobre a menininha marcada para morrer. É óbvio que ela não morre em cena, mas todo o seu contexto deixa bem claro o seu destino. Na verdade eu achei que ia ser muito pior. Mas a presença dela foi extremamente gratuíta e corrida. Talvez no livro o papel dela e de seu avô tenha alguma relevância, além de ordenhar água dos olhos alheios, mas não no filme. No filme ela aparece por poucos minutos, proteje o cavalo, cria uma amizade com ele, então os malvados soldados alemães, nazistas desde a primeira guerra mundial, aparecem e levam o bicho para sofrer carregando máquinas nos campos de batalha.
 
E isso me leva aos alemães. Falando em estereótipo, dessa vez eles forçaram a barra. O general (ou seja lá qual for o cargo do vilão) me lembrou muito o vilão militar de Avatar, provavelmente por que vieram do mesmo livro de instruções - Como Escrever Um Vilão Unidimensional. Ele não liga para a saúde dos animais, trata todo mundo com desprezo e tudo o mais, e então desaparece. Nunca mais ouvimos falar dele. E então, quando menos se espera, a guerra acaba e está tudo bem. Acho que o roteirista cansou ou algo assim.
 
Agora vamos aos animais. Não sei se é por ser um filme da Disney, mas em todo o momento tive a impressão que os animais iam começar a falar. Principalmente o pato puto do começo do filme, que deve ter uma história muito mais interessante que a do cavalo. Senti que isso quebrou o clima dramático do filme, até nas cenas mais tristes eu ficava pensando em falas engraçadas, ao estilo cinema anos 50, para os cavalos lançarem sobre sua desgraça. Foi difícil levar a coisa toda a sério.
 
Honestamente, não sei o que achei desse filme. Com certeza não é tão ruim, mas está longe de ser bom. E essa é minha impressão sobre quase todos os filmes do Spielberg. A direção é boa, os visuais são interessantes, as atuações são boas, a trilha sonora, o roteiro é mediocre, mas é isso que se espera de uma adaptação. É tudo nos conformes. Mas tem algo faltando. O filme parece travado, forçado, preparado especificamente para concorrer ao Oscar. Não tem nenhuma sinceridade na história toda, os momentos de humor são completamente sem graça (o diálogo forçado entre os soldados inimigos que unem forças para salvar o cavalo...), só capaz de agradar aos bolsos dos produtores e àqueles que não viram filmes o suficiente na vida e se impressionam com pouco. É um filme picolé de chuchu, assim como o próprio Spielberg. Muito certinho, todo direitinho, mas sem graça nenhuma, sem emoção, sem gosto. Graças ao meu chefe, não vou assistir esse filme em 2014, ao invés disso, já terei me esquecido dele até lá.
 
Nota: 2,0
 
E o fim do ano vai passar e eu não vou falar nada sobre? Eu tenho que inventar alguma coisa...Todo mundo fala sobre sobrevivência, mas eu não quero sobreviver o apocalipse, não, eu vi Mad Max, sei bem o que acontece e quero ficar longe desse mundo. Acho que vai ficar sem post. Talvez eu possa comemorar, afinal acho que nossa civilização já deu o que tinha que dar, daqui em diante só vai ficar pior e pior que isso eu não quero nem pensar. Uma coisa que eu queria ver era o tal arrebatamento. Imagina, um mundo sem evangélico ou sem Testemunha de Jeová. Isso que eu chamo de paraíso! É claro que nesse contexto eu acabaria no inferno, mas que se foda. O inferno não passa de uma fila de supermercado, no fim da tarde de sexta-feira, quando a máquina de cartão fica sem sinal e o sistema do computador trava. A única diferença é que é eterno. Pelo jeito não vai dar em nada, mas eu mal posso esperar para contar para os meus netos que sobrevivi o apocalipse de 2000 e 2012 e todos os outros que seguirem depois desse. Acho que 2030 é o próximo ou 2021.
Espera um pouco, que porra é aquela brilhando no céu? Uma bola de fogo? Ai caralho é um meteoro! Fodeu, vai todo mundo morrer! AAAAAAAHHHH DEIXA EU PUBLICA O POS...

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