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quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

(500) Dias com Ela (2009) - Resenha

Obs.: Gostaria de me retratar com a comunidade, pois quebrei minha própria tradição ao escrever uma resenha desse filme sem fazer um comentário sequer sobre a Zooey Deschanel. Informo-lhes que estou envergonhado, mas tomarei as devidas providências para que algo assim não se repita. O grupo Delirando e Escrevendo lamenta o ocorrido e declara que punirá o infrator, mesmo este sendo o criador do mencionado grupo. Segue a versão corrigida da resenha (edição em 5/12 - 17:30).

Esse fim de semana eu dediquei a assistir alguns filmes europeus clássicos que eu sentia a necessidade de assistir já faz um tempo. Depois disso, no domingo, precisei assistir algo um pouco mais leve - cinema simples e sem propósitos artísticos. Decidi ver (500) Dias com Ela, de 2009, porque ouvi maravilhas sobre esse filme desde o lançamento. Na época tive curiosidade de ver, mas fui deixando pra depois, deixando pra depois e o depois se tornou domingo passado.

Estava com um pé atrás por causa do tema. Achava que ia ser uma daquelas comédias românticas típicas, sabe? Cara gosta de garota; garota muito ocupada e moderna para se compromissar com o cara; cara encontra uma substituta não tão boa, mas submissa, para garota; garota se arrepende, tenta voltar pro cara, mas descobre que ele está com outra, os dois brigam, mas se arrependem e terminam felizes para sempre. Seria uma bosta, eu sabia. Pelo menos minha resenha negativa para o blog seria engraçada. Até que, logo no início, a nota do autor em homenagem a sua ex me fez sorrir, o que é mais do que qualquer comédia romântica já conseguiu tirar de mim. Fiquei otimista, mesmo sabendo que aquilo não era tão engraçado assim, muito menos significava que o filme seria engraçado - no máximo indicava um final triste.

Algo no meu cérebro tenta me alertar a não olhar diretamente
para esses olhos, mas quem disse que eu consigo?
Merda! Como eu vou terminar a resenha agora?
Vamos ao enredo. Não me recordo do nome de nenhum dos personagens, exceto a Summer (Zooey Deschanel, que, para não perder o costume deste blog - é um espetáculo! Devo ter perdido a metade do filme olhando para ela e para aqueles olhos...), mas não importa, já que só o protagonista e ela que passam por algum desenvolvimento, os amigos são só apoio ou alívio cômico, chamemos o protagonista de "cara", também. O cara acredita no amor e no destino e toda essa história. Summer, não. Ele quer um compromisso, ela não quer. Ela avisa o cara, mas mesmo assim ele se apaixona e, então, o tema do filme começa a se desenrolar. E eu estava errado desde o começo, não se trata de uma comédia romântica, mas sim de uma comédia sobre amadurecimento. Os dois brigam muito, Summer perde o interesse e dá cabo ao relacionamento. Ele passa o resto do filme tentando superar.

O filme começou e eu já percebi que ele não seria linear. E uma comédia (romântica ou não) raramente precisa da não-linearidade. Não-linearidade gratuita é um saco. Nota aos diretor de comédia: embaralhar o começo, o meio e o fim de um filme não te torna o David Lynch. Na verdade eu não sei o que pensar do uso desse artifício nesse caso. É interessante ver o desenvolvimento do relacionamento dos dois, no entanto pelo que vi no imdb, algumas pessoas notaram que as datas não se encaixam de forma coerente. Ou seja, o roteirista se embaralhou na sua própria história. É arriscado e não é qualquer um que consegue manter uma história assim sem se perder. Mas isso são detalhes, vamos aos pontos positivos.

Considerando o tipo de filme que 500 Dias é, ele carrega muito mais profundidade que os outros de seu gênero. No entanto, devido à maldita obrigatoriedade de dar uma mensagem positiva no final, a tal profundidade acaba se tornando muito rasa. Cumpre o seu objetivo, mas se aproxima muito da presunção. As ideias que o filme tenta passar não são, de forma alguma, novidade. Ainda assim, foi positivo, já que eu esperava muito menos. Summer é muito bem desenvolvida e seus traços de personalidade são bem explicados. Gostei bem mais dela como personagem, que do protagonista que, na minha opinião, é um fresco, chato pra caralho. Todo mundo tem algum caso de amor não correspondido para contar e é sempre um sofrimento, mas pra tudo tem limites. "SEJE" HOMEM!

Li bastante sobre o filme antes de vê-lo, inclusive algumas reações e resenhas populares. Fiquei impressionado com o número de pessoas contrárias às atitudes de Summer, dizendo que ela não tinha o direito de fazer o que fez. Minha conclusão foi que, ela viu o desastre do casamento de seus pais e não queria o mesmo para ela, portanto ela se tornou muito exigente em seus relacionamentos. Nada mais que um direito. A culpa foi do cara, que fez dela a mulher da sua vida sem nenhuma autorização.

Uma coisa que não gostei, pois nunca gosto, é da gratuidade do uso do conceito de destino, não só nesse filme, mas por toda a humanidade. Primeiro de tudo, não acredito em destino - acredito em probabilidades formadas por ações, ex.: sair na rua uma determinada hora, aumenta suas chances de encontrar outras pessoas que saem nessa determinada hora. Parece óbvio, mas algumas pessoas parecem não entender isso. A ideia que o filme e a sociedade passam de destino, é que destino só é o que é, quando este traz um resultado positivo. Do contrário é acidente ou acaso. Desculpem-me, mas, ou é tudo destino, ou é tudo acaso. Se tudo for destino e sua vida for uma merda, sinto muito, mas alguém lá em cima não gosta de você. Então faça como eu e deixe de acreditar nessas bobagens. Não somos nada além de grãos minúsculos, movendo-nos constantemente no ritmo de uma matemática absurda e nos dirigindo para o nada. Pode parecer ruim, mas é melhor do que ser uma marionete em um jogo sem sentido.

O filme é bom, embora não seja isso tudo o que dizem ser. É que ele faz parte de um gênero dominado pela mediocridade, por isso o fato de ele ter uma mínima qualidade faz com que ele pareça muito melhor do que realmente é. Vale a pena assistir, sem compromisso, da mesma forma que eu assisti - buscando qualquer coisa leve, para distrair.

Nota: 3,5/5,0

Um comentário:

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