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sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Uma Volta


Passos firmes e rápidos
sombras passam e esbarram
sombras sem rosto
sombras sem voz
por todos os lados
desatentas

O asfalto frita e os veículos gritam
desesperados e apressados para compromisso algum
sem rumo nem destino, mas pressa
para sair
sair dali, de todo o lugar
por medo das areias que os engolem
caindo grão por grão sobre suas cabeças
sem nunca virar
sem piedade
sem consciência

O que eu te fiz? Fala comigo! Eu não tenho o direito de saber?
Ela grita desesperado para um pedaço frio de plástico
ela daria a vida por aquele plástico, mataria por ele
seus gritos perdem força
até silenciarem

Em algum lugar, uma mãe espanca um pedaço de si própria
esse pedaço chora, esse pedaço pede ajuda
inocente, não sabe que para ele não há resgate
ele é uma lembrança, uma ferida eterna
que um dia terá direito a sua vingança
de sua mãe que se vingou de sua mãe que se vingou de sua mãe


Eu compro pão e manteiga
e frios e água
e volto para casa
pelo mesmo caminho
mas por outras sombras
e as outras foram engolidas
pelas areias

as areias que caem grão por grão
sem tréguas
sem piedade

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