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sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Reféns da Máquina


A máquina pegou tudo que eu amo
e os mantém como reféns
para me transformar em engrenagem
mais um peão, mais um tijolo

Quero sair desse mundo
largar tudo
andar pelas estradas
a pé
escrevendo poesias viajando pelas cidades e pelo cosmos

Mantenha a arma apontada
e meu terno arrumado
e minhas camisas passadas
e minha conta bancária ativa
como escravo voluntário, mas na verdade não
não mate minha família de fome
pegue minha alma
sonhos não comem, morrem por não nascer

Tudo que quero é uma casa
pequena, minúscula
na boemia de Praga
vinho barato e uma mulher
uma que me ame e me entenda
ou várias que não saibam meu nome
e não me amem e não me entendam
me acostumaria à todas

Onde possa escrever minha prosa ruim e
minha poesia pior

não mate aqueles que amo, máquina dos infernos
jogarei seu jogo
moverei suas peças
até amanhã te pertenço
e depois de amanhã
e ainda depois disso

talvez um dia
meu cuspe constante em sua face fria
te enferruje aos poucos
junto com a saliva dos que comigo concordam
e comigo lutam

Um dia você emperra
um dia você cai

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