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segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Sobre a Música - parte 1 (Hora da História com o Tio Rapha)

Sabe que eu gostei desse tipo de post. É rápido, posso escrever o que eu quiser, quando eu quiser. Muito bom, vou continuar com essa coisa por mais um tempo. Tem uma série de assuntos que eu gostaria de escrever sobre, mas que não são possíveis de encaixar em nenhuma crônica ou conto nem nada do gênero. Talvez seja possível, mas comigo ficaria uma coisa meio forçada. Um dos meus assuntos favoritos, que eu sempre tento encaixar em qualquer conversa e sempre me sinto seguro falando sobre, é música.

Que fique claro de início. Não sou músico. Estudei um pouco de piano, por em torno de dois anos. Nunca levei jeito pra coisa, quase não tenho coordenação. Além disso, sempre fui preguiçoso para praticar qualquer coisa. Horas e horas fazendo um mesmo exercício e mesmo assim não conseguindo nenhum resultado. Por isso eu gosto da escrita. É fácil de praticar, estou fazendo agora mesmo, e, mesmo que não seja tão bom assim, no final ainda se tem um resultado. O mesmo serve para línguas estrangeiras, para praticar basta abrir a boca ou ler qualquer coisa no idioma desejado - é perfeito. Mas vamos a música antes que eu me perca novamente em meio a discursos sem fim, pensamentos sem sentido e memórias disconexas.

Estranhamente, quando criança, não sentia interesse algum pela música. Não sei se é porque não fui apresentado cedo às coisas que hoje me agradam, mas simplesmente não ouvia música, não procurava saber sobre e, quando ouvia em algum lugar, geralmente não gostava. Parecia um barulho desnecessário, com palavras sem sentido sendo ditas em meio a um monte de instrumentos tocando qualquer coisa de repetitivo. Essa era minha impressão ao ouvir o rádio quando tinha quatro anos de idade.

Nessa mesma época, fuçando as coisas do meu quarto - achava impresionante como tinham coisas lá que eu não fazia ideia do que eram ou pra que serviam -, encontrei uma série de gavetas, que eu já havia visto, mas nunca antes abrira. Lá estavam dez CDs, de uma coleção de uma revista que hoje eu nem sei se ainda existe. Música clássica, dizia a capa. Nunca tinha ouvido falar antes. Então botei um dos discos pra tocar e ouvi. Minha concepção de música mudou totalmente, era a música do rádio que eu não gostava e não todas, como eu costumava pensar. Beethoven, Mozart, Vivaldi, Wagner, Ravel, Albinoni, Verdi, Bizet, Bach e Strauss, eram eles os compositores dos CDs, que continham suas principais e mais conhecidas músicas. Foram só esses 10 discos que eu devo ter ouvido durante a infância.

Aos treze anos, talvez um pouco antes disso, creio que meus amigos passaram a se interessar mais por música também. Antes eles ouviam o que tocava na época, a música pop da década de 90 - que, por mais que me doa dizer, era melhor que a de hoje, não pensava que poderia ficar pior. Nessa época, começo dos anos 2000, eles começaram a ouvir Heavy Metal. Iron Maiden, Manowar, Venom, clássicos do gênero, e outras bandas modernas que, com o passar do tempo acabaram se mesclando em minha memória, não me sobrando o nome de nenhuma delas, o que realmente não importa para esse texto. De início, admito que gostei daquilo. Não comprava CDs dessas bandas, pois costumavam ser muito caros, principalmente os das bandas mais modernas, que eram todos importados de algum lugar bizarro da Europa, mas escutava sempre que possível.

O tempo passou e cheguei a conclusão que a maior parte das bandas de heavy metal são idênticas entre si. As que fugiam a regra eram as clássicas, mas o que aconteceu que me afastou do gênero foi a descoberta daqueles que o influenciaram. Ouvi, naquela mesma época, Deep Purple pela primeira vez. Não pela primeira, já tinha ouvido as mais conhecidas, quis dizer que os ouvi pela primeira vez, no sentido de ouvir um álbum, do começo ao fim e com profunda atenção aos detalhes. Este álbum não foi o Machine Head, mas sim o In Rock. Então busquei e escutei todos os discos deles de 1968 até 1976. Não era sempre a mesma coisa, existia uma busca pelo progresso, por fazer uma música melhor. Gostei daquilo e fui cavando pelos seus contemporâneos. Arte não é nada mais que isso, uma busca sem fim, e cada artista é uma pá. Toda a música está interligada de alguma maneira, independentemente do gênero. Sempre existe uma influência, uma referência que facilita a descoberta. Quando realmente existe interesse, é possível passar anos buscando e não encontrando tudo que tem que se encontrar em um determinado gênero musical.

Encontrei a década de 60 do rock, mas especificamente 65-69, Beatles (fase LSD, antes disso nem tanto), Jimi Hendrix (Experience e outras bandas), Jefferson Airplane, Cream, Grateful Dead (talvez minha favorita), The Doors e outras mais obscuras que eu fui descobrindo com o tempo. Todo esse universo musical hippie verão do amor, fez com que eu mudasse completamente minha forma de ver a música e me mostrou outros gêneros e outros mundos. Creio que foi nesse momento que ocorreu meu despertar para essa vasta arte, com a psicodelia de São Francisco.

Vou precisar de mais posts para falar por completo da minha relação com a música. Tenho outros gêneros para falar sobre, músicos e críticas a fazer. Então esse post vai ter continuação um dia desses, por enquanto é só.








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