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quarta-feira, 7 de novembro de 2012


Encontrei uma foto sua por aí
tirada depois de você sair de minha vida
desaparecer como uma estranha
figurante do momento

Suas pedras castanhas brilham mais que antes
parece mais viva com um sorriso sutil nos lábios rosados
dois sóis pendurados nas orelhas pequeninas
sempre te achei mais bela sem maquiagem
mas a pintura desta foto te caiu bem
deixou teus olhos ainda mais hipnotizantes

Você está aqui
ao meu lado, em minhas mãos
mas não sei onde
longe que nem te vejo

“Este número não está recebendo chamadas no momento”
diz a voz insensível do seu celular
estou em um relacionamento de longa data com essa voz
a cada chamada ela parece mais sensibilizada pela minha desgraça
sinto sua pena de máquina
criada pela minha mente já um tanto alcoolizada

São dez da noite
vejo a lua da minha janela
escrevo alguns versos entre tragos de uísque
São onze horas
abro uma garrafa de vinho
o saca rolhas é barato, invento posições sexuais com a garrafa para poder abri-la
São meia noite
a garrafa está seca, como o vinho que nela vivia
tenho tanta saudade de seu líquido quanto de você
volto para o uísque, então
Enquanto isso
as notas de Miles me cortam como navalha da alma

Escrevo mais uns versos
sua foto fala comigo enquanto o sol nasce
tampouco ela me ama

Fecho as persianas
o sol não é boa companhia quando não está em suas orelhas
gosto mais da lua, pois me lembra seus olhos
o sol me julga com seu brilho e calor
a lua me consola

Por que não durmo de uma vez?
já nem me sinto acordado
não sinto meu rosto e minha cabeça arde
você não está aqui

O sorriso de sua foto me arrepia
me persegue
marcado em meus olhos
em minha alma
peço a foto que te diga que te amo
só isso
só isso quero que ouça
depois pode desaparecer de novo

O que me mata
é que já te disse isso
e tenho sua resposta
um triste

“não posso”

seguido de um leve terno e eterno beijo no rosto

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