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sábado, 20 de outubro de 2012

Minha Geração

Quero escrever sobre minha geração
devo
devo, do contrário quem sou eu?
se a vida já é tão curta e o tempo irrelevante, se não me situo - torno-me nada flutuando no espaço
mas nada, nada é justamente o que minha geração representa
nada de personalidade
nada de originalidade
nada de loucura
não vi as grandes mentes da minha geração, loucas, nuas, histéricas, uivando para a pálida lua

Posso resumir nosso estado em uma frase solitária
"perdemos os acid tests"
perdemos não só o tempo, não só o local
perdemos em espírito
não o reinventamos
talvez fisicamente, com festas e drogas sintéticas e música ruim
música ruim como o barulho de uma construção - constante repetitiva eterna vazia
as grandes mentes são invisíveis
nem mesmo se escondem, nem são mudos, nem mesmo falam baixo
o massa é cega surda e muda, tapando seus sensos, seus sexos e suas almas
são estátuas, sujas de merda de pombo

Como queria reunir essas mentes
esses poucos que usam seus sensos com orgulho e coragem
reunir cada um deles - músicos, escritores, pensadores, poetas
trazer de volta as reuniões de Ken Kesey
invocar o espírito de Ginsberg, Kerouac, Garcia, Hendrix, Joplin, Slick, Morrison, Apollinaire, Blake, Byron
todos, nem que fosse para que cuspissem de desprezo nossas faces indignas

vocês existem, então lutem
quebrem as pedras humanas que andam estáticas e sem vida pelas esquinas das metrópoles

Um comentário:

  1. hahahaha

    É foda saber que estamos cada vez mais
    nos acostumando com essa realidade,se podermos
    dizer que isso é real?para "seres" que intitulam
    "racionais".

    inté

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