Páginas

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Em Meus Sonhos com Ela - parte 6 - Final


Nada podia me distrair do amanhã. Domingo é um dia contemplativo, nada realmente acontece, somente assistimos as horas passando e, quando o sol se põe, nos arrependemos. Será que algo poderia ter sido feito? Talvez a chave para a mudança do meu destino estivesse em algum lugar fora de casa no Domingo, mas deixei passar.
Não me recordo de nada, somente fui para cama em busca do dia seguinte.

Fui ao trabalho. Não sonhei essa noite, creio. Talvez tenha, mas não me recorde, pois não foi com ela. Vez ou outra, pouco antes de acordar, sonho com o que devo fazer durante o dia. Acho que sonhei brevemente com o escritório, com o elevador. Sempre uma situação absurda, na qual eu me atraso, ou encontro por lá velhos amigos que não trabalham comigo. Não atribuo muito sentido a isso, acho que só ocorre, pois tenho um medo profundo de perder a hora, em qualquer circunstância.

Fui ao restaurante, no horário de almoço, na esperança de encontrá-la de novo. Não a encontrei. Enviei uns e-mails para ela de manhã, mas recebi uma mensagem automaticamente, informando que a funcionária não estava mais no quadro de empregados, logo, ela perdera o vale alimentação. Não voltaria tão cedo àquele restaurante, exceto que alguém oferecesse para pagar a conta. Telefonei-a logo depois, mas seu telefone não funcionava. “Esse número não está recebendo ligações, obrigada.” Era essa a mensagem que eu recebia. Depois disso devo tê-la ouvido vezes o suficiente para memorizar cada palavra, e quantos toques vinham antes da mensagem. Chegava a repeti-la com exatidão a cada ligação sem sucesso.
Esses se tornaram meus dias. Trabalho e ligações sem resposta. Tinha medo de não vê-la novamente. Mas o telefone não poderia receber ligações.

Dessa vez meu sonho encontrou sua casa. Uma figura que parecia ser sua mãe cuidava de um gato aparentemente morto, na frente de sua casa. Não a conhecia, mas me aproximei perguntando por Nuna.
- Você, quem é? – ela respondeu, indiretamente confirmando minhas suspeitas de que se tratava da mãe.
- Um amigo.
- Ora entre. Ela está em algum lugar da casa.

Tudo ocorria rapidamente e de forma desconexa. A parte de fora da casa, não era condizente com o interior, e quando percebi o interior era na verdade meu próprio apartamento.

Ela estava na sala, vestindo somente uma camisa. Viu-me entrando e me recebeu com um abraço. Não parecia se incomodar, por estar seminua em minha presença. Conversamos incoerências por uns instantes e a convidei para jantar. Ela se despiu sem vergonha alguma e pediu para que lhe ajudasse a encontrar suas roupas.

Não muito tempo depois, ela escolheu uma lanchonete de lanches rápidos, próxima do meu apartamento. Não a costumava frequentar, pois, em outras ocasiões, encontrei baratas no ambiente. Decidi ignorar esse fato, devido à companhia.

Comemos e conversamos até o sol me bater no rosto, me indicando a realidade. Estava deitado em meu sofá, desejando não acordar novamente. Sentindo a minha falsa felicidade partir, junto com ela e meus sonhos.

Os dias se repetiram, os sonhos acabaram e o telefone não podia receber ligações. O tédio, o jazz, a bebida, a literatura e a lua, são, no entanto, eternos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

caixa do afeto e da hostilidade