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quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Dave Matthews Band - Away From The World (2012)




Existem bons músicos, maus músicos e músicos que se importam com a música - este é o meu tipo favorito e o que escreverei sobre nessa resenha. Respeito, mas não consigo suportar os artistas tecnicamente prolíficos que, só por saberem tocar milhares de notas por segundo e usar uma escala exótica e absurdamente complicada, fazem canções extremamente longas, que mais parecem um grande exercício musical. Odeio esses caras que lançam discos com canções fáceis e pré-fabricadas para a rádio, por algum produtor milionário, sem nenhuma preocupação além da moeda. Os músicos que se importam com a música - com a arte -, podem ser ruins ou bons, tecnicamente falando, mas isso é imperceptível, pois o que ouvimos não são só notas organizadas ou um ritmo grudento, é a alma do artista falando com a alma do ouvinte. Isso é música de verdade, isso é arte, isso é o que Dave Matthews e sua tropa vêm fazendo pelos últimos quase 20 anos.

É raro ver uma banda tão equilibrada. Eles tocam músicas fáceis e agradáveis como qualquer outro grupo pop, mas com um ritmo e capacidade de improviso dignos das bandas de jazz. Não me lembro de ter ouvido um álbum ruim desses caras, o pior talvez tenha sido o Everyday, de 2001 - modernoso demais para o meu gosto -, mas mesmo esse tem músicas excelentes quando ouvidas ao vivo. O amor que eles sentem pela música é visível, eles não estão nessa pelo dinheiro. Infelizmente não ouvimos muito sobre eles pela grande mídia, mesmo assim, todos conhecem de ouvido o hit Crash Into Me. Mas vamos ao álbum.


O ano de 2012, pelo jeito que andam as coisas, será o último. Não esperava álbuns tão bons assim, mesmo quando vindo de tão bons músicos. Desde quando anunciei que o primeiro álbum do Chris Robinson Brotherhood seria o melhor do ano, todos parecem ter decidido entrar na competição. Agora já não sei mais. Away From The World é excelente. Me lembrou muito dos primeiros álbuns da banda, sem parecer mais do mesmo. Outra característica dessa banda - são bons sem serem repetitivos. Estou ouvindo - como sempre -, enquanto escuto faixa por faixa do disco, em busca de um defeito, um detalhe fora do lugar que possa gerar uma crítica ou umas risadas. Não escuto nada. Tudo parece perfeito. A parte instrumental é impecável como sempre, técnica sem ser chata ou massagem para o ego. O vocal é excelente e as letras também - essas eu quero tirar um dia para analisar, estou ouvindo estrofes lindas de vez em quando e acho que essa resenha não as fará justiça. A mixagem, a qualidade de som (considerando que comprei esse disco na Baía Pirata), tudo é bom demais para ser verdade. Se o último álbum deles foi uma homenagem triste e densa ao falecido saxofonista da banda, esse é uma prova de que eles ainda vivem e viverão por muitos anos. O único defeito desse disco é que ele não me deu nenhum motivo para colocar a foto de uma gostosa no post - essas são minhas resenhas mais lidas... isso, no entanto, não afetará a nota final.

Sugiro a todos, que ouçam esse disco com atenção, faixa por faixa - todas valem a pena - e tirem suas próprias conclusões. Mesmo você, menino infantil que nunca ouviu falar dessa banda, escute esse álbum e depois toda a discografia.
Nota: 5,0/5,0 (eu preciso mesmo ouvir algo ruim esse ano, minhas resenhas estão ficando sem graça)







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