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domingo, 30 de setembro de 2012

Ted - Uma resenha diferente



Primeiramente, senhoras e senhores leitores, por que esta é uma resenha diferente, considerando que, até o momento, nenhuma de minhas resenhas foi realmente uma crítica, se não uma série de memórias vagamente relacionadas com o objeto criticado e uma nota final? Pois esta é a primeira vez que resenho um filme sem nem mesmo vê-lo. Isso mesmo, não vi Ted, mas mesmo assim falarei sobre ele. 

Se você não ouviu nada sobre esse filme, ora, saia de sua caverna uma vez na vida! É um filme sobre um homem de meia idade e seu ursinho. Ele leva uma vida normal, exceto pelo ursinho falante, com uma bela namorada (ah! Mila Kunis - Ah! Esses olhos! - Sua cena com a Natalie Portman em Cisne Negro será sempre inesquecível, com aquelas asas negras tatuadas em suas costas, dançando como uma bailarina enquanto você passava sua língua pela... é melhor parar por aqui, antes que eu me perca ainda mais), um emprego mediano, enfim um americano como outro qualquer. No entanto a Mila lhe dá um ultimato para que ele se separe do urso, que é um drogado, alcoólatra, viciado em prostitutas. Esse é o conflito. Típico roteiro de Seth Macfarlane, uma comédia fácil, mas ainda assim capaz de gerar polêmica. Não sei o que ocorre no fim, ou mesmo durante todo o filme, mas por conhecer a obra do diretor (Family Guy, American Dad e uma porrada de coisas exatamente iguais a esses dois, mas em outro cenário) sei como o filme deve rodar.

É sobre isso a resenha - conhecer uma obra de um diretor. O político Protógenes Queiroz - será que é da bancada evangélica? - viu o filme com seu filho de 11 anos, e agora se envolveu em uma cruzada para garantir que nenhuma outra família brasileira seja destruída pelas vis imagens as quais ele e sua cria foram surpreendentemente expostas. O filho não se manifestou quanto ao acontecimento, mas acho que ele deve estar em algum manicômio, separado da visão de qualquer outro ursinho de pelúcia; ou talvez na cracolândia, não sei ao certo. 

A cruzada de Protógenes é apenas um sinal do absurdo que é o politicamente correto. O homem agora decidiu censurar um filme que, até o momento, não fez mal a ninguém, porque ele é ignorante quanto a obra do Seth Macfarlane e achou que o filme seria infantil, simplesmente, porque o cartaz do filme o fez lembrar do filme O Paizão, do Adam Sandler (logo abaixo). Ou seja, ele decidiu que o filme deveria ser apropriado 
para crianças, pois o cartaz o fez lembrar de um filme infantil. Nem mesmo a capacidade de observação para ver que o urso carrega uma garrafa de cerveja (líquido do capeta) o gênio teve!

Isso se deve a ignorância. Toda a censura é burra, disse não sei quem, e é isso que o senhor Protógenes nos demonstra com sua fútil tentativa de mudar a censura do filme de 16 para 18 anos. Sim, a censura já era para 16, mesmo assim o asno achou que seria apropriado para seu filho de 11. Não sou a favor de censura, nem mesmo para classificação etária, mas se esta existe, pelo menos nisso preste atenção antes de levar seu filho e depois se assustar.

Não tenho nada contra prostitutas, álcool ou drogas, portanto verei esse filme, dada a oportunidade. Talvez até lhe dando uma resenha digna, com nota e tudo mais, por enquanto ficará por isso mesmo. Não se deixem levar pelos protetores da família e dos bons costumes. Se você não gosta de certos prazeres que a vida oferece, busque saber o histórico de determinado diretor ou roteirista antes de ver um filme. Reclamar da presença de drogas em um filme do Macfarlane é como reclamar do cigarro num filme do Godard, ou esperar uma bela experiência de família assistindo Nekromantik! 

E o idiota persiste em nos perseguir.


Um comentário:

  1. Oi, muito boa sua "resenha" sobre o filme que não viu. kkk
    Concordo com você, não é porque não gostei do filme que acho que ele deva ser censurado, na verdade a censura pra esse tipo de coisa é proibida no Brasil, mas existem casos. Eu faço Direito e estudei sobre isso esse bimestre! :)
    Assim, tem quem goste, né? Eu particularmente detestei, não achei nada de humor negro, ou nada do tipo, pra mim foi tudo muito sem graça mesmo. Umas pessoas disseram que sou crítica demais, mas não acho que isso seja verdade, dou risada de muita coisa boba, existe muito filme "bobo" que é divertido pra caramba, mas Ted é simplesmente chato! kkk

    Beijinhos :)

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