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sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Sinfonia do Proletariado Pós-Moderno


Tap-tatata-tatap-tap-tap, click; cli-click; tap-tatap
o cheiro de café invade a sala e o telefone toca
Bom dia, como posso ajudá-lo? ... E quem gostaria? ... Só um momento, vou passar a ligação

Pode tirar umas cópias disso aqui?
Confere essa documentação pra mim?
Já mandou aquele e-mail que eu te pedi?
Todos pedem ao estagiário, que aceita como um crente temente ao seu deus

 Hahaha, já viu isso aqui antes?
O que aconteceu na novela ontem? ... Não diga!

O dia é cinza, a chuva cai e está frio lá fora - dentro a temperatura é artificial
Chega um cliente e todos limpam as mesas e todos calam a boca

Como vai senhor não sei quem? O gerente o está esperando. Aceita um café?
Tap-tap-tap-tatap-tataptap, passa aquele documento pra mim, por favor
Uma água, um café, uma água, mais três cafés

                                    Por que o container do cliente tal ficou no porto?
Quem foi o filho da puta que conferiu essa documentação?

A pessoa se revela e os tambores rufam

O machado é preparado para ser derrubado em seu pescoço, enquanto os súditos, o cliente e a direção, aplaudem em êxtase e pavor
a lâmina fria cria mais uma vítima

taptap-tatatatap-tap-tap ... tap ... tatap ... pá! pá!
Travou essa merda!

eu quero isso pra ontem! – um grita

tá quase – outro responde


ouvi que a mãe de não sei quem foi internada
e a filha de fulano que é sapata
não diga!
pois digo e repito
nada disso importa, não aconteceu em meu cubículo

click-click
o relógio marca o fim do dia
até amanhã

o dia acaba, mas é eterno

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