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segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Mais uma noite


Mais um dia
mais uma garrafa
mais uma noite sem você
sem sua voz, sem seu olhar

juro que tento chorar
perder esse peso que carrego há anos em minhas costas
solitário entre quatro paredes
eu, a música e a garrafa
jazz e álcool
Coltrane e Johnny

percebo que estou seco
seco como minha garrafa
não sei dizer
qual secura machuca mais a alma
a dos olhos ou da boca
queria chorar como fazia quando criança
dez, doze, quinze anos atrás
quando derramei minha última lágrima?
para quê?

não faz nem dez minutos
e sinto falta do fogo
que o uísque traz a garganta
e do fogo que você nunca me trouxe
que sempre levou a outro

insisto
por teimosia, inveja ou vício
que ele não merece teu fogo
que ele não merece teu amor
ou talvez seja você que não merece o meu
mas te amo por vício e não por gosto
o vício também pode ser belo

agora abrirei uma nova garrafa
pois quanto mais bebo
mais vejo seu rosto nas nuvens

não se preocupe com minha solidão
a lua, a noite
os carros que passam, os insones
a música, a bebida
os livros, a poesia
me fazem companhia
mas é só você que recebe meu amor
durma bem

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