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sábado, 29 de setembro de 2012

Grace Potter & The Nocturnals - The Lion The Beast The Beat


Não é nenhuma novidade que a música popular anda decadente. É o que costuma acontecer quando uma indústria se torna uma grande fonte de dinheiro. A moeda sempre falou mais alto que a arte, por isso vemos, em todas as eras, os artistas camaleões (não, não estou falando do David Bowie) - músicos sem personalidade, que se misturam entre si, formando uma massa homogênea, que tem por objetivo, satisfazer as necessidades do idiota.

Assim como em tudo, existem exceções. Músicos que negam os desejos da massa e fazem aquilo que eles próprios consideram arte, que, por sua vez, nada mais é que sinceridade. Sacrificam alguns milhões em vendas, pelo amor próprio e dignidade. Esse é o caso de Grace Potter & The Nocturnals.

Em 2004, a cantora canadense Grace Potter, lança o álbum Original Soul. O título representa exatamente o conteúdo do disco, soul, com uns toques de jazz e blues. A voz da bela cantora (sério, não sei se presto mais atenção em sua voz, ou suas pernas) sofre clara influência de gente como, Grace Slick, Dusty Springfield e outras do gênero. A música é original e excelente, contudo, não se encaixa nos padrões da indústria, portanto, a banda nunca tornou-se conhecida, exceto pelo grupo de pessoas que, especificamente, caça músicos desse estilo diariamente.

O tempo passou e o rock passou a ter um papel mais importante nas músicas do grupo. Nada de errado com isso, a qualidade se manteve a mesma. No entanto, em 2010, o disco "Grace Potter & Nocturnals", apresentou grande mudança no estilo da banda - era muito mais comercial que todos os outros. Pois é, nem sempre as exceções mantém-se fiéis a sua proposta - repito, a moeda fala mais alto que a arte -, mesmo a história mostrando que, por mais rentável que seja ser um artista pop, músicos de outros gêneros, que se tornam pop por dinheiro, perdem fãs e, geralmente, o disco é um fracasso.

E tentativa fracassada de pop é a definição do álbum The Lion The Beast The Beat (2012). A voz da Grace se mantém a mesma, continua excelente, entretanto, toda a produção, o instrumental, os efeitos, as letras, podem facilmente ser encontrados em qualquer disco de qualquer cantora pop adolescente medíocre. Na verdade, estou exagerando. O álbum não é uma desgraça tão grande. Em se tratando de música pop, a qualidade dessas músicas está muito acima da média, podendo quase se dizer que são boas. Porém - lembram do que eu disse na minha análise sobre a discografia da Black Crowes? -, para certos músicos, o medíocre é inaceitável. Grace Potter & The Nocturnals, pertence a esse grupo.

Talvez seja culpa minha, por acreditar que certos músicos podem mudar a indústria. Se minhas expectativas fossem menores, talvez esse álbum até me agradasse, mas não é o caso, e tenho certeza, que tampouco é o caso de qualquer um que tenha um mínimo de bom gosto e conhecimento musical. 

O disco é bom considerando o que ele se propõe a fazer - pop para agradar produtor. Porém é uma bosta em relação a toda a discografia dessa, que uma vez foi e espero que volte a ser, grande artista.

Nota: 2,0/5,0

Pois é, eu também não esperava uma merda dessas proporções.

Só para efeito de comparação, segue a mesma banda em 2005.
Surreal, não? Parecem duas pessoas diferentes...












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