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sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Rush - Clockwork Angels (2012)


Pois é, alguém mais não fazia a menor ideia de que o Rush estava pra lançar um álbum? Tinha me esquecido completamente da existência dessa banda, mesmo tendo gostado deles por tantos anos. Hoje pode-se dizer que vivo uma relação de amor e completa indiferença com essa banda. Não acho que, após o Moving Pictures, eles tenham feito algo que mereça algum destaque. Depois de 1981, eles sofreram com o que eu chamo de maldição da década de 80, e foram de uma banda original, técnicamente proficiente e extremamente divertida, para massa de construção. Essa metamorfose aconteceu com a maior parte das bandas da década de 70, em um período de tempo assustadoramente curto. Genesis, depois de anos de obras-primas do rock progressivo, gravou Invisible Touch e mais uma série de outras músicas pop. Yes gravou Owner of a Lonely Heart, música que até hoje me causa uma dormência no rosto toda a vez que escuto, só estou vivo ainda, pois nunca escuto essa música. Não quero comentar o que aconteceu com o Deep Purple e o Rainbow nessa década maldita. Ainda não me recuperei da depressão que foi ouvir o House of Blue Light (sem falar dos shows da época...), e quanto ao Rainbow... eu te odeio Joe Lynn Turner. O mundo inteiro te odeia.
Mas chega de falar do quanto eu odeio a década de 80 e vamos ao Rush. Sempre vi tudo que foi feito após o Moving Pictures, como uma grande massa homogênea de mediocridade. Uma música boa aparece de vez em quando, mas a grande maioria não causa nenhuma impressão - nem positiva, nem negativa. Isso é um resumo, não só da carreira recente do Rush, como também desse álbum.

O instrumental, como sempre, é impecável. Não tem como questionar a qualidade técnica desses caras. Esse é sempre o destaque em qualquer música do Rush, no entanto, a qualidade instrumental é tão comum para eles, que ninguém realmente espera o contrário. É como se isso nem adicionasse para o conteúdo do álbum, pois o contrário seria impossível. O estilo segue o que foi feito no Snakes and Arrows (2007), uma mistura do melhor das eras do Rush. Tem os sintetizadores, o rock complexo e as letras interessantes, mas mesmo assim, fica a impressão de que tem algo faltando, de que esse não é o Rush que nós conhecemos e aprendemos a amar. A impressão que ficou é de que Clockwork Angels é um álbum frio, embora bem-intencionado. Diria que falta aquele ânimo comum nas músicas deles, o senso de humor bizarro e quase imperceptível. Não senti isso nesse álbum, ou talvez não tenha dado a atenção merecida a letra.

Não sei quais faixas destacar, pois todas me deram a mesma impressão. Agora mesmo, enquanto escrevo e escuto o álbum para garantir que não vou deixar nada passar, mal posso perceber qualquer diferença entre as faixas. Todas seguem um padrão, com algumas passagens mais cadenciadas e cheias de eco, com momentos técnicos e rápidos, comparável com um Dream Theater da década de 90, só que menos pesado. Não é um álbum ruim, mas está longe de qualquer uma das obras boas do Rush, sugiro que escutem e formem uma opinião própria. Pra mim, essa foi minha segunda e última audição, pelo menos por enquanto.

- Nota: 3,0/5,0

Tá, essa faixa é legal pra caralho, mas o resto... é tudo muito igual pro meu gosto.

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