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quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Cavalheirismo de Elevador


Gosto de me ver como um cavalheiro. Não por falta de humildade, mas porque me esforço. Vejo classe nos antigos homens que se levantavam quando mulher entrava em um ambiente, abriam e seguravam portas, beijavam as mãos de suas amadas (quero que fique claro que todos esses exemplos de cavalheirismo que eu digo manifestar valem apenas com relação a mulheres). Por mais que digam que o cavalheirismo morreu, eu acho que na verdade ele está em coma, pois hábitos não morrem, são esquecidos, mas ora ou outra retornam levemente atualizados.

No entanto, recentemente, tenho reparado este hábito de segurar portas voltando nos elevadores da cidade, pelo menos onde moro. Trabalhando em prédios comerciais e morando em apartamento, passo horas da minha semana em elevadores, então tenho alguma experiência no assunto. Homens tendem, quando no elevador, a segurar a porta e aguardar que as mulheres saiam primeiro, o que me deixa feliz e infeliz ao mesmo tempo, pois, como as mulheres simplesmente não estão acostumadas com esse tipo de tratamento, elas não acreditam no que veem e hesitam na hora de sair do elevador. Tive esse problema essa manhã, quando estava chegando ao escritório. Quando cheguei, indiquei para uma moça que trabalhava no mesmo andar, para que fosse em minha frente. Ela me olhou por uns instantes, como se não tivesse entendido, então tive que correr para que a porta não fechasse. Esperei, segurando a porta para que ela saísse. Saindo, ela se desculpou e eu fiz uma piadinha breve sobre como “alguém sempre tem que ser o primeiro a sair e como isso sempre dá problema”. O que me fez pensar pelo resto do dia em como é problemática essa questão. Realmente, praticamente todos os dias eu tenho um problema desse tipo. Nunca sei quando sair - se devo sair - e o resto do elevador tampouco. Então ficamos nessa situação “buñuelesca”, como os ricos na festa de O Anjo Exterminador.

Por mais que admire esse tipo de atitude, entendo a grande inconveniência, mas fico feliz que isso ainda aconteça, pelo menos.

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