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sábado, 7 de julho de 2012

O Fim da Paixão


É um fato, a paixão esta morta entre os artistas. O arquétipo do artista incompreendido e faminto está extinto, enterrado em algum lugar do passado. Vamos, por instante, lembrar porque essa imagem do escritor, pintor, músico ou o que seja pobre e louco, surgiu em primeiro lugar. Temos essa ideia devido a teimosia destes em simplesmente aceitar a vontade de seu público e patrocinadores e, por dinheiro, estuprar sua obra. Amavam o que faziam e a mensagem por traz do seu trabalho, por isso, independentemente da oferta, recusavam-se a adulterá-lo, e com razão em fazê-lo. Em troca dessa teimosia, tornava-se visível a paixão, a fúria, a intensidade, o amor em suas obras. Um sacrifício justo em minha opinião, embora infeliz.

Simplesmente não vejo mais isso atualmente. Não na grande mídia. Todos são robôs e isso me desespera. Não existe mais aquela identidade entre o artista e sua arte, é tudo um grande negócio. Alguém compõe alguma coisa rentável, para algum músico que tenha boa aparência e um mínimo de carisma e pronto! Temos o mais novo hit milionário! Mas de que vale tudo isso? O que será de nossa próxima geração, que não terá nenhum Stravinsky para falar sobre? Só espero que nosso passado não seja completamente apagado, pois, sem ele, desligamos os aparelhos que mantém viva a nossa arte vegetativa.

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