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sábado, 7 de julho de 2012

No shopping ninguém pode te ouvir gritar.


Não existe lugar onde as pessoas são mais indiferentes do que em um shopping. Shopping, supermercado, qualquer centro comercial. Qualquer lugar que tenha por finalidade o consumo. Que o leitor não me entenda errado pensando que eu sou um desses que acha que a razão de toda a decadência da sociedade moderna se encontra nos hábitos de consumo atuais. Na verdade nem acho o consumo algo totalmente prejudicial, mas não sei o que acontece nesse tipo de ambiente que torna pessoas normais em completos zumbis, completamente inconscientes de que naquele mesmo lugar existem outras pessoas com os mesmos objetivos que eles. Abandonando carrinhos, andando lado-a-lado em grandes grupos interditando corredores, acampando em frente a vitrines e simplesmente ignorando tudo e todos à sua volta.

Acho que essa indiferença geral é o principal motivo pelo qual pais tem medo de deixar seus filhos a sós nesse tipo de lugar. Porque é muito provável que um dia uma criança de cinco anos seja arrastada pelos corredores de um shopping por um pedofilo qualquer para ser estuprada no banheiro e ninguém tentará impedir ou sequer reagir quanto à situação.

Isso pode ser um exagero da minha parte, afinal vivemos em uma geração hiperbólica. Anedotas medíocres são consideradas hilárias, acontecimentos sem importância são épicas, históricas ou fantásticas. Imagino que isso deixe as situações realmente relevantes sem adjetivos sobrando, fazendo com que estas percam sua magia. Mas, voltando ao assunto antes que me disperse completamente, mesmo que tenha exagerado em algum momento, minhas hipérboles tem, quase sempre, características proféticas. Aguardem, poderei estar certo um dia.

Não entendo o motivo disso. Não entendo o porquê de nossas emoções entrarem em coma em ambientes comerciais. As únicas pessoas que conseguem manter-se humanas nesses lugares geralmente são os funcionários, principalmente os mais novos, os antigos já estão completamente cínicos quanto sua própria existência, contudo as emoções que lhe restam geralmente são de ódio e desprezo, e estes, com o tempo, inevitavelmente transformam-se em indiferença.

Talvez seja esse o motivo. Anos atrás tínhamos ódio de ambientes comerciais. Hoje, toda essa raiva é parte do passado, pois entendemos que esses lugares são parte essencial de nossa sociedade, por pior que isso seja. Nosso ódio, assim como o dos funcionários, cumpriu seu papel e, como uma borboleta saindo do casulo, virou indiferença.

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