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sexta-feira, 4 de maio de 2012

Sobre religião


Não aprendemos a lição. Por milênios a religião e a crença foram a base da nossa sociedade, com ela descobrimos quem descriminar, quem agredir, quem estuprar, quem matar, quem escravizar. Não foi a única causa da crueldade humana, pois somos animais cruéis por natureza, mas foi o que guiou e comandou essa crueldade, nosso instinto apenas aceitou.

Hoje, com mais entendimento e uma constituição abrangente, seria possível banir essa fonte de mal, que além de perseguir seus contrários, castra seus membros, inibe sua humanidade, tira seu poder e dá-lo a um ser imaginário e seus representantes. Impede avanços, proíbe o questionamento. Mas não o fazemos, permitimos a existência dessa cruel instituição.

A razão disso é o medo da existência, que é ainda mais cruel que a religião e os seres humanos em si. É vazia, quando compreendida na medida do possível, sem sentido, portanto temos medo. Medo de que para sermos lembrados tenhamos que ser excepcionais, abandonar a confortável mediocridade. A mediocridade é a causa do medo da morte e não o fim em si. Tememos o esquecimento, portanto, em um ato de infantilização, criamos um pai, um mestre criador, bom por natureza, que além de te criar, te ama. Incondicionalmente, sem a necessidade de nada em troca, além da sua crença e submissão. Além disso, traz vida eterna a “seus filhos”, em um paraíso com todos os seus familiares, e garante que os submissos sofreram eternamente.

Assim é possível existir eternamente, ou passar a vida acreditando nisso pelo menos, afinal depois da morte não importa. É melhor viver como um covarde, medíocre, feliz e iludido do que pensando, se esforçando, buscando a real imortalidade. Não a imortalidade do corpo, da alma ou do ser, mas a das ideias. A única coisa capaz de te manter vivo após o inevitável fim.

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