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domingo, 6 de maio de 2012

Liberdade e música


O que houve com os artistas atuais? Falta-lhes alma e vontade. Parece que hoje qualquer um com boa aparência e voz limpa e afinada pode ser cantor desde que exista um produtor disposto a transformá-lo em um produto.

Não é nem uma questão de gênero musical, embora a grande maioria das músicas sejam aberrações repetitivas, mas isso é uma questão de gosto e existiu em todas as gerações, ouve quem quiser. Com certeza, houve nos primórdios aquele compositor clássico que era odiado por todos os outros, pois compunha o que o rei queria ouvir em troca de financiamento, mas esse tipo de arte não é durável e ninguém nunca ouviu falar desse cara.

O que busco entender é a falta de paixão dos músicos atuais. Talvez sejam assim, porque os grandes artistas quebravam barreiras, e hoje não existe mais nada pra quebrar. Antigamente até um conjunto de notas que causavam uma dissonância específica era considerado “diabulus in musica” (coisa do capeta), hoje existe total liberdade para se falar de sexo, política, violência, drogas, mas o que reina ainda é o “ai se eu te pego” e as músicas de dor de corno. Porque é exatamente esse excesso de liberdade que impede o choque, e sem isso a arte perde motivação e abre espaço ao politicamente correto, quando queremos reformar as barreiras. Andamos para trás.

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